Resumo
As reflexöes e os argumentos deste artigo foram desenvolvidos a partir da notícia veiculada no jornal Diário de Noticias, de Salvador-BA, mencionando o fato de que Agnes Blake Poor foi a primeira tradutora estadunidense da literatura brasileira para o ingles. Poor editou a antologia Pan-American Poems (1918), que reuniu poemas latino-americanos traduzidos para o ingles. O Brasil é representado por Gonçalves Dias, Bruno Seabra, o portugues Francisco Manuel de Nascimento e uma cançao folclórica cigana. Seguindo a orientaçao teórica-metodológica dos Estudos Descritivos da Traduçao, o objetivo deste artigo é analisar a dimensao política e literária em que a antologia foi publicada nos Estados Unidos e cotejar os poemas de partida e os de chegada para observar as normas tradutórias. Os resultados demonstram que o projeto tradutório governamental foi idealizado para incentivar o pan-americanismo e unir as Américas em tempos bélicos, o que parece ter sido o fator determinante para a escolha dos poemas e das normas tradutórias.
Palavras-chave: Estudos da Traduçao; Polissistema; Literatura Brasileira; Estados Unidos.
Abstract
The considerations and arguments of this article were developed based on the information printed in Diário de Noticias, a newspaper from Salvador, Bahia, in Brazil, which states that Agnes Blake Poor was the first North-American woman to translate Brazilian literature into English. Poor edited the anthology Pan-American Poems (1918) that brought a collection of Latin-American poems in English translation. Brazil is represented by Gonçalves Dias, Bruno Seabra, the Portuguese Francisco Manuel de Nascimento, and a gypsy folk-song. Using the theoretical and methodological tools from Descriptive Translation Studies, the objective of this article is to analyse the political and literary dimensions in which the anthology was published in the United States and compare the source and target poems to pinpoint the translational norms. he results show that the governmental translation project was aimed to foster Pan Americanism and to unite the Americas during war time, which was key to determine the choice of the poems and the translation norms.
Keywords: Translation Studies; Polysystem; Brazilian Literature; United States.
A descoberta
Durante a pesquisa que realizei no National Archives II (NARAII), em College Park, estado de Maryland, nos Estados Unidos, encontrei um artigo do jornal Diário de Noticias, de Salvador, da Bahia, publicado em 1944.1 O clipping [recorte] intitulado "A primeira tradutora da literatura brasileira" obviamente chamou minha atençâo, pois estava a procura de documentos sobre o projeto de traduçâo da literatura brasileira da década de 1940. Ao iniciar a leitura, o subtítulo "Primeiros capítulos da história da amizade brasileiro-americana" acentuou mais ainda meu interesse. O texto do jornal relatava brevemente a instalaçâo do primeiro "consulado americano" em Salvador em 1844, demarcando, no entanto, que as relaçöes comerciais Brasil-Estados Unidos já haviam começado no século XVIII, com a chegada do comandante William Orne (1751 ou 1752-1815), que "se tornou o maior armador dos Estados Unidos" (Diário de Notícias, 1944). A segunda parte do artigo tratava do assunto anunciado no título, isto é, as relaçöes culturais que "se sublimaram através dos anos" (Diário de Notícias, 1944). Agnes Blake Poor foi a primeira tradutora estadunidense da literatura brasileira, de acor do com o Diário de Notícias. Poor "nao somente fez traduçöes de poetas brasileiros, inclusive baianos, como Castro Alves e Junqueira Freire, mas também ensinava nosso idioma" (Dário de Notícias, 1944). De fato, foi ela quem ensinou portugués ao sobrinho, Charles Lyon Chandler, historiador estadunidense, contratado pelo Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA) para reconstituir a história dos laços de amizade entre o Brasil e os Estados Unidos, uma das várias açöes desenvolvidas para semear a solidariedade interamericana durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).2 Em um livro publicado anteriormente ao seu envolvimento no OCIAA, intitulado Inter-American Acquaintances (1915), Chandler faz um agradecimento especial a tia por té-lo incentivado a amar as línguas portuguesa e espanhola (CHANDLER, 1915, p. vi).
A traduçâo de poemas brasileiros por Agnes Blake Poor nao se encontrava no escopo original de minha pesquisa. Porém, a personagem despertou minha curiosidade, pois nao há mençâo a ela ou a seu trabalho na historiografia dos Estudos da Traduçâo produzida no Brasil. Durante a pesquisa no NARA II, encontrei também algumas correspondéncias de Charles Lyon Chandler que mencionavam Agnes Blake Poor, sua tia. Coletei os documentos e a antologia para examiná-los após a finalizaçâo da pesquisa a qual me dedicava naquele momento. A antologia de poemas latino-americanos que Poor traduziu e editou em 1918, em especial os poemas brasileiros, interessaram-me sobremaneira.
Isso posto, circunscrito na área dos Estudos da Traduçâo, o objetivo deste artigo é analisar a dimensâo política e literária em que os poemas brasileiros incluídos na antologia Pan-American Poems foram publicados nos Estados Unidos e cotejar os poemas de partida e os de chegada para observar as normas tradutórias em operaçâo. A fim de compreender essa traduçâo inserida em contexto, o arcabouço teórico-metodológico advém dos Estudos Descritivos da Traduçâo (EDT), de Gideon Toury (2012).
Os Estudos Descritivos da Traduçao e seus desdobramentos
Na década de 1970, o israelense Itamar Even-Zohar (2000)3 propôs a teoria do polissistema que concebe a literatura como um sistema de natureza dinámica, constituido por vários subsistemas que agem e interagem. A traduçao, tal qual a poesía, o teatro e a prosa, sao elementos constituintes do sistema literário, que por sua vez se relaciona com outros sistemas da estrutura socioeconômica e ideológica de uma determinada sociedade. Quando os textos traduzidos sao integrados a cultura receptora, passam a fazer parte deste novo polissistema literário, sujeitando-se as suas regras. Eles geralmente ocupam uma posiçao diferente daquela que mantinham no polissistema de partida, e podem cumprir duas funçöes no novo sistema: uma considerada primária, que consiste em criar generos e estilos, e a outra, secundária, que serve para reafirmar géneros e estilos já existentes. Embora sob essa perspectiva estejamos ainda longe da concepçao mais contemporánea de traduçao como um novo texto, transformado e completo em si mesmo, percebe-se nesse momento um desgaste dos posicionamentos tradicionais, que nao reconheciam a singularidade da traduçao e foram gradativamente substituidos por formulaçöes com tendéncias cada vez mais descritivas. Assim, fortemente influenciadas pelo dinamismo sistémico e funcional de Tynjanov, as reflexöes de Even-Zohar atribuiram a traduçao o caráter funcional dos elementos constitutivos do campo literário, possibilitandolhe uma posiçao menos secundária.4
Seguindo a trilha de Even-Zohar, Gideon Toury (1995) idealizou uma metodologia de análise descritiva das traduçöes, adaptando o conceito de norma da sociologia e da psicologia social, pendendo assim para o campo da sociologia da cultura, mais especificamente, a sociologia da traduçao, segundo a terminologia sugerida por Holmes (2000).5 As normas da traduçao passam entao a representar o conjunto de valores compartilhados pelas culturas envolvidas e seus comportamentos no processo do ato tradutório. Toury distinguiu dois tipos de normas: as normas preliminares sao as politicas tradutórias que envolvem a escolha do texto a ser traduzido, bem como os autores e os géneros da lingua de partida; e as normas operatórias sao as decisöes tomadas durante a realizaçao da traduçao, que ocorrem em dois niveis: (i) as normas matriciais, que regulam a macroestrutura do texto e podem definir até se ele será traduzido integralmente ou nao, e (ii) as normas linguistico-textuais, que regulam as escolhas do material linguistico da lingua de chegada e determinam os tipos de equivaléncia, ou seja, a estratégia utilizada pelo tradutor em privilegiar as normas da cultura do texto original (adequaçao) ou as da cultura do texto traduzido (aceitabilidade) - o que Venuti (2002) mais tarde chamou de estrangeirizaçao e domesticaçao, respectivamente.6
O estudo polissistémico de Even-Zohar, conforme observado por Segal (1982 apud EVEN-ZOHAR, 1990), surgiu de uma necessidade especifica de se investigar a formaçao do jovem e complexo sistema literário israelense, constituido por influencias manifestas por meio da traduçao de outras literaturas (Even-Zohar, 1990, p. 1). Como acontece com qualquer sistema literário, houve um momento em que o hebraico recorreu a traduçâo para a constituiçâo e renovaçâo do seu repertorio de genero textual, estilístico e temático. Dessa forma, a proposta de Toury fundamenta-se no pressuposto de que as traduçöes sâo concebidas para preencher determinadas lacunas ou certas necessidades da literatura ou da cultura receptora. Respondendo a esses interesses, os tradutores imprimem certas características textuais para atender a uma demanda da cultura receptora.
Levanto, pois, algumas indagaçöes: e se esses contatos entre as literaturas nao se derem a partir do interesse estético de escritores ou editores de diferentes países? E se tais contatos forem forjados pelos governos, como provavelmente aconteceu com essa antologia de poemas latino-americanos traduzidos para os Estados Unidos? Neste caso, que status lhe foi conferido pelo sistema receptor? A escolha de textos seguiu os padröes estéticos domésticos para reforçar seu cânone, ou causou alguma subversâo temática ou estética? Qual a margem de autonomia da tradutora e como foi o processo de aceitaçâo ou rejeiçâo desses livros traduzidos para o sistema literário dos Estados Unidos? De acordo com Even-Zohar (1990, p. 58), o repertorio de um sistema, uma vez traduzido e incorporado por outro sistema literário, geralmente descola-se do primeiro, sujeitando-se as normas do sistema receptor, tornando-se doméstico.
Para responder essas a perguntas é necessário também recorrer a intersecçâo com outras disciplinas, principalmente as pesquisas que se utilizaram de ferramentas teóricas- metodológicas da sociologia, como os textos compilados por Michaela Wolf e Alexandra Fukari em Constructing a sociology of translation (2007), que se engajaram em compreender as instâncias governamentais, institucionais e individuais e como essas hierarquias e relaçöes de poder sao negociadas e acomodadas durante e no processo tradutório. Já a coletânea de textos organizada por John Milton e Paul Bandia, Agents of translation (2009), traz discussöes teóricas e estudos de casos que trataram do agenciamento da traduçâo que, em alguns casos, foi responsável por "transiçöes/mudanças/inovaçöes históricas, literárias e culturais" (MILTON & BANDIA, 2009, p. 1 - traduçâo minha).
Agnes Blake Poor e a traduçâo da literatura brasileira no inicio do século XX
Na segunda metade do século XIX, tres romances brasileiros ganharam suas versöes em ingles:
* Iracema, de José de Alencar, foi traduzido pela inglesa Isabel Burton como Iraçéma: the honey-lips (1886);
* Manuel de Moraes, de Joao Manuel Pereira da Silva, foi traduzido com o título homónimo pelo casal ingles Isabel Burton e Richard F. Burton. Iracema e Manuel de Moraes foram publicados em um único volume pela Bickers & Son de Londres, em 1886;
* Inocencia, do Visconde de Taunay, traduzido com o título homónimo por James W. Wells, foi editado pela Chapman and Hall de Londres, em 1889 (MORINAKA, 2017a).
Ao traçar o perfil da literatura brasileira traduzida para o ingles nesse século, Heloisa Barbosa (1994, p. 35 e 36), valendo-se da classificaçâo de Vanderauwera (1985, apud Barbosa, 1994), qualifica os tradutores de "exploradores", referindo-se as pessoas que moraram ou visitaram outros países, as quais, motivadas por preferencias pessoais de leitura, começaram a traduzir os autores ou os livros favoritos para compartilhá-los com seus compatriotas que nao liam ou falavam as linguas em que haviam sido originalmente escritos. No inicio do século XX, ainda segundo Barbosa (1994), o perfil da traduçao da literatura brasileira começa a manifestar traços de "ambassadorial translatio", isto é, de buscar representar a cultura fonte para a cultura alvo, comumente utilizada em políticas culturais externas.
De acordo com a informaçao veiculada pelo Diário de Noticias, de SalvadorBA, do dia 13 de agosto de 1944, Agnes Blake Poor (1842-1922) foi a primeira tradutora estadunidense da poesia brasileira do século XX (Figura 1). Isabel Burton, tradutora dos romances Iracema e Manuel de Moraes, de acordo com as cartografías feitas por Barbosa (1994) e Morinaka (2017a), pode ser considerada a primeira tradutora da literatura brasileira, mas era inglesa. O título do artigo jornalístico que me estimulou a escrever este trabalho chama a atençao para a primeira tradutora "estadunidense", inserindo-a em um contexto de relaçöes de amizade entre o Brasil e os Estados Unidos. Outras tradutoras estadunidenses talvez tenham publicado alguma traduçao da literatura brasileira em revistas literárias antes de Poor, mas até o momento nao encontrei nenhum catálogo registrando tal fato.7
A antologia editada por Poor, Pan American Poems [Poemas Panamericanos] , publicada pela Gorham Press, de Boston (MA), nos Estados Unidos, em 1918, reuniu poemas da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Nicarágua, Peru, Porto Rico, Uruguai e Venezuela. A antologia é dedicada ao poeta uruguaio Juan Zorrilla de San Martín. Entre os brasileiros escolhidos para a antologia estao os poetas Antônio Gonçalves Dias (1823-1864) e Bruno Seabra (1837-1876). Curiosamente, o poeta portugués Francisco Manuel de Nascimento (1734-1819), que assinou algumas obras sob o pseudónimo de Filinto Elysio, também foi incluido na antologia. Há, além desses poetas, uma cançâo folclórica cigana brasileira, de autoría desconhecida, que fez parte da coletânea Cancioneiros Ciganos, editada por Mello Moraes Filho, em 1885.
No prefácio da antologia, Poor declarou que "os sul-americanos compuseram muitos bons poemas que fazem alusöes ao nosso país [Estados Unidos], aos nossos grandes homens, expressando generosa e calorosa admiraçâo" (POOR, 1918, p. 5; traduçâo minha).8 Porém, infelizmente, dado o grande volume de textos, conseguiu reunir somente algumas amostras. Além do mais, o grande atrativo para a audiéncia estadunidense seriam os poemas que refletissem "os sentimentos nacionais, a cor local, a novidade e uma variedade de temas" (POOR, 1918, p. 5; traduçâo minha).9 Após a apresentaçâo dos poetas que fizeram parte da coletânea, a editora finalizou o texto expressando a esperança de "que seu trabalho tivesse uma influéncia, mesmo que pequena, na atual e importante crise, em aproximar os sentimentos de solidariedade das duas grandes divisöes do mundo, cujos objetivos deveriam estar agora, mais do que nunca, unidos" (POOR, 1918. p. 9; traduçâo e grifos meus).10
A uniâo das Américas contra os países europeus que representavam ameaças a seus territórios, coincidentemente, foi também o argumento utilizado por seus patricios vinte anos depois, em 1938, na iminéncia de outra guerra. Em 1939, essa aproximaçâo se concretizou com a execuçâo de vários projetos da diplomacia cultural que estreitariam os laços de amizade hemisférica (cf. MORINAKA, 2017a, 2017b e 2018). Como estratégia da política cultural que já estava a todo vapor em 1943, o Diário de Noticias publicou esse texto em uma tentativa de "criar" a memória de uma amizade histórica das relaçöes culturais Brasil-Estados Unidos desde o final do século XIX.
Agnes Blake Poor, natural de Bangor, no Maine, traduziu também alguns poemas de Castro Alves e Junqueira Freire, além de ensinar portugués nos Estados Unidos.11 O poema integrante da antologia, Marabá, de Gonçalves Dias, já fora publicado na revista literária Poet Lore, em 1899, aparentemente, a primeira traduçâo da poesia brasileira nos Estados Unidos, antecedendo até mesmo a traduçâo de Cançâo do exilio, feita por W C. Abott, cónsul geral dos Estados Unidos no Brasil, publicada em 1890, sob o título he exile's song. Segundo as recordaçöes de seu sobrinho, Dr. Charles Lyon Chandler12, Poor ainda havia traduzido para o inglés o romance Amalia, de José Marmol,13 escritor argentino, mas que nunca chegou a ser publicado, pois o editor perdera o manuscrito.14 Além das traduçöes, Poor escreveu os seguintes livros: Andover memorials (1883), Brothers and strangers (1893), Boston neighbours in town and out (1898), Under guiding stars (1905) e My four great grandmothers (1918).
Pan-American poems, a antologia de poesia latino-americana traduzida para o ingles, que traz tres poemas brasileiros e um portugués, foi o único volume de traduçâo de material em língua portuguesa publicado no inicio do século. Quanto a traduçâo de romances, há uma lacuna no inicio do século XX (Morinaka, 2017a). Somente na década de 1920 é que se encontram registros de publicaçöes de seis títulos traduzidos: uma obra produzida pela Imprensa Ingleza, editora brasileira; trés por editoras estadunidenses; e quatro por editoras británicas, sendo que O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, e Canaă (1902), de Graça Aranha, foram publicadas tanto pela editora estadunidense quanto pela británica.
Na década de 1930 foram editados trés livros traduzidos: um publicado pela J. R. de Oliveira & Cia, do Rio de Janeiro, e duas por editoras estadunidenses. Esse número sobe para dez títulos na década de 1940: uma traduçâo publicada pela Livraria Editora Zelio Valverde; trés por editoras británicas; e oito por editoras estadunidenses, sendo que as traduçöes de A fogueira (1942), de Cecílio Carneiro, e Os Sertoes (1902), de Euclides da Cunha, foram publicadas tanto pelas editoras estadunidenses quanto pelas británicas.
Esses números de títulos do século XX mostram um deslocamento das traduçöes publicadas exclusivamente na Inglaterra no século XIX, para aquelas que foram publicadas majoritariamente nos Estados Unidos na primeira metade do século XX, fato que, segundo Barbosa (1994, p. 43), acompanhou a conjuntura económica e a parceria comercial estabelecida pelo Brasil, primeiro com a Inglaterra e, em seguida, com os Estados Unidos.
Pan-American Poems
A importáncia atribuída as boas relaçöes entre os países do hemisfério americano e a causa dos Aliados é textualizada no prefácio de Pan-American poems (Figura 2), conforme vimos anteriormente. Poor ainda argumenta que é necessário mencionar o argentino Senhor Almafuerte, cuja "voz influente ainda se levanta a favor da liberdade representada na causa dos Aliados, com quem nosso país [Estados Unidos] se aliou contra o despotismo" (POOR, 1918, p. 6, traduçâo minha).15
Poor ainda declara que a seleçâo para a antologia foi alicerçada na qualidade dos poemas, mas que, por coincidéncia "muitos deles foram escritos por homens eminentes engajados também em outras atividades, especialmente na Argentina, onde os primeiros homens das letras foram líderes dos grandes movimentos nacionalistas que lutaram pela sua independéncia" (POOR, 1918, p. 6, traduçâo minha).16 Os irmâos Florencio Varela e Juan Cruz Varela, de Buenos Aires, e o autor clássico José Mármol, por exemplo, lutaram contra a "tirania" de Juan Manuel de Rosas na Argentina. José Joaquin de Olmedo, do Equador, tem o título de "Pai dessa naçâo" inscrito na lápide de seu túmulo por ter lutado a favor da emancipaçâo de seu país (POOR, 1918). E. Francisco Acuña de Figueroa, do Uruguai, autor das letras dos Hinos Nacionais do Uruguai e do Paraguai, era reformista e lutava contra o governo de Rosas, da Argentina.
A luta dos homens das letras pela independencia em seus respectivos países encontra ecos no livro do sobrinho de Poor, Charles Lyon Chandler, InterAmerican Acquaintances (1915), escrito com o objetivo de fornecer provas de que a independencia dos Estados Unidos serviu de inspiraçâo para as guerras pela independencia na América Latina. O livro de Chandler e a antologia poética de Poor, ambos sobre a América Latina, lançados durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), reforçaram a necessidade da aliança hemisférica americana contra a Tríplice Aliança. Essa convicçâo expressa nas palavras de Poor talvez forneça algumas pistas para a inclusâo de um poeta portugués exaltando a independencia dos Estados Unidos, na falta de um poeta brasileiro que tenha feito algo parecido. Vejamos, a seguir, o cotejo entre os poemas e suas traduçöes.
'Marabá, de Gonçalves Dias, na traduçao de Agnes Blake Poor
Em seu texto introdutório acerca dos poetas brasileiros, Poor refere-se a imensidao do território do Brasil e ao grande número de falantes de portugués, que se igualava a quantidade de falantes de espanhol dos vários países latino americanos. A tradutora continua o texto dizendo que apesar de o Brasil se encontrar em "uma situaçâo de subdesenvolvimento" e grande parte de sua "populaçao nativa ser incivilizada", o país produziu "uma literatura elegante e distinta" (POOR, 1918, p. 8). Gonçalves Dias é apresentado como um ilustre poeta muito parecido com Longfellow,17 pois ambos trouxeram as línguas autóctones e suas lendas para a literatura.
O poema "Marabá" encontra-se no livro Últimos cantos, de Gonçalves Dias, publicado em 1851. Na antologia, logo no inicio do poema, a tradutora escreveu a seguinte nota explicativa sobre a palavra "Marabá", que foi mantida como título homónimo em lingua inglesa: "Na tribo indígena dos Tupá, ocasionalmente nascem crianças de cabelos claros e olhos azuis, denominadas de 'marabá, ou seja, amaldiçoadas; elas sao geralmente enterradas vivas imediatamente após o nascimento. O poema descreve a vida de uma menina que foi poupada da morte" (POOR, 1918, p. 35, traduçao minha).18 Destaque-se que a frase "the children with fair hair and blue eyes are occasionally born [ocasionalmente nascem crianças de cabelos claros e olhos azuis]", dá a entender que o nascimento de crianças brancas entre os Tupás era um fenómeno natural que fugia ao controle humano. Essa forma gramatical omite o agenciamento de homens brancos que tinham relaçöes sexuais com as indígenas, uma parte delas tomadas a força. E, dos frutos dessas relaçöes ou estupros nasciam os "marabás", que eram rejeitados pelo grupo indígena. O poema de Gonçalves Dias tampouco toca nesse fato.
"Marabá" (Anexo 1) tem cinco sextilhas e seis quartetos e aproxima-se do genero "cantiga de amigo" em que o eu-lírico, a índia "mestiça", sofre por nao ser aceita pelo seu grupo. Poor optou por primar pela forma ao invés dos "sentidos literais" que tanto se almejavam alcançar na traduçao. Os versos, irregularmente intercalados de onze e cinco sílabas métricas do poema em portugues, foram cuidadosamente mantidos em língua inglesa, mesmo causando certo estranhamento quando lidos em voz alta, pois esse ritmo destoa dos generos poéticos conhecidos pelos falantes de ingles. Ao privilegiar a forma literária do texto de partida, pode-se dizer que a tradutora fez uso do que é entendido como estratégia de adequabilidade segundo Toury (2012).
A primazia da forma sobre o conteúdo, no entanto, encobriu certos sentidos no poema, como, por exemplo, a repetiçao da frase "és Marabá". Essa palavra "estrangeira para os falantes de ingles" funciona como um estribilho que representa as vozes das pessoas que nao veem os marabás como membros do grupo, refraos que ecoam por todo o poema em portugues. No poema em ingles, o estribilho foi pulverizado nas seguintes frases para fins de metrificaçâo e rima: "I am Marabá" [Eu sou Marabá], "thou art Marabá" [Tu és Marabá], "thou art still Marabá" [Tu ainda és Marabá], "not like thine, Marabá" [Nao como tu, Marabá] e "are still Marabá" [Ainda é Marabá]. Apesar da variedade dos sintagmas que precedem "Marabá" em língua inglesa, a manutençao da palavra estrangeira "Marabá" equilibra a equaçao e continua ecoando ao longo da traduçao.
Vejamos como os elementos naturais do território brasileiro tais como anajá, jambo e cajá foram traduzidos por Poor:
A criatividade tradutória foi empregada para transformar imagens que certamente näo seriam acionadas pelo público falante de língua inglesa em imagens processáveis, sem a necessidade de um glossario. Assim, Poor aproximouse da estrategia de aceitabilidade, de acordo com a terminologia de Toury (2012). "Maraba" e "Tupa", língua falada pelos Tupis Guaranis e explicadas na nota da traduçâo, foram as palavras mantidas em portugués para mostrar "a cor local, a novidade e a variedade de temas" a qual Poor se referiu no prefacio da antologia. Esse fato, porém, näo minimiza a variedade de recursos linguísticos e estilísticos que precisaram ser ativados pela tradutora para compor o texto em inglés, mostrando o malabarismo feito para manter o tom "estrangeiro" do poema.
"hereza", de Bruno Seabra, na traduçâo de Agnes Blake Poor
"hereza" (Anexo 2) é o terceiro poema do livro de poesías intitulado Lucrécias, que Bruno Seabra publicou em data incerta do século XIX. Por ser um poema sem muitas marcas culturais brasileiras, a tradutora näo adicionou nenhuma nota explicativa, como fez na introd^äo de "Maraba". O poema de onze sextilhas foi transformado em onze oitavas, mas a estrutura métrica do verso da língua portuguesa foi mantida em língua inglesa. Ao contrario da métrica de "Maraba", que causa certo estranhamento, "hereza" näo causa ruído em língua inglesa quando lido em voz alta devido ao número de versos acrescentados em cada estrofe. A expansäo do número de versos foi provavelmente a sol^äo encontrada pela tradutora para ajustar os sentidos a estrutura métrica do verso da língua de chegada, aproximando-se do género "balada". O uso das rimas cruzadas "abab" é também bastante comum das "baladas" de língua inglesa.
Passemos para aos versos acrescidos a traduçâo. Os sentidos que podem ser subentendidos nas entrelinhas do texto de partida sao explícitamente textualizados no texto traduzido, como no seguinte exemplo:
O primeiro verso em portugués "Que nâo cuidei vejo agora" mostra o arrependimento do eu lírico, ao passo que a traduçâo transforma o arrependimento em decisöes que ele deveria ter tomado, baseado na certeza de que seu amor era correspondido. Ou seja, se, no passado, ele tivesse proposto casamento a hereza, nâo a veria casando-se com outro homem, pois ela certamente teria aceitado casar-se com ele. Vejamos a retro-traduçâo dos quatro primeiros versos do quadro anterior: Eu sempre quis agradá-la, / Dizer no momento certo, / "Casa comigo, hereza?" / Certo que ela diria sim. (traduçâo minha).
O próximo fragmento mostra a originalidade do poema em inglés:
Poor transformou o jambo e o maracujá, certamente frutas desconhecidas do público estadunidense da virada do século, em cherries [cerejas] e berries [frutinhas de arbustos], que seriam facilmente encontradas e identificáveis por falantes de língua inglesa do hemisfério norte. Temos, assim, o ritmo da balada impressa a versâo inglesa e, mais uma vez, a transformaçâo de elementos naturais brasileiros para elementos naturais reconhecíveis por falantes anglófonos, o que revela a estratégia da aceitabilidade (TOURY, 2012) usado na traduçâo.
"Cantiga" na traduçâo de Agnes Blake Poor
No prefácio da antologia, a tradutora mencionou os esforços feitos pelos escritores latino-americanos para preservar as cançöes folclóricas, a exemplo do que o poeta Julio Vicuna Cifuentes fazia no Chile com as velhas baladas espanholas que ainda eram cantadas por lá. Nâo se poderia tampouco esquecer da poesía "guacho" da Argentina. Ao tratar do Brasil, Poor classificou os "cantos ciganos" dentro da categoria de cançöes folclóricas, nâo estabelecendo nenhuma semelhança ou relaçâo entre as produçöes dos diferentes países, somente tecendo o seguinte comentário:
As cançöes folclóricas brasileiras constituem uma classe própria, ainda em processo de crescimento entre um povo analfabeto, os ciganos do Brasil. Elas sâo constantemente improvisadas, geralmente como simples quartetos, no dialeto cigano, e passadas oralmente, o que causa mudanças inevitáveis. Apesar dos esforços para preservá-las, poucas delas sâo traduzidas ou adaptadas para o portugués e impressas. A cançâo aqui inserida é provavelmente originária de "merendins" ou "mulondins" (de "mulon", um cadáver), cantados em funerais ciganos. 19 (POOR, 1918, p. 9 - traduçâo minha)
A afirmaçâo que "os ciganos no Brasil sâo analfabetos" nâo consta em nenhum texto de Cancioneiros Ciganos, o livro original de onde se extraiu "Cantiga" para a traduçâo em língua inglesa. A coletânea, editada por Mello Moraes Filho20, foi publicada em 1885. No prefácio intitulado "Cancioneiros dos ciganos e a genealogia de seu caráter poético", Moraes Filho sustenta que o poeta cigano:
[...] despreocupado da arte, balança nas redes do ritmo agreste a sua cançao, que consubstancia o sentimento coletivo, desaparece na anonimidade: seu verso é espontáneo e musical; ele o improvisará para espancar as suas tristezas ou irradiar as suas alegrias, descrever o espetáculo maravilhoso da natureza ou entornar em hinos sua alma ante o prestigio incomensurável dos deuses nacionais. (MORAES FILHO, 1885, p. viii)
"Cantiga" faz parte das cançöes funerárias, improvisadas para "espancar as suas tristezas". Moraes Filho comparou o lirismo religioso e subjetivo dessas cançöes a poesia dos hebreus e ao ideal egipcio (MORAES FILHO, 1885, p. xvii). Para resgatar um tom "ancestral" das cançöes, a tradutora recorreu aos pronomes que soavam relativamente mais arcaicos, apesar de eles serem ainda usados em alguns registros orais e escritos. Vejamos os seguintes versos:
O pronome de tratamento de segunda pessoa em portugués "tu" nâo tem correspondente na língua inglesa moderna, que opera geralmente com o pronome you.21 No entanto, para imprimir um tom mais arcaico, e, portanto, ás origens dessas cançöes ciganas, Poor utilizou a forma pronominal thou / thee / thine / thou combinando-as com as formas verbais também arcaicas como wast / gavest. Isso também confere ao texto um sentido de transcendencia, por se tratar de uma cantiga funeraria, como as oraçöes religiosas cristas que mantém até hoje essas formas de tratamento. Dessa forma, temos novamente a estratégia da aceitabilidade utilizada na traduçâo, de acordo com a classificaçâo de Toury (2012).
No polissistema literario brasileiro, a coletânea de Melo Morais Filho (grafia atualizada), conhecido como um dos precursores "do trabalho de registro intencional" das manifestaçöes culturais populares brasileiras, mais específicamente as negras (ABREU, 1998, p. 172), parece ter garantido um lugar a um poema da tradiçâo oral cigana na antologia de Poor. Além dos motivos manifestos que eram o de oferecer ao público estadunidense uma pequena amostra "dos sentimentos nacionais, da cor local e uma variedade de temas" (POOR, 1918, p. 5 - traduçâo minha), parece-me que a inclusâo de um poema da tradiçâo oral de um grupo como os ciganos vindos da Europa é a representaçâo simbólica da integraçâo da variedade de grupos étnicos que formavam as naçöes americanas, que naquele momento, precisavam se unir em torno da causa panamericana para proteger seus territórios recém-independentes.
"A Independencia dos Estados Unidos", de Francisco Manuel de Nascimento, na traduçâo de Agnes Blake Poor
O padre portugués Francisco Manuel de Nascimento (1734-1819), que também escreveu sob o pseudónimo de Filinto Elysio, foi considerado o último representante do neoclassicismo arcádico em Portugal. Depois de ter sido denunciado ao Santo Oficio por ler livros proibidos pela Inquisiçâo, refugiou-se em Paris em 1778, onde morreu em 1819.22 Nenhuma biografia sobre Manuel de Nascimento menciona qualquer passagem sua pelo Brasil. No entanto, o poema "Â independéncia dos Estados Unidos"23 foi incluido na coletânea panamericana. Se foi por desinformaçâo de Poor ou nâo, o tema tratado no poema transmitiria "os sentimentos nacionais" sobre o quanto o vizinho "brasileiro" admirava a independéncia dos Estados Unidos.
Por ser um poema relativamente longo, somente trés estrofes foram traduzidas e incluidas na antologia. Temos aqui um exemplo do que Toury (2012) chama de normas operatórias de ordem matricial, que regula a macroestrutura do texto e definem sua traduçâo integral ou nâo. Vejamos a traduçâo:
A traduçâo priorizou as estrofes que se referiam a personagens estadunidenses: Benjamin Franklin de Boston, um dos autores da Declaraçâo da Independencia e da Constituiçâo dos Estados Unidos,24 e George Washington, que lutou na guerra da independencia e foi o primeiro presidente estadunidense.25 Percebe-se, assim, o predominio das normas preliminares sobre as normas operatórias. O projeto de traduçâo governamental da antologia, idealizado para unir as Américas, parece ter regulado as normas operatórias de ordem matricial, ou seja, determinar quais estrofes seriam traduzidas, chegando-se até a incluir um poema europeu (ainda que de lingua portuguesa) na coletânea de poemas latino-americanos. Poor destacou a importância das independencias das naçöes americanas, que apontavam para a formaçâo dos estados soberanos nacionais contra o despotismo europeu, e mostra, novamente, um tema apropriado para a uniäo das Américas, pelo menos no plano "imaginário".
Finalmente, os seis versos curtos que compöem cada estrofe em lingua portuguesa transformaram-se em quatro versos longos na lingua inglesa. E novamente percebe-se o emprego dos pronomes mais arcaicos para traduzir o pronome "tu", como em "thou hast" e "thou art". A estratégia de aceitabilidade (TOURY, 2012) é acionada no processo tradutório.
Consideraçöes finais
O projeto tradutório da antologia editada por Agnes Blake Poor, de 1918, isto é, do ano final da Primeira Guerra Mundial, assemelha-se muito ao projeto de traduçâo levado a cabo pelo governo estadunidense em colaboraçâo com o governo brasileiro entre 1941 e 1947, ou seja, durante a Segunda Guerra Mundial e o principio da Guerra Fria (MORINAKA, 2017a, 2017b e 2018). Os dois projetos tinham como objetivo comum "conhecer" os vizinhos latino americanos em períodos bélicos e parecem ter delineado um cânone brasileiro no território dos Estados Unidos. Esse tipo de projeto tradutório governamental ia além dos interesses estéticos entre diferentes sistemas literários. Por isso houve uma preferencia por textos que reforçavam o cânone doméstico e que tratavam de temas de interesse do sistema receptor a época, expressöes artísticas das diferentes naçöes americanas para a troca cultural hemisférica.
As normas tradutórias adotadas, no geral, primaram por aproximar os textos estrangeiros a cultura estadunidense, o que Toury (2012) chamou de aceitabilidade, ainda que a tradutora tivesse usado de toda a sua criatividade, sagacidade e competencia para manter o tom estrangeiro do poema "Marabá". Devido ao fato de pertencerem a culturas totalmente diversas as dos Estados Unidos, grande parte dos elementos culturais característicos de cada país foi ajustado para elementos que poderiam ser facilmente identificáveis na cultura estadunidense, estratégia comumente utilizada pelos tradutores para a inteligibilidade dos textos.
Várias bases de dados foram consultadas, mas nao há resenhas sobre a antologia Pan-American Poems, ao contrário da antologia compilada por Dudley Fitts, vinte e quatro anos depois, intitulada An Anthology of Contemporary Latin American Poetry, publicada pela New Directions, de Norfolk (CT), em 1942, também como parte de um projeto cultural governamental. Essa antologia, contendo quase setecentas páginas, foi revisada e publicada novamente em 1947 por duas editoras, a New Directions e a Falcon Press, de Londres. Em 1970 e 1976, a antologia foi publicada pela editora Greenwood Press, de Westport (CT). Obviamente, o segundo projeto contou com uma rede de profissionais muito mais eficiente e um movimento muito mais intenso no período da Segunda Guerra Mundial. Além do mais, o aumento dos centros de estudos latino-americanos nos Estados Unidos abriu outros campos de interesse e estudo, fazendo com que houvesse um crescimento das publicaçöes latino-americanas no período subsequente ao conflito militar.
Pan-American Poems serviu ao propósito de fortalecer os laços culturais com os países latino-americanos naquele período. Porém, nao houve nenhum movimento de aceitaçao ou rejeiçao do público leitor ou crítico. A invisibilidade do trabalho de Agnes Blake Poor naquele momento e nos anos posteriores mostra que esse tipo de projeto cultural incentivado pelo governo nem sempre avança ou rende os frutos esperados, principalmente quando nao é endossado pela comunidade de escritores ou leitores. Além do mais, há que se levar em conta o prestígio de determinados sistemas literários sobre outros de acordo com os períodos investigados. Certamente, na virada do século XX, a jovem literatura brasileira, tentando ainda se emancipar da portuguesa para se afirmar enquanto literatura nacional, nao conseguiu adeptos suficientes para que pudesse ser traduzida sem o subsídio do governo estadunidense.
Agradecimentos: Â Coordenaçao de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela bolsa de doutorado sanduíche, realizado na Georgetown University, em Washington D.C., Estados Unidos, em 2015. A Aldrin Castellucci, que, pacientemente me ajudou na coleta dos dados no NARA II.
* Mestre em Letras (Ingles e Literatura Correspondente) pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutora em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) com a tese intitulada Politica cultural e jogos de poder na traduçao da narrativa de ficçao brasileira traduzida nos Estados Unidos (1943-1947), defendida em março de 2017. É professora do Departamento de Letras Germánicas da UFBA. Seu e-mail é [email protected]. ORCID: http://orcid.org/0000-0003-2637-8127
Notes
1. National Archives of Records Administration II (NARA II). RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil: general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1303. A primeira tradutora da literatura brasileira. Diário de Noticias, Salvador. 13 ago. 1944. (Clipping)
2. Detalhes sobre o projeto tradutório estadunidense para a literatura brasileira durante a Política da Boa Vizinhança, cf. MORINAKA, 2017a, 2017b e 2018.
3. O trabalho de Even-Zohar foi originalmente publicado com o título "Polysystem heory", na revista Poetics Today, em 1979, e revisado em 1990.
4. Even-Zohar nao só objetivou estabelecer os parámetros teóricos, como também relatou suas pesquisas baseadas nesses pressupostos, uma delas foi a influencia da cultura eslava no Iídiche desde a Idade Média. De início, alguns aspectos parecem ter sido assimilados pela camada mais popular, tais como na língua vernácula e na literatura oral judaica. Isso porque a alta cultura judaica, influenciada pela cultura hebraica, rejeitava repertórios estrangeiros ou eram menos afetados por tais influencias. Até que no final do século XIX, quando o hebraico passou a ser a língua falada na Palestina, a alta cultura judaica e a alta cultura eslava (em sua maioria russa) finalmente tiveram contatos diretos; ou seja, a literatura hebraica passou a utilizar-se do repertório russo para a constituiçao e o desenvolvimento da sua própria.
5. Nesse texto escrito em 1972 Holmes declarou que nao havia tantos estudos sobre a funçao da traduçao em um determinado contexto, pois esse tipo de pesquisa era geralmente considerado um subtema da história da traduçao ou da história da literatura. Se uma enfase maior fosse dada ao estudo contextual das traduçöes, um campo diferente, a sociologia dos Estudos da Traduçao, poderia se desenvolver no futuro.
6. A ediçao de Descriptive Translation Studies (2012) incluí a descriçao das traduçöes dos sonetos de Shakespeare, o uso do alemao e do ingles como línguas mediadoras e mediadas no processo das traduçöes e a "germanizaçao", a "russificaçao" e a "anglicizaçao" da literatura hebraica.
7. Além da cartografia da literatura brasileira traduzida para o ingles compilada por Barbosa (1994) e Morinaka (2017a), os seguintes catálogos foram consultados: Brazilian Novel Catalog (1994), Latin American belles-lettres in English translation - a selective and annotated guide (1942), Index to anthologies of Latin American literature in English translation (1977), he Babel guide to the fiction of Portugal, Brazil & Africa in English translation (1995) e he Babel guide to Brazilian fiction in English translation (2001).
8. "Many fine poems have been written by South Americans in which allusions are made to our own country, and our great men, expressing the warmest and most generous admiration."
9. "[...] than those which possessed more Southern national feeling, local color, and novelty and variety of subject" (p. 5)
10. "[...] and can only hope in return that her work may have an influence, however slight, in the present important crisis, of drawing closer the sympathies of two great divisions of the world, whose aims should now, if ever, be united"
11. NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil: general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1303. A primeira tradutora da literatura brasileira. Diário de Noticias, Salvador. 13 ago. 1944. (Clipping)
12. Dr. Charles Lyon Chandler, historiador e sobrinho de Agnes Blake Poor, trabalhou como consultor do OCIAA na Regional Brasil. Suas correspondencias mostram que uma de suas funçöes era reconstituir a memória das relaçöes diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos. Chandler coletou material junto as embaixadas, consulados e institutos históricos no Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia.
13. A informaçao que consta em Latin American belles-lettres in English translation (GRANIER, 1942), é a seguinte: Amalia, um romance da Argentina, de José Mármol, foi traduzido por Mary J. Serrano, e publicado em 1919 pela E. P. Dutton & Co., de Nova York.
14. NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil: general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1311. Correspondencia de Charles Lyon Chandler (sobrinho de Agnes Blake Poor) para sua tia Lucy Tappan Poor (única irma viva de Agnes Blake Poor a época). 10 set. 1943.
15. "[...] whose powerful voice is even now raising itself on the side of freedom as represented in the cause of the Allies with whom our country has linked herself against the rule of despotism."
16. "[...] many of them have chanced to be the Productions of men eminent in other ways, especially in Argentina, whose pioneer men of letters were leaders also in the great patriotic movements which established her Independence.
17. Henry Wadsworth Longfellow (1807-1882), poeta e educador estadunidense, traduziu a Divina Comédia para o ingles, que foi publicada em 1867. Disponível em: https://www.wdl.org/pt/item/1523/. Acesso 14 ago. 2018.
18. "Among the Tupa Indian tribes, the children with fair hair and blue eyes who are occasionally born, are regarded as 'marabá, that is to say, accursed; and are usually buried alive at once. he poem describes the condition of a girl who has been allowed to grow up."
19. "he Brazilian folk-songs are one of a class by themselves, being still in process of growth among an illiterate people, the gypsies (ciganos) of Brazil. hey are constantly improvised, largely as simple quatrains, in the gypsy dialect, and pass from mouth to mouth with inevitable changes, so that in spite of efforts to preserve them, but a limited number, translated, or rather adapted into Portuguese, find their way into print. he one inserted here is probably an outgrowth from the merendins or mulondins (from mulon, a corpse) chanted at the gypsy funerals [...].
20. Para mais informaçöes sobre Mello Moraes Filho, cf. ABREU (1998).
21. No 'ingles médio, havia dois pronomes de segunda pessoa distintos para indicar: o singular 'thou' [tu] e o plural 'you' [voces]. No 'ingles moderno, a forma thou começou gradualmente a cair em desuso em alguns registros orais e escritos. Essas afirmaçöes devem ser ponderadas se pensarmos em alguns contextos mais específicos de uso da língua inglesa. (Cf. BRINTON & ARNOVICK, 2017 e BRAGG, 2003).
22. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Francisco-Manuel-doNascimento. Acesso: 27 ago. 2018.
23. Poema disponível em: https://archive.org/details/AnOdetoheLibertyAndIndepen denceOfheUnitedStatesByFrancisco/page/n1. Acesso em: 25 ago. 2018.
24. Disponível em: https://seuhistory.com/biografias/benjamin-franklin.
25. Disponível em: https://www.sohistoria.com.br/biografias/washington/.
Referencias
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Recebido: 31/10/2018
Aceito: 05/02/2019
ANEXO 1 - MARABA, DE GONÇALVES DIAS, E SUA TRADUÇÂO EM LÍNGUA INGLESA
Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
Acaso feitura
Näo sou de Tupá!
Se algum dentre os homens de mim näo se esconde:
- "Tu és", me responde,
"Tu és Marabá!"
- Meus olhos säo garços, säo cor das safiras,
- Tem luz das estrelas, tem meigo brilhar;
- Imitam as nuvens de um céu anilado,
- As cores imitam das vagas do mar!
Se algum dos guerreiros näo foge a meus passos:
"Teus olhos säo garços",
Responde anojado, "mas és Marabá:
"Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
"Uns olhos fulgentes,
"Bem pretos, retintos, näo cor d'anajá!"
- É alvo meu rosto da alvura dos lirios,
- Da cor das areias batidas do mar;
- As aves mais brancas, as conchas mais puras
- Näo tem mais alvura, näo tem mais brilhar.
Se ainda me escuta meus agros delirios:
- "És alva de lirios",
Sorrindo responde, "mas és Marabá:
"Quero antes um rosto de jambo corado,
"Um rosto crestado
"Do sol do deserto, näo flor de cajá."
- Meu colo de leve se encurva engraçado,
- Como hástea pendente do cáctus em flor;
- Mimosa, indolente, resvalo no prado,
- Como um soluçado suspiro de amor!
"Eu amo a estatura flexivel, ligeira,
Qual duma palmeira",
Entäo me respondem; "tu és Marabá:
"Quero antes o colo da ema orgulhosa,
Que pisa vaidosa,
"Que as floreas campinas governa, onde está."
- Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
- O oiro mais puro näo tem seu fulgor;
- As brisas nos bosques de os ver se enamoram
- De os ver täo formosos como um beija-flor!
Mas eles respondem: "Teus longos cabelos,
"Säo loiros, säo belos,
"Mas säo anelados; tu és Marabá:
"Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
"Cabelos compridos,
"Näo cor doiro fino, nem cor d'anajá,"
In solitude dwelling, the loneliest of creatures,
No color, no features,
Have I of Tupá!
And fair as a vision, my beauty yet raises
No love and no praises,
I am Marabá!
My eyes are two sapphires from rocky mines
Two azure rays sent from the dawning of day;
They brighten like gleams of the blue summer heaven,
They darken like blue ocean waves far away.
But if one of our Warriors to meet me advances,
"Though dazzling thy glances,"
He murmurs recoing, "thou art Marabá,
And dearer to me are dark eyes twilight seeming,
Bright eyes softly gleaming,
Through dewy mists beaming, like eve's rising star!"
My brow is as fair as the lily's whitesplendor,
As smooth as the sands on the foam-beaten shore,
The breast of no seabird more soft or more tender,
No thrice-wreathed sea-shell more pure to the core.
But our Young men regard me, and turn away scorning;
"Though radiant as morning,"
They breathe with a sigh, "thou art still Marabá;
The brow that is bronzed by the desert wind blowing,
The desert sun glowing,
Their blushes bestowing, is lovelier by far."
On my throat lightly bending, my fair head is swaying,
As the cactus flower droops from its stem high above.
And the warm perfumed breeze, round my lips that is straying,
Bears a faintly breathed sigh, like a message of love.
"But I love a form like a palm-tree ascending,
A proud head unbending,"
They say as they pass, "not like thine, Marabá!
A head held aloft like the palm's crested splendor,
A form straight and slender,
To reign o'ver our flowery forests afar!"
My long waving tresses float wide on the breezes,
Of fall on my neck in a rippling gold shower;
And each sunny lock that the wooing wind seizes
Seems a bright petal shed from some amber hued flower.
But they murmur sadly, "hy locks bright and shining,
Thy long tresses twining
In lustrous profusion, are still Marabá;
To me and to mine, shining hair deeply shaded,
Dark tresses close braided,
Ebon locks far more precious than Golden ones are!"
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d'acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:
Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!
And these sweet words my longing heart has spoken,
To whom are they addressed?
No warrior wreathes his helmet with my token,
My colors on his breast!
Across the open door of my lone dwelling,
Streches na unseen bar;
And an unspoken curse is ever telling
'Tis Marabá!
ANEXO 2 - THEREZA, DE BRUNO SEABRA, E SUA TRADUÇÂO EM LÍNGUA INGLESA
Quem vem da igreja? hereza
Que foi casar-se... surpresa!
Näo esperava este azar!
Nunca me turbara a ideia
Esta lembrança täo feia
De que podia casar!
Que näo cuidei vejo agora,
Por que mo afirma esta hora,
Que inesperada bateu!
Casada! Vejo-a casada!
Jesus! Como está mudada!
Pois também mudarei eu
Cessai, esp'ranças viçosas,
Emurcheceu, perfumosas
Flores, que eu tanto reguei!
Coraçâo, meu pobre filho,
Velho'stas, segue o meu trilho,
Enruga como enruguei!
Casou-se aquela trigueira,
Que para vos täo fagueira
Se mostrava; já casou!
Aquela mesma hereza,
Que a correr pela devesa,
Tantas vezes nos cansou!
Olhem como vem pimpona!
É uma senhora dona,
Reparem como ela vem...
Seu marido vem com ela
Todo cheio de cautela,
Que muitos ciúmes tem!
Olhai-a, como nos foge!
Como mais esquivos hoje
Seus olhos fogem de nós!
Agora que'stá casada...
Näo irás mais a latada
Colher uvas a sós...
Stop and hear the wedding march
From the church door softly stealing;
As we near the open arch,
Louder and yet louder pealing.
What a blow! he worst, believe me,
That I've met in all my life.
But my senses don't deceive me,
And heresa is a wife.
I had always meant to please her,
And to say, when in the mood,
"Will you marry me, heresa?"
For, of course, I knew she would.
Now my chance is lost, I see -.
Wreath and veil - there' no mistaking;
Now she's changed! But then in me,
Time, no doubt, some change is making.
Faded are the flowers of youth,
Perfume gone and color blighted,
Nothing now remains in truth,
But the ghost of what delighted.
Curses on procrastination!
This, of all the vices' swarm
Leads a fellow to damnation,
When he really meant no harm.
Where's the little sun-burned maiden,
With a smile for each and all?
When, her shabbiest frock arrayed in,
She would hasten a tour call?
What a hand she was for fun,
Bubbling o'ver with mirth and laughter,
How across the fields she'd run,
While we boys came lagging after!
See her now, as pale and calm,
She sweeps on, no swan more stately;
And upon her husband's arm,
How her whit hand rests sedately;
I can wager, he'll be jealous,
He is throwing, I can see,
Such a scowl at us poor fellows,
And the worst of all at me.
There's a little touch of warning,
Mingling, too, with all his pride,
Watching, on her wedding morning,
Every motion of his bride.
Well - your childhood days are o'ver,
Now you're married, little lady,
You will gather grapes no more,
From the trellis long and shady.
Já näo veste saias curtas,
Como outrora a colher murtas,
Jambos ou maracujá,
Pelos declives dos montes
Ia, e depois vinha as fontes,
E nós estávamos lá...
Vem? É outra! É outra... olhai-a!
É vestido, näo é saia,
hereza a mesma näo é!
E que vestido comprido!
Näo deixa ver o vestido,
Nem a pontinha do pé!...
Adeus senhora hereza!
Salve o pobre na pobreza,
Que isto näo lhe fica bem!
Soberba coo seu marido,
Soberta coo seu vestido,
Já näo conhece ninguém!
Deixa-se de soberbias,
Lembre-se daqueles dias,
 sombra dos cafezais...
Descora... näo tenha medo!
Vá tranquila que o segredo
Da minha boca... jamais...
Jamais... e jamais suponha
Seu marido que a vergonha
 casa lhe-hei de eu levar...
Jamais, senhora hereza,
Que eu também tenho a certeza
De algum dia me casar.
No more from the topmost bough
Can you pluck the ripest cherries,
No more can you ramble now
On the hillside after berries.
How at sunset, down the mountain,
We would scamper, skip, and trip!
Only at the well-known fountain,
Snatching one delicious sip!
Well, that's past - such tal kis idle -
Shabby frocks away are thrown,
You are coming from your bridal,
And in such a satin gown!
That long line of veil and train,
Seems as if it never ended;
Shall I ever see again
Anything one-half so splendid?
All that never was to be,
Passes like a fading vision,
Spare but one kind thought for me,
From the height of your ambition;
Proud of your new lord and master,
Proud of your resplendent dress,
May it be that no disaster
Ever mar your happiness!
Still I cannot but remember
One breath of the fragrant breeze;
On that mild night of December,
Underneath the coffee trees,
When I thought you loved me well;
Don't turn pale - you need not fear me;
I'm not one to kiss and tell,
And I wish you joy sincerely.
Why should any one confess,
When there was so little in it?
One brief touch of tenderness,
Meeting - parting - in a minute!
But I quite grasp the position,
For, now I've no chance of you;
With your ladyship's permission,
I may think of marrying, too!
ANEXO 3 - CANTIGA - FOLCLORE CIGANO, MELLO MORAES FILHO (ED.), E SUA TRADUÇÂO EM LÍNGUA INGLESA
Tu eras a minha vida,
De tua vida eu vivia;
Eras a alma, eu o corpo,
A ti a vida eu daria!
Eras a voz, eu o eco,
Só contigo eu existia.
Como a flor que pouco dura
Tu também pouco duraste,
E no mar da eternidade
Como a estrela te ocultaste.
Como o sol também fugiste,
Como um anjo ao céu voaste!
Pobre flor dos meus amores,
Entre goivos te perdeste,
Na solidäo do sepulcro
Para sempre emudeceste;
Pobre flor dos meus amores
Que täo cedo emurcheceste!
E dos meus sonhos dourados
De minha passada glória,
De meus dias de ventura,
De bonança transitória,
De meu passado ditoso
Só me ficou a memória!
E tudo fugiu contigo,
Contigo tudo perdi;
Cerrei os olhos ao mundo,
Porque o mundo eu via em ti;
Estando em ti minha vida,
Contigo também morri.
All my living thou wast giving:
My whole being came through thee.
Thine the spirit; my sole merit
Was the soul thou gavest me.
Like an echo that rejoices
Only to repeat real voices.
As the flower of an hour
Gives a moment of delight;
Like star falling, past recalling,
Into everlasting night;
So a fleeting glance was given,
As an angel sped to heaven.
Bud of summer, early comer,
Fairest one where all were fair;
Fading blossom on death's bosom,
Pale and still forever there!
I can call - thou dost not hear me;
Thy sweet voice will never cheer me.
Magic numbers in my slumbers
Still repeat each vanished note,
In my dreaming, thou art seeming
Still before my eyes to float.
With one throb of maddening pleasure,
I can clasp my heart's lost treasure.
That departed, broken hearted,
Sadly I lament again,
Joy is banished, light has vanished,
Every breath I draw is pain.
But I will not stay behind thee;
In the land of death I'll find thee.
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© 2019. This work is published under https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ (the “License”). Notwithstanding the ProQuest Terms and Conditions, you may use this content in accordance with the terms of the License.
Abstract
As relexões e os argumentos deste artigo foram desenvolvidos a partir da notícia veiculada no jornal Diário de Notícias, de Salvador-BA, mencionando o fato de que Agnes Blake Poor foi a primeira tradutora estadunidense da literatura brasileira para o inglês. Poor editou a antologia Pan-American Poems (1918), que reuniu poemas latino-americanos traduzidos para o inglês. O Brasil é representado por Gonçalves Dias, Bruno Seabra, o português Francisco Manuel de Nascimento e uma canção folclórica cigana. Seguindo a orientação teórica-metodológica dos Estudos Descritivos da Tradução, o objetivo deste artigo é analisar a dimensão política e literária em que a antologia foi publicada nos Estados Unidos e cotejar os poemas de partida e os de chegada para observar as normas tradutórias. Os resultados demonstram que o projeto tradutório governamental foi idealizado para incentivar o pan-americanismo e unir as Américas em tempos bélicos, o que parece ter sido o fator determinante para a escolha dos poemas e das normas tradutórias.





