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Rap y música na diáspora-a forma
Na esquina, entre o final da década de 1980, e especialmente a partir dos anos 1990, um novo agente social vem à tona na esfera pública nacional, produzindo representaçoes conflituosas da experiéncia vivida do povo brasileiro. O rapper, vocalista da música rap, no contexto do Brasil, emerge no cenário artístico-musical enquanto a "voz ativa" de um sujeito coletivo, a juventude negra periférica.' Esse segmento social, cuja imagem massificada pela grande mídia, ffequentemente o associa a crimes e mortes, utiliza a música como um instrumento privilegiado para constituiçâo de contradiscursos, assumindo assim urna postura política perante a sociedade. Através da produçâo social da cultra estes artistas, intelectuais orgánicos, tomam para si a responsabilidade da produçâo dos significados contra-hegemónicos acerda da vida nacional. A reelaboraçâo das estruturas de sentida da chamada "cultura brasileira" está diretamente associada ao caráter étnicopolítico da aliança histórica entre música negra e cultura política, sendo que o discurso rap em sua forma expóe urna nova insurgência do sujeito afrobrasileiro modficando o pensamento tal como sentido, isto é, a "consciéncia prática" como cunha Raymond Williams. Esta "cultura brasileira", representada em uníssono, tenta esconder com o seu véu nacionalista a contribuiçâo de povos que rimam e batucam sua resistência, é a face "nacional-popular"do racismo. Este artigo pretende discutir os efeitos dissonantes provocados pelo rap, enquanto estratégia política-cultural da juventude negra, no discurso hegemónico sobre a naçâo, nacionalidade e cultura brasileira. De forma especial, nosso principal corpus analítico é formado pelas letras das cançoes e declaraçoes dos integrantes de mais consagrado grupo de rap do Brasil, em atividade desde o fim dos anos 1980, o que chamamos de discurso Racionáis MC's.
Utilizando abordagem discursiva esboçada por Paul Gilroy em O Atlántico Negro, é possível reconhecer através de formas musicais negras que emergem no Brasil moderno, características peculiares da política cultural na diáspora africana, de forma que as artes negras säo associadas "näo só como mercadoria mas engajadas em várias lutas de emancipaçâo dos povos negros" (59). Segundo Gilroy a história do ambiente cultural chamado Atlántico negro justamente "propicia um meio de reexaminar os problemas da nacionalidade, posicionamento, identidade e memoria histórica" (59).
A emergência do discurso rap na América negra, no contexto de surgimento do movimento hip'hop, se dá através...





