Resumo: Discorre-se, neste artigo, acerca de questÐes relacionadas aos criterios para escolha de repertório, no ámbito coral adulto e no contexto do coro juvenil. A partir de diferentes autores levantamos os parámetros para seleçao de repertório no coral adulto, seguido de um cotejamento entre os criterios sugeridos por cada autor. Em seguida, abordamos os criterios de seleçao de repertório coral, com base em pesquisas voltadas para o contexto do coro juvenil seguido de um comparativo dos parámetros sugeridos pelos autores. Identificamos pontos comuns na seleçao de repertório coral adulto e juvenil, mas tambem, constatamos alguns pontos que sao específicos ao coral juvenil.
Palavras-chave: coral, coro adulto, coro juvenil, repertório coral, voz cantada.
Abstract: The discussion in this article revolves around the selection criteria for choral repertoire, specifically in groups formed by adults and young singers. Upon searching different authors, we found different selection parameters for adult choral repertoire, then we proceeded to compare the criteria suggested by each author. In the next step, we analyzed the selection criteria for choral repertoire based on researches involving youth choirs, followed by a comparison between suggested parameters by those researches. In conclusion, there are common practices involving repertoire selection between youth and adult choirs, but, we also discovered selection practices that are specific to youth choirs.
Keywords: choral, adult choir, youth choir, choral repertoire, singing voice.
Este artigo é fruto de duas pesquisas realizadas pelo GEPPEVOZIA (Grupo de Estudo, Prática e Pesquisa em Voz do Instituto de Artes da Unesp) que tangenciaram a atividade coral com adolescentes. A primeira, realizada no período de 2015 a 2017, intitulada: Canto coral para adolescentes na escola pública da cidade de Sao Paulo consistiu na aplica&ecedil;ao de oficinas corais, no ensino médio, na escola Miss Browne em Sao Paulo. Por meio das oficinas buscou-se compreender como desenvolver e ampliar a expressao musical e vocal do adolescente, de modo a contribuir para o seu crescimento humano e artístico-cultural (MIGUEL et. Al., 2017, p. 1).
A segunda pesquisa denominada Voz juvenil no contexto coral: catálogo de obras em língua portuguesa, surgiu de questóes provenientes do estudo mencionado anteriormente, em que questionamos acerca do repertório normalmente considerado adequado para coros de adolescentes. O objetivo desse segundo estudo é elaborar um catálogo com composi&ecedil;óes e arranjos em língua portuguesa para vozes juvenis, que ficarao disponíveis numa base de dados gratuita online, como sugestao de repertório para regentes, educadores musicais e demais interessados na temática. Tal pesquisa se faz necessária, pois temos observado, em coros de adolescentes, o uso de muitas composi&ecedil;óes ou arranjos impróprios, do ponto de vista da extensao e tessitura vocais; inadequa&ecedil;óes na concep&ecedil;ao da sonoridade vocal adolescente, ao empregar uma característica sonora de voz adulta no trabalho com vozes juvenis; há problemas, ainda, na qualidade do texto que, por vezes, é poeticamente pobre e nao atende a faixa etária, entre outros elementos. Compreendemos que a escolha de repertório apropriado nao é uma tarefa fácil para qualquer que seja a faixa etária, no entanto, discutiremos acerca da possibilidade de se estabelecer critérios mínimos que possam ser facilitadores na sele&ecedil;ao das pe&ecedil;as para um determinado grupo.
Uma parte do segundo estudo consistiu no oferecimento de um curso gratuito, Ferramentas de escrita para coro juvenil, ministrado, no Instituto de Artes da Unesp, em Sao Paulo, por diferentes professores1, nos dias 03, 10, 17, 24 e 31 de maio de 2019, com dura&ecedil;ao de 04 horas por dia, com carga horaria total de 20 horas. O objetivo do curso foi instrumentalizar os participantes2 com conhecimentos musicais e vocais que lhes permitissem compor ou arranjar para vozes juvenis no contexto coral, bem como, estimulá-los a submeterem sua composiçao ou arranjo para o catálogo antes mencionado.
Uma outra parte da pesquisa, Voz juvenil no contexto coral: catálogo de obras em língua portuguesa, foi o levantamento de estudos que abordassem questóes relacionadas aos criterios de seleçao de repertório. A ideia foi identificar nos textos, produzidos por diferentes autores, parámetros para escolha de repertório coral adulto e juvenil, que podem apresentar pontos comuns, mas também podem exibir especificidades próprias a um e outro no que tange a escolha das obras. A seguir sintetizaremos os pontos principais encontrados nas pesquisas levantadas.
1.Síntese da revisáo bibliográfica acerca do tema
Levantamos textos produzidos por diversos autores (GABRIEL, FIGUEIREDO, ZIELINSKI, SILVA, BRINSON e DEMOREST, EMMONS e CHASE) que trazem concep&ecedil;óes a respeito do repertório e criterios para sua escolha. Os quatro primeiros autores (GABRIEL, FIGUEIREDO, ZIELINSKI, SILVA) estao ligados ao contexto de coro adulto e os quatro últimos (BRINSON e DEMOREST, EMMONS e CHASE) ao âmbito do coro juvenil. Destacamos que todos os autores estudados, desenvolvem ou desenvolveram trabalho na área de canto coral o que torna suas considera&ecedil;óes acerca do tema ainda mais relevantes.
Buscamos, ainda, disserta&ecedil;óes e teses, no portal da CAPES (Coordenaçao de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nivel Superior) no período de 2015 a 2019, que tratam do tema, bem como nas revistas3: OPUS, PER MUSI, MÚSICA HODIE, OUVIROUVER, MÚSICA EM PERSPECTIVA; anais da ABEM (Associaçao Brasileira de Educaçao Musical) e ANPPOM (Associaçao Nacional de Pesquisa e Pós-gradua&ecedil;ao em Música), no mesmo periodo anteriormente mencionado. As palavras-chave para busca foram: coral, coro, canto coral, repertório coral, coral juvenil, coro juvenil, técnica vocal, preparaçao vocal.
Nas revistas OPUS, OUVIROUVER e MÚSICA EM PERSPECTIVA nao foram encontrados trabalhos relacionados ao tema.
Na revista PERMUSI, foi encontrada uma resenha publicada em 2015, por Débora Andrade, acerca do livro Ampliando o repertório do coro infanto-juvenil: um estudo de repertório inserido em uma nova estética da autora Leila Vertamatti. Andrade aponta que no livro há o questionamento acerca da possibilidade de se trabalhar, no contexto coral, com obras de diferentes estéticas e que nao estejam presas aos principios de uma organizaçao tonal. Â época da pesquisa, Leila Vertamatti, por meio de entrevistas com vários regentes de coros infantojuvenis, verificou que o repertório realizado nesses coros era basicamente de cançöes étnicas, música popular brasileira e estrangeira (ANDRADE, 2015, p.345-346).
Na revista MÚSICA HODIE, foram encontrados trés trabalhos, sendo um publicado em 2015 e dois em 2016. Somente um, de 2016, tem ligaçao direta com a questao do repertório. No artigo, Escolhendo o repertório coral: uma tarefa de regentes?, Matheus Cruz Paes de Almeida discute acerca da formaçao do regente coral nos aspectos da técnica vocal, técnica de regéncia, técnica de ensaio ou gestao de ensaio, elaboraçao ou adaptaçao de arranjos e o papel do regente na escolha do repertório coral. Por meio de estudo de caso com o coral Nossa Voz de Flórida, no Paraná, o autor discorre que o envolvimento dos integrantes do grupo, na escolha do repertório, foi um processo que trouxe motivaçao e identidade ao coro (ALMEIDA, 2016, p.25). No tópico 2, deste texto, serao feitas mais consideraçöes acerca desse artigo.
Nos anais da ANPPOM, encontramos sete trabalhos, distribuidos da seguinte maneira: 2015 (1), 2016 (1), 2017 (4) e 2018 (1). O texto de 2015, escrito por Fernando Magre e Maria Pires Cabrera Berg, teve como objetivo trazer uma discussao acerca da performance de repertório contemporáneo no coro juvenil. Em 2017, dentre os quatro estudos levantados, somente um tem estreita relaçao com a questao do repertório. Produzido por Carolina Andrade Oliveira e Susana Cecilia Igayra-Sousa, o texto traz uma abordagem do conceito de arranjo coral no repertório brasileiro, a partir da discussao da relaçao arranjo e composiçao original e como essas concepçöes se modificam no contexto popular e erudito. O trabalho de 2018, de Ediel Rocha de Sousa, tratou de fatores influenciadores para aceitaçao ou rejeiçao de arranjos corais de música paraense pelos participantes do coro universitario da UFPA (Universidade Federal do Pará). Nos demais trabalhos, nao encontramos relaçao direta com a temática repertório, sobretudo ao que se refere a concepçöes e criterios a respeito do tema.
Nos anais da ABEM, foram encontrados dois trabalhos publicados em 2015. Num deles, escrito por Luiz Eduardo Silva e Sergio Luiz Ferreira de Figueiredo, encontramos uma análise das produçöes referentes a prática coral nos anais de encontros e congressos da ABEM e da ANPPOM disponíveis online no período de 2003-2013. No que se refere ao repertório coral, os autores mencionam que, os trabalhos levantados, "abordam composiçöes para coro, arranjos corais, arranjadores, compositores de músicas para coro e relatos de experiencias que descrevem e discutem açöes realizadas a partir do repertório coral", (SILVA e FIGUEIREDO, 2015, p. 9).
No artigo, produzido por Rogéria Tatiane Franchini, a autora apresentou um levantamento das produçöes científicas brasileiras sobre canto coral com adolescentes no período de 1998 a abril de 2014. No que concerne a questao do repertório, a autora aponta que Leila Vertamatti em sua dissertaçao de mestrado, Ampliando o repertório do coro infanto-juvenil: um estudo de repertório envolvido numa nova estética, afirma que a prática da música contemporánea no repertório de coro infantojuvenil é pouco difundida, ficando limitada a cançöes étnicas e música popular brasileira (FRANCHINI, 2015, p. 6). Tal aspecto, também, foi destacado na resenha do livro de título homónimo, escrita por Débora Andrade e publicada na revista PERMUSI, mencionada anteriormente.
Consideramos importante mencionar tais artigos para que o leitor saiba que há dois trabalhos que trazem um estado da arte4 referente a pratica coral e coral com adolescentes, com dados levantados dos Anais da ABEM e ANPPOM, anteriores a 2015.
No banco de dissertaçöes e teses da CAPES, encontramos uma dissertaçao de mestrado, de 2015; duas teses, uma de 2015 e outra de 2017, abordadas, mais adiante, neste texto, no tópico 3.
2.Questoes relacionadas ao repertório no contexto do coral adulto: apresentaçâo dos critérios indicados por diferentes autores
A escolha de repertório nao é tarefa fácil para qualquer músico, seja cantor, instrumentista ou regente coral. Há muitas variáveis, musicais e extramusicais, de modo que consideramos necessário levantar e discutir esses pontos para que se tenha maior clareza na escolha das peças para as diferentes formaçöes, sobretudo vocais.
Primeiramente, identificamos a necessidade de aprofundar o estudo acerca de questoes relacionadas ao repertório, partindo do contexto coral adulto para posteriormente discutir o assunto no ámbito juvenil.
O repertório pode ser compreendido como uma reuniao de obras selecionadas e estudadas para serem apresentadas em diferentes situaçoes e contextos e a diferentes públicos. Portanto, para selecionar obras para um coro é necessário estabelecer critérios. Sem eles, corre-se o risco de escolher obras que nao tem a ver com o perfil do grupo e realizar peças que nao contribuam para o desenvolvimento artístico-pedagógico dos participantes do coro.
O regente Vitor Gabriel, em seu texto, intitulado Repertório, traz a partir de sua visao e a de outros regentes uma série de itens para seleçao de obras para um coro adulto. Ele orienta para que sejam escolhidas peças adequadas as capacidades técnico-estéticas dos cantores; sugere fazer um repertório menos ousado, mas criativo e que seja interpretado de maneira musical; propoe considerar as características de cada grupo; indica, ainda, diversificar o repertório: variar o genero, estilo, forma e período histórico e organizar o repertório selecionado para os ensaios e apresentaçoes (GABRIEL, 2018, p. 4-5).
De acordo com Gabriel, o regente Robert L. Garretson parametriza a escolha do repertório levando em conta: o texto; a qualidade artística da música e sua relaçao com o texto; se o repertório selecionado atende as necessidades e interesses do grupo para o qual as peças foram escolhidas; questoes relacionadas as limitaçoes físicas dos cantores; as tessituras de cada naipe; como os extremos da tessitura sao alcançados em cada naipe; a conduçao das partes vocais; qualidade do arranjo (mantém a autenticidade do estilo musical da peça de origem); se a música selecionada justifica o tempo de ensaio para prepará-la; variedade de tipos e estilos musicais (GABRIEL, 2018, p. 10-11).
O regente Carlos Alberto Figueiredo, em seu texto intitulado: Reflexoes sobre aspectos da prática coral traz os seguintes criterios para escolha de repertório: o prazer estético que a música desperta no regente ou no coro; a qualidade do texto literario; a obra como fator de crescimento para o regente e o coro; as necessidades na elaboraçao de um programa; a obra como veículo de prestigio para o regente ou o coro e o seu impacto no meio musical; escolher obras que estejam dentro da capacidade do coro e do regente; saber contornar situaçöes em que o repertório é escolhido por outros (escola, empresa...) (FIGUEIREDO, 2010, p. 25-26).
O regente norte-americano, Richard Zielinski, propôe os seguintes criterios para escolha de repertório: duraçao da peça; alcance vocal e tessitura de cada voz; dificuldade de linguagem; complexidades rítmicas, instrumentaçao, a capela versus com acompanhamento; dificuldades do acompanhamento de piano e divises presentes na parte vocal (ZIELINSKI, 2005, p.45, traduçao nossa). Sugere, ainda, fazer algumas perguntas para selecionar o repertório: as obras selecionadas ajudarao o meu coro a desenvolver uma melhor produçao vocal? Que música moderna/contemporânea, de compositor que esteja vivo, estou programando? Eu tenho as vozes necessarias para executar as obras selecionadas? Estou selecionando essas obras corais somente porque gosto delas? Eu tenho o tempo de ensaio para preparar essa música? O meu pianista acompanhador consegue tocar essa música? Existe variedade de estilo suficiente, e essas seleçöes se encaixam em todo ano letivo? A música é apropriada para ocasiao na qual ela será executada? As obras selecionadas tem uma mensagem positiva e apropriada? (ZIELINSKI, 2005, p. 46).
A partir da dissertaçao de Luiz Eduardo Silva, intitulada: O ensino e a aprendizagem da técnica vocal em corais amadores a partir da concepçao de regentes e cantores, na qual ele entrevistou quatro regentes corais de Florianópolis, é possível identificar como eles concebem o repertório para os coros que estao sob sua direçao. O regente 1 seleciona o repertório de acordo com as necessidades litúrgicas da igreja católica a qual o coro está vinculado (SILVA, 2017, p. 70); o regente 2 seleciona arranjos que valorizam a forma coral a partir do seu próprio gosto musical e considera que no repertório do coro deve haver músicas de diferentes épocas e estilos, tais como peças a capela, música renascentista e música popular brasileira, músicas a uma, duas e quatro vozes (SILVA, 2017, p. 78); o regente 3, utiliza arranjos de música popular brasileira e, também, produz arranjos seus para o coro (SILVA, 2017, p. 89); o regente 4, seleciona as peças de acordo com as apresentaçöes assumidas, divididas entre as festividades nas igrejas e capelas do municipio e os eventos cívicos da prefeitura. Grande parte do repertório é voltada para música religiosa e litúrgica. Este regente também procura repertório que proporcione desenvolvimento vocal para os cantores (SILVA, 2017, p. 98).
No artigo, da revista MÚSICA HODIE, escrito por Matheus Cruz Paes de Almeida denominado: Escolhendo repertório coral: uma tarefa de regentes? temos um estudo de caso que trata da participaçao dos coristas na escolha do repertório feita mediante a aplicaçao de um questionário por meio do qual buscou-se saber que repertório os participantes gostariam que fosse executado no coro. Segundo o autor, depois de analisados os questionários, algumas peças foram incluidas para serem cantadas no grupo (ALMEIDA, 2016, p. 32). De acordo com Almeida, essa açao que colocou os integrantes do coro como participantes no processo de escolha do repertório, os motivou a nao faltar no ensaio, a chegar no horário, e os fez, também, querer cantar cada vez mais as peças que faziam parte de suas vivencias.
Em suma, nao há um modelo exato para escolha de repertório. Contudo, a partir do que foi esboçado anteriormente, é possível criar algumas aproximaçöes e perceber critérios comuns propostos pelos autores enunciados.
Em seguida apresentaremos nossa visao acerca do assunto, a partir de uma análise dos critérios para escolha do repertório definidos pelos autores antes mencionados.
2.1. Cotejamento dos critérios para seleçâo de repertório, no ámbito do coro adulto, apresentados por diferentes autores
A partir de um cotejamento entre os critérios para seleçao de repertório coral, enunciados anteriormente pelos autores citados, podemos pensar nos seguintes parámetros para escolha de repertório coral no contexto de vozes adultas:
* Nivel de percepçao auditiva e de leitura musical (quando for o caso). As obras corais possuem diferentes graus de dificuldade, de modo que elas exigem níveis diferenciados de percepçao auditiva e leitura musical. A complexidade da linguagem empregada pelo compositor na peça coral pode facilitar ou dificultar a percepçao auditiva e leitura dos cantores. Um grupo que está acostumado a cantar peças tonais, provavelmente, sentirá maior dificuldade para cantar obras que estejam inseridas em outros sistemas musicais, tais como, o atonal, bitonal, entre outros.
* Afinaçao. Algumas peças serao mais fáceis ou difíceis de afinar, dependendo da textura; se for a capela ou com acompanhamento. A afinaçao vocal pode ser influenciada, ainda, pela maneira como cada linha é construida e como se relaciona com as demais. A complexidade da linguagem pode, ainda, influenciar no controle e precisao da afinaçao.
* Conhecimento histórico-estilístico. As obras corais estao inseridas em diferentes períodos da história da música, com consequentes desdobramentos estilísticos, que exigem do regente e dos cantores, um domínio do vocabulário musical estabelecido em cada época, para que a obra seja concebida dentro das características musicais, estruturadas pelo compositor em sua escritura musical. Deve-se levar em conta, o genero, a forma, a textura, o contraponto, a harmonia, a melodia, o ritmo, o texto, o ethos que configura o modo de expressao e apresentaçao de tais obras. Por exemplo, se o regente e coro nao possuírem noçöes básicas do que é uma Frotolla5, ao realizar com o seu coro a peça El Grilo de Josquin Des Prez, a farao, provavelmente, fora de estilo.
* Musicalidade. Algumas obras corais podem ser fáceis do ponto de vista da percepçao auditiva, da leitura, mas nao sao, na musicalidade, na expressividade necessária para o controle da dinámica, do fraseado, das mudanças agógicas, entre outros parámetros. Por exemplo, a observaçao da indicaçao de sotto voce, no início da peça Ave Verum de Mozart, é essencial para uma boa expressao vocal e musical. No entanto, a maioria dos coros, sobretudo, amadores, nao seguem essa indicaçao. O efeito de sotto voce, exige do cantor controle da respiraçao e da ressonância para que ele seja produzido adequadamente.
* Nivel técnico-vocal. Refere-se a aspectos tais como: emissao vocal, registro vocal, capacidade respiratória, dicçao, propriocepçao, tessitura de cada voz. Ao escolher o repertório, o regente precisa levar em conta a qualidade da emissao dos seus cantores, para saber se serao atendidas as necessidades sonoras da obra selecionada. Um grupo cuja emissao vocal é centrada numa ressonância laríngea, como uma sonoridade "aberta e rasgada", terá que buscar outra qualidade vocal para cantar um repertório que necessite de uma emissao vocal, por exemplo, com ressonância vocal alta6 e vice-versa. Deve-se considerar em cada peça, qual o nivel necessário para a percepçao do controle dos diferentes registros vocais, que envolvem a qualidade sonora da voz na regiao grave, média e aguda, bem como, de que modo é feita a transiçao entre essas regiôes. É necessário, também, identificar como está o controle da respiraçao dos cantores, para que eles possam fazer as frases musicais, exigidas no repertório, com tranquilidade na administraçao do fluxo de ar. O repertório precisa estar conectado ao trabalho de técnica vocal e preparaçao vocais, pois o aprimoramento vocal do grupo terá resultados na qualidade musical e artística das peças selecionadas.
* Aspectos melódicos, harmónicos e contrapontísticos que podem facilitar ou dificultar a execuçao da peça. As diferentes texturas musicais no repertório coral podem oferecer facilidades ou dificuldades de execuçao, dependendo do que o coro está acostumado a cantar. Há coros que nao estao habituados a cantar peças com textura contrapontística, de modo que o regente precisa saber como irá trabalhar para que os cantores possam se sentir mais confortáveis e confiantes na execuçao de repertório com essa textura.
* Considerar a quantidade de coristas por naipe. De acordo com a sonoridade de cada obra, é necessário ter um coro equilibrado, com uma quantidade de cantores por naipe que nao prejudique a sonoridade da peça escolhida. Por exemplo, um coro com um número maior de homens e uma quantidade menor de vozes femininas poderá ter dificuldades para realizar, de modo equilibrado, peças coráis no padrao SATB uma vez em que determinadas regiôes as vozes masculinas podem produzir maior volume em comparaçao as vozes das mulheres, de modo a comprometer o equilibrio sonoro entre os naipes. Em muitos cursos de música7, nas universidades, encontramos dificuldade na realizaçao, de modo equilibrado, repertório SATB, pois o número de vozes masculinas é muito maior em comparaçao ao número de vozes femininas. Nos coros fora da universidade, o desequilibrio numérico8 ocorre de outra maneira pois, geralmente, a quantidade de vozes femininas é maior do que o número de vozes masculinas.
* Sonoridade vocal, exigidas pelo repertório. A sonoridade das obras corais varia de acordo com o periodo histórico e estilo. Portanto, o regente deve considerar se os cantores do coro sob sua orientaçao, estao preparados musical e vocalmente, ou poderao ser conduzidos a diferenciar e cantar peças que exigem variadas sonoridades. Por exemplo, um arranjo de música popular brasileira para coro, nao deve ser cantado com a mesma sonoridade vocal de uma peça do periodo romántico e vice-versa.
* Selecionar o repertório com vistas ao desenvolvimento técnico-musical do grupo a curto, médio e longo prazo. O regente deve se perguntar ao selecionar repertório para o seu coro: quais beneficios vocais e musicais os cantores terao ao estudar o repertório proposto? Qual a herança vocal e musical que será deixada ao coro? Em 2014, quando realizamos, com o Coro de Cámara9 do Instituto de Artes da Unesp, a Missa Lord Nelson de Haydn, percebemos o ganho vocal dos cantores e cantoras, durante os ensaios. Eles ganharam na ampliaçao da tessitura e, também, na melhora da mistura vocal entre os integrantes do naipe e entre os demais naipes. Os beneficios vocais ficaram evidentes, ainda, em outras peças trabalhadas naquele ano.
* Duraçao e frequencia dos ensaios. O regente deve levar em conta quantos ensaios serao necessários para preparar a peça escolhida, observando se a duraçao do ensaio é cabível para o grau de dificuldade das peças selecionadas, bem como se a frequencia semanal dos ensaios é suficiente para se trabalhar tais obras.
* Variar genero, forma, estilo ou período histórico na escolha do repertório para o coro. Nao é interessante para a formaçao dos cantores do coro, bem como para o seu desenvolvimento vocal, cantar repertório sem variar, em geral, o genero. No Brasil, percebemos, por muitas vezes, que os coros amadores tem uma tendencia a focalizar o seu repertório em arranjo de música popular brasileira, deixando de lado obras de outros generos e estilos que poderiam agregar benefícios vocais e musicais aos participantes do grupo e, também, novas possibilidades de escuta e fruiçao musical ao público.
* Qualidade musical e do texto literario. Isto está relacionado a qualidade técnica e estética da peça, a relaçao texto/música, conduçao vocal, elementos estruturais e forma.
* Características do coro e seus objetivos. Por exemplo, um coro formado para atender as necessidades litúrgicas em uma igreja protestante difícilmente terá em seu repertório arranjo de música popular brasileira10. Contudo, poderá ter em seu repertório arranjos de música com textos bíblicos, com características estilísticas dos arranjos de música popular brasileira, no que se refere por exemplo, a sonoridade vocal, a textura, a estrutura rítmica, a conduçao harmónica e ao acompanhamento instrumental.
* Locais de apresentaçao do coro e o público que ouvirá o repertório. Por exemplo, dependendo da natureza do evento, nao é adequado que o coro cante música profana ou música sacra.
3.Questoes relacionadas ao repertório no contexto do coral juvenil: 11 apresentaçâo dos critérios indicados por diferentes autores
Nesta parte abordaremos como sao tratados, a partir de alguns autores, os critérios relacionados ao repertório no contexto do coro juvenil, buscando ao final sintetizar os pontos para escolha de repertório nessa configuraçao coral.
Iniciamos este trecho, pensando acerca de uma possível configuraçao coral juvenil. Nos anais do SIMPOM (Simpósio Brasileiro de Pós-graduandos em Música) de 2018, encontramos um trabalho, da Patrícia Costa, intitulado As características de um coro juvenil, no qual nos deparamos com a conceituaçao de coro juvenil a partir de quatro enfoques facilitadores: faixa etária, escolaridade, tessitura vocal e configuraçao coral. Faixa etária: 14 a 18 anos; escolaridade no Brasil: 15. , 25. e 3°. anos do ensino médio; tessituras: soprano (Mi3-Fá4)12, Alto (Lá2-Dó4), Tenor (Ré2-Mi3), Baixo (Si1-Dó3); configuraçao coral: vozes mistas (S-A-T-B) (COSTA, 2018, p. 781-785). Essa conceituaçao, embora nao seja única, poderá auxiliar o leitor a visualizar, sobretudo no contexto brasileiro, para que tipo de coro juvenil as questoes de seleçao de repertório serao discutidas.
Patrícia Costa, em sua tese de doutorado, enfatiza que o repertório tem funçao aglutinadora e regularizadora, segundo ela é um elemento para atrair e reter cantores juvenis (COSTA, 2017, p. 51). Traz, ainda, critérios técnicos para escolha de repertório: número de cantores; características da formaçao dos naipes; o nível de desenvolvimento vocal/musical dos participantes; qualidade vocal do grupo, capacidade de realizaçao de determinados graus de dificuldade; perfil social do coro e seus componentes; metas e objetivos do coro; conhecimento do regente sobre obras corais (COSTA, 2017, p. 58). Destaca, também, algumas especificidades para seleçao de repertório para coro juvenil, a saber: singularidades da faixa etária; tessitura das vozes juvenis; a necessidade de fazer uma anamnese do grupo; observar as necessidades dos adolescentes no período de muda vocal; adequaçao de repertório ao grupo; texto/tema das composiçoes; diversidade do repertório (COSTA, 2017, p. 60-63). Escreve ainda, acerca do objetivo do repertório: pedagógico ou performático.
Tanto Patrícia Costa (2017, p. 63-67) quanto Ana Lúcia Gaborim (2015, p. 137) mencionam em suas respectivas teses de doutorado, que é possível realizar repertório erudito e contemporâneo com coro juvenil. Costa, sugere, inclusive, o uso de arranjos de música popular brasileira, sobretudo a partir de músicas previamente conhecidas pelos participantes do grupo (2017, p. 68-70). Ana Lúcia Gaborim, destaca a necessidade do regente selecionar um repertório que atenda as especificidades do grupo, motive os participantes e esteja comprometido com o seu desenvolvimento crítico, estético, vocal e artístico13 (2015, p. 133).
Juliana Damaris de Santana Paziani, em sua dissertaçao de mestrado, destaca a importância de se utilizar obras escritas originalmente para a formaçao - infantojuvenil, para que se possa evitar o uso inadequado de arranjos e adaptaçöes de cançöes da tradiçao oral, MPB, cançöes étnicas (2015, p.142). Enfatiza, ainda, a necessidade de pesquisa de repertório específico para essa formaçao, além de reiterar que o regente pode criar/compor peças para o grupo que está sob sua direçao14 (2015, p.143). Assim, reiteramos com este critério, que é necessário pesquisar repertório específico para a formaçao de coro juvenil, abrangendo peças, por exemplo, a uma, duas e trés vozes no padrao SAB em diferentes texturas. O formato SAB tem sido o mais indicado para vozes juvenis, uma vez que coloca os meninos num único naipe, utilizando uma tessitura confortável, em geral, Ré2-Ré3, ao invés de usar o padrao SATB, que pode extrapolar a tessitura possível para os meninos na adolescéncia, sobretudo aqueles que estao na fase da muda vocal.
Emmons e Chase em seu livro intitulado, Prescriptions for choral excelence: Tone, text, dynamic leadership, apresentam as seguintes consideraçöes para escolha de repertório para vozes juvenis: parámetros musicais nao sao os únicos critérios para escolha de repertório para vozes mais jovens; a saúde vocal deve fazer parte da tomada de decisao do regente coral; conhecimento do status vocal de todos os cantores; consideraçao de quais peças irao construir e nao prejudicar vozes jovens; escolhas de músicas que se adaptem as vozes, em vez de fazer as vozes se encaixarem nas músicas; avaliaçao de quao agudo é requerido cantar; pesquisa da tessitura ideal de canto da faixa etária dos cantores; consideraçöes acerca da tessitura, extensao, níveis de dinámica e duraçao do tempo que esses parámetros estarao em uso, ao tentar atender o desejo dos cantores e seus pais de realizar repertório do teatro musical e música pop (2006, p.167, traduçao nossa).
Brinson e Demorest, em seu livro, Choral Music: methods and materials, trazem as seguintes consideraçöes acerca do repertório: os estudantes devem aprender sobre música por meio do repertório escolhido pelo regente (2014, p.93, traduçao nossa); sugere balancear o grau de dificuldade técnica das peças - uma ou duas peças difíceis tecnicamente, e uma ou duas peças fáceis tecnicamente - para que, ao serem escolhidas somente peças tecnicamente difíceis, nao se use todo o tempo do ensaio somente para resolver aspectos básicos das obras (altura e ritmo), deixando pouco tempo para tratar de aspectos musicais avançados da arte coral (2014, p.94).
Os autores consideram importante escolher um repertório variado, incluindo músicas de vários períodos da História da Música, tanto repertório "canónico" quanto peças corais contemporáneas, jazz, música de outras culturas, arranjos de músicas "folclóricas", spiritual, Broadway, pop e música gospel.
Enfatizam que é importante cantar repertório em outros idiomas, porque possibilita o contato com outras línguas que nao a materna e, ainda, tem-se a oportunidade de desenvolver a dicçao. Contudo, alertam que, cantar em outras línguas requererá aproximadamente 20% a mais, de tempo, no ensaio para dominar a peça (BRINSON, DEMOREST, 2014, p. 95). Tratam, também, da escolha de modo balanceado, de peças a capela e obras com acompanhamento de instrumentos além do piano.
Discorrem, também, que o regente precisa mostrar entusiasmo com o repertório coral escolhido, para entusiasmar os participantes com as peças escolhidas. Os autores sugerem, ainda, que o regente amplie o seu gosto musical para que possa incluir, no repertório coral, peças com variedade de estilo, de diferentes culturas, épocas, idiomas e compositores (BRINSON, DEMOREST, 2014, p.96).
De acordo com os autores, uma grande técnica para motivar e engajar os alunos no aprendizado musical é envolve-los no processo de seleçao musical. Apontam que uma forma de fazer isso é escolher várias seleçöes de músicas de qualidade adequadas para o coral. Depois de cantar cada peça ou ouvir gravaçöes, os alunos poderao votar em qual das peças gostariam de aprender e executar. Segundo os autores, desta maneira, os alunos entenderlo que tém parte na escolha da música. Consideram, também, uma oportunidade para que eles aprendam acerca da avaliaçao da música e da performance musical, principalmente se o regente conversar com eles acerca das várias seleçöes e dos motivos por que preferem uma peça a outra. Brinson e Demorest, propôem que se abra o acesso, aos alunos, a biblioteca coral para que sejam envolvidos ainda mais ativamente na seleçao de repertório. Acreditam que é uma ótima maneira de começar a fazer com que os alunos pensem no repertório apropriado para pequenos grupos que eles possam criar por conta própria (2014, p.96-97).
Há diversos outros critérios que Brinson e Demorest colocam como parámetros para seleçao de repertório, a saber: extensao e tessitura de cada parte, com diversas consideraçöes de como sao cantadas as vogais nas notas que ocorrem no extremo agudo ou grave da voz em cada naipe; a duraçao e dinámica das notas extremas, entre outros aspectos. Discorrem, ainda, da qualidade literária do texto; da necessidade de balancear repertório sacro e secular; o cuidado com o acompanhamento nos ensaios e concertos; cuidado com a escolha de arranjos e transcriçöes; selecionar músicas para o repertório coral de várias culturas; observar o tamanho do coro para a escolha do repertório; verificar a maturidade vocal do coro; considerar a textura das peças como critério de escolha. Por exemplo, consideram que o uníssono é uma excelente ferramenta para construir o tom coral e a mistura vocal, bem como é uma oportunidade para explorar a expressividade no canto. No entanto, alertam que cantar uníssono em oitavas pode ser quase impossível para coros com meninos cujas vozes estejam mudando. Sugerem que, se a extensao da melodia for muito ampla, escolher um trecho numa regiao mais limitada para a prática do uníssono. Brinson e Demorest consideram que, na música polifónica simples, a natureza melódica das linhas vocais imitativas pode ser mais fácil de ser entendida por cantores jovens e inexperientes, mais do que harmonias de bloco, muitas vezes nao melódicas encontradas na música homofónica. Os autores observam, ainda, que ao escolher repertório para o coro é necessário considerar o público potencial (2014:97-105)
3.1. Cotejamento dos critérios para seleçâo de repertório, no contexto do coro juvenil, apresentados por diferentes autores
Ao fazermos um cotejamento entre os parámetros para escolha de repertório para coro juvenil, a partir dos autores antes mencionados, podemos notar uma convergencia na seguinte direçao (MIGUEL, UTSUNOMIYA, 2015, p. 5-6):
* O repertório precisa envolver emocionalmente os integrantes do coro juvenil e ser entusiasmante para o regente: educaçao e envolvimento! (Quais sao os objetivos ao escolher o repertório? Aumentar a bagagem cultural e educacional? Abordar algum tema específico? É preciso "incluir peças que apresentam algum desafio para a criança15, que sejam interessantes e que contribuam para sua formaçao cultural" (SCHIMITI, 2003, p. 4). Reiteramos que a afirmaçao de Figueiredo, pode ser aplicada ao ámbito do coro juvenil,
Cantar em coro deveria ser sempre uma experiencia de desenvolvimento e crescimento, individual e coletivo: o desenvolvimento da musicalidade e da capacidade de se expressar através de sua voz; a possibilidade de vir a executar obras que tocam tanto no cognitivo quanto no coraçao, ensejando o crescimento intelectual e afetivo do cantor e de outros agentes envolvidos; o desenvolvimento da sociabilidade e da capacidade de exercer uma atividade em conjunto, onde existem os momentos certos para se projetar e se recolher, para dar e receber. (FIGUEIREDO, 2003, p. 4)
* É necessário desafiar o coral a sair da zona de conforto, tomando cuidado para nao frustrar os participantes. Embora esse cuidado, também, seja necessário no coral adulto, consideramos que no contexto do coro juvenil a questao é mais delicada, pois jovens cantores que se frustram com a prática do canto coral, poderao nao se interessar pelo resto da vida por uma nova experiencia coral. Escolher uma ou duas músicas difíceis e uma ou duas que possam ser apresentadas com perfeiçao e facilidade. Sugerimos que sejam escolhidas peças fáceis, de grau de dificuldade médio e peças difíceis. As peças fáceis farao com que o coro se sinta sempre cantando; as peças mais difíceis cumprirao o papel de ampliar a zona de conforto do coro.
* Escolher estilos diferentes, nos ensaios e na performance (músicas de períodos diferentes da história, música contemporânea, músicas em latim, italiano, a capela, acompanhados por piano, acompanhados por outros instrumentos. A variaçao de acompanhamento instrumental permite que o adolescente aumente seu conhecimento de timbres e aperfeiçoa suas habilidades de afinaçao. Lembramos que o preparo/ensaio de repertório em línguas estrangeiras, demanda cerca de 20% a mais de tempo. Embora Brinson e Demorest nao apresentaram justificativas para o fato de se gastar mais tempo no repertório em línguas nao maternas, podemos conjecturar que isso se deva, entre outras razóes, pelas especificidades fonéticas de cada idioma, bem como a familiaridade dos cantores com as diferentes línguas que possam ser utilizadas no repertório coral, além das necessidades de ajustes vocais do idioma da fala para o canto no contexto de cada peça musical.
* Texto: variedade de assuntos e temas, lembrando que textos em língua estrangeira trazem possibilidades de outros timbres vocais. Outras questóes em relaçao a este tópico podem ser consideradas: O texto da música por si só pode ser considerado como um texto importante? O coral se identifica com a mensagem do texto? É um conteúdo de interesse?).
* Desenvolver a habilidade de cantar. O repertório precisa desenvolver o potencial de canto dos integrantes do coro.
* Quantidade de integrantes no coral. Isso será importante para se pensar o volume requerido nas diferentes obras, bem como o equilíbrio entre os naipes, quando o coro juvenil cantar peças no padrao SAB. É preciso lembrar que as vozes dos (as) cantores (as) de coros juvenis, nao possuem a mesma projeçao e volume, das vozes de cantores (as) de coros adultos.
* Verificar quais sao os intervalos melódicos mais fáceis e os mais difíceis para o grupo cantar. Em geral, as pessoas tendem a ter maior dificuldade nos intervalos de trítono, intervalos descendentes e mais amplos, tais como, 6ä. maior ou menor; 7ä. maior ou menor; 8ä. justa. Isto se dá, entre outras razôes, porque a voz é um instrumento que se adapta melhor a execuçâo de graus conjuntos. Outro motivo está relacionado a percepçao e sensaçao auditiva dos intervalos descendentes que, em geral, as pessoas nao afinam com precisâo em comparaçao ás notas em movimento melódico ascendente.
* Privilegiar peças com graus conjuntos. O uníssono é a textura mais indicada para grupos iniciantes. De acordo com Brinson e Demorest, conforme mencionado na página 16, deste artigo, o uníssono é uma excelente estratégia para construir o tom coral e a mistura vocal, bem como é uma oportunidade para explorar a expressividade no canto.
* Ser cuidadoso e criativo na elaboraçao da ordem das peças para o concerto/apresentaçao. Pensar em critérios, como por exemplo: que peça vai abrir o concerto? que peça vai fechar o concerto?; andamento das músicas; tonalidade; caráter da obra; dificuldades e facilidades vocais da obra; acústica do local; a obra é sacra ou profana?; á capela ou com acompanhamento; tem solo?
* Análise da partitura: verificar qual a vogal emitida na nota mais aguda da peça e a sua duraçâo; verificar se essa nota aguda está precedida de um salto; se está apoiada por outros naipes; se, na peça, é apenas uma nota aguda ou sâo frases ou períodos na regiâo mais aguda; e ainda, verificar se a dinámica está combinada com notas fora da zona de conforto pois podem apresentar dificuldades na execuçâo. Este critério é de suma importância, principalmente, ao se considerar as vozes em muda vocal, as quais apresentam certas dificuldades para a emissâo vocal em determinadas regiôes do registro da voz, dependendo do fonema, da duraçâo da nota, do desenho melódico, entre outros fatores.
* Ter boas ediçöes da partitura (se for o caso) que será utilizada no ensaio. A observaçâo deste critério pelo regente coral contribuirá para que nâo se perca tempo no ensaio com correçöes de notas, textos, e dinámica ilegíveis.
4.Pontos de convergencia nos parámetros para escolha de repertório no contexto do coral adulto e juvenil e pontos específicos ao contexto coral juvenil
Ao estabelecermos um comparativo entre os criterios mencionados, pelos autores, para seleçao de repertório, no contexto do coral adulto e juvenil, podemos agrupá-los em dois grandes grupos: critérios técnicos e critérios gerais, os quais apresentaremos de modo sintético, a seguir. Os critérios técnicos estao relacionados as condiçöes técnico-vocais e musicais necessárias para realizaçao das músicas selecionadas para o grupo. Os critérios gerais dizem respeito a outros elementos extramusicais do repertório, no contexto da atividade coral. Ambos os critérios se relacionam no processo de escolha de repertório para um determinado grupo.
Os pontos de convergencia nos parámetros para escolha de repertório para coro adulto e juvenil sao:
* Critérios técnicos: extensao e tessitura de cada naipe; maturidade vocal dos cantores; quantidade de cantores por naipe; quais as contribuiçöes vocais e musicais o repertório trará aos cantores; duraçao da peça; frequencia dos ensaios; complexidades rítmicas, melódicas, harmónicas, contrapontísticas; o tipo de acompanhamento ou se é a capela; variar genero, forma, estilo ou período histórico na escolha do repertório para o coro; balancear o grau de dificuldade técnica das peças; escolher repertório em outros idiomas; escolher o repertório levando em conta a qualidade do texto e sua relaçao com a música; escolher repertório que desenvolva a habilidade de cantar.
* Critérios gerais: características de cada grupo; objetivos do coro; necessidades e interesses do grupo; locais de apresentaçao e público potencial; escolher um repertório criativo e que possa ser realizado de modo musical; escolher repertório que contribua para crescimento do regente e do coro; envolver os coralistas no processo de seleçao musical.
Os aspectos específicos ao coro juvenil, a partir dos textos levantados, referentes a escolha de repertório sao:
* Critérios técnicos: necessidades relacionadas a muda vocal; tessituras das vozes juvenis; sonoridade da voz juvenil, pois um coro de adolescentes nao deve ser trabalhado sonoramente como vozes adultas; prezar por obras escritas específicamente para a formaçao coral juvenil, empregando a configuraçao SAB, ao invés de SATB, onde a linha vocal escrita para os meninos que cantam de barítono, abarque a tessitura de Ré2 a Ré3, atentando, ainda, para que a linha vocal de alto, escrita para as meninas, nao seja grave, atingindo notas de Si2 para baixo; selecionar obras que se adaptam as vozes dos adolescentes e nao ao contrario. A observaçao desses critérios proporcionará uma valorizaçao da natureza e sonoridade vocal do adolescente; pesquisar obras eruditas e contemporáneas adequadas as vozes juvenis, para evitar uma tendencia que há, no Brasil, dos coros juvenis em realizar arranjos de música popular brasileira os quais, muitas vezes, nao sao arranjados para essa formaçao vocal, apresentando, por vezes, uma tessitura voltada para uma regiao grave da voz das meninas, de modo a nao privilegiar, por exemplo, a regiao de brilho - Ré4-Fá4, daquelas que cantam no naipe de soprano; necessidade de pesquisa de repertório para essa formaçao; pela falta de repertório específico para vozes juvenis, o regente tem uma necessidade maior de criar/compor e adaptar peças para o coro juvenil que está sob sua orientaçao; variar o acompanhamento instrumental para ampliar possibilidades de timbre e aperfeiçoamento das habilidades de afinaçao; escolher repertório que preze pela saúde vocal dos adolescentes; selecionar repertório que possibilite ao adolescente aprender música por meio dele, pois em cada obra podemos trabalhar os mais variados aspectos da linguagem musical, de modo que se possa contribuir para a formaçao artístico-pedagógica do jovem cantor.
* Critérios gerais: o repertório precisa envolver emocionalmente os integrantes do coro juvenil, pois os adolescentes podem apresentar maior resistencia, comparativamente aos adultos, para executar obras que nao se sentem, de algum modo, atraídos por elas; perfil social do coro e seus componentes; repertório que propicie desenvolvimento crítico e estético desses participantes que estao em formaçao.
Consideraçoes gerais
A escolha de repertório nao é tarefa fácil, seja para o regente do coro adulto ou juvenil. O repertório é um núcleo importante da atividade coral, por meio do qual seus participantes vivenciam música e aprendem a respeito dela. De certa forma o repertório irá evidenciar o que o grupo é capaz de construir coletivamente, sob a orientaçao do regente e apresentar ao público. Desta maneira nao é possível pensar em repertório para qualquer que seja o grupo e seus ouvintes, sem o estabelecimento de critérios claros e bem fundamentados.
Os diversos itens, pertinentes a seleçao do repertório coral, agrupados em critérios técnicos e critérios gerais, norteiam a escolha das obras adequadas a cada faixa etária. Contudo, os critérios técnicos e gerais nao devem ser tratados de modo separado, mas precisam ser vistos em sua conexao para que o repertório possibilite um fazer musical pedagógico e artístico. Com a definiçao de critérios para escolha de repertório, podemos selecionar músicas que tenham diversos desdobramentos e influencias - social, cultural, artística - sobre a vida daqueles que ouvem ou executam tais obras.
Embora os critérios nao devam ser tomados de modo isolado, destacamos uma variável geral, sugerida por Almeida, relacionado ao canto coral adulto, e por Brinson e Demorest, referente a atividade coral com adolescentes. Os autores sugerem o envolvimento dos participantes do coro no processo de escolha de repertório. O envolvimento dos participantes na escolha do repertório, pode parecer ao leitor um aspecto óbvio, no entanto, sao poucos os textos escritos acerca do assunto, principalmente, como foi apresentado por Brinson e Demorest, os quais trazem uma sugestao detalhada de como realizar esse processo de envolvimento dos integrantes do coro na seleçao do repertório, o que evidencia uma possibilidade de trabalho colaborativo com vistas ao aprendizado musical e desenvolvimento da autonomia dos participantes dentro uma atividade predominantemente coletiva.
Identificamos, ainda, que em relaçao ao coro juvenil alguns parámetros, na escolha de repertório, sao específicos a essa configuraçao, e dentre os critérios técnicos, consideramos tres: as tessituras da voz juvenil, a muda vocal, a sonoridade da voz juvenil, como pontos diferenciadores em relaçao a seleçao de obras para um coro adulto. O conhecimento desses parámetros ajudará o regente a nao tratar as vozes juvenis como adultas, exigindo delas uma sonoridade inadequada a faixa etária e que poderá trazer prejuízos a saúde vocal dos adolescentes. No entanto, esses criterios técnicos nao podem ser impeditivos para que o regente, por exemplo, selecione repertório que envolva emocionalmente os adolescentes e seja entusiasmante para todos.
O regente precisa fazer uma pesquisa contínua de repertório para ampliar o seu conhecimento, evitando assim selecionar repertório que nao seja adequado ao seu coro e, também, para que possa ter possibilidades de variar o genero, o estilo, a forma, com obras de diferentes períodos e variados compositores. Assim, o regente deve estar atento a necessidade de criar/compor/arranjar para o coro sob sua orientaçao para que se execute peças que se adaptem as vozes dos coralistas e nao ao contrário. Cada vez mais, consideramos, relevante, que o regente desenvolva suas habilidades para compor e arranjar para o seu próprio coro. Cada grupo tem suas facilidades e dificuldades musicais e vocais, que só o seu regente conhece, de modo que é preciso pensar nas particularidades de cada coral, no que tange as possibilidades de repertório.
Temos consciencia que, seja para o coro adulto ou juvenil, sao muitos os criterios a serem observados na escolha do repertório e, em muitas ocasiôes, nao será possível dar conta de todos eles; entretanto, consideramos que é importante que o regente os conheça e os aplique, na medida do possível, com os coros que estao sob sua orientaçao visando, sempre, um aprendizado musical significativo por meio do repertório, conectando as diferentes variáveis que estao ligadas a atividade coral, sejam elas musicais ou extramusicais.
Questions about the repertoire in the adult and youth choir context. Recebido em 22/05/2020. Aprovado em 23/06/2020. Disponivel online: 30/09/2020. Editor: Dr. Felipe de Almeida Ribeiro.
SOBRE OS AUTORES
Fábio Miguel: Cantor, Professor de Canto e Regente Coral. Bacharel em Regencia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho no Instituto de Artes de Sao Paulo. Mestre em Música pela mesma universidade. Doutor em Música, também, pela UNESP. Desde 2008 é professor no Instituto de Artes da UNESP. Pesquisa acerca dos significados da voz em diferentes ambientes sonoros, bem como a respeito da Expressao Vocal no Canto Coral. Líder do GEPPEVOZIA (Grupo de Estudo, Prática e Pesquisa em Voz do Instituto de Artes da UNESP). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6324-4067. Email: [email protected]
Willian Gomes Pedrozo: Mestre em Música pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) e Bacharel em Regencia pela mesma universidade. Técnico em Música, Habilitado em Contrabaixo Elétrico pela Fundaçao das Artes de Sao Caetano do Sul. Atua como Regente Coral, instrumentista e compositor. Como pesquisador se dedica a investigaçao de Música Vocal, sobretudo a ligada a Grande Guerra. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3689-0047. Email: [email protected]
Emerson Pereira Tineo: Possui bacharelado em Composiçao e Regencia e em Licenciatura em Educaçao Musical pelo IA/Unesp - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, cursa mestrado em Música pelo mesmo instituto sendo orientado pelo prof. Dr. Fábio Miguel. Regente de corais amadores, professor do CPS - Centro Estadual de Educaçao Tecnológica Paula Souza, também é coordenador artístico pedagógico da área de canto coral, iniciaçao e fundamentos da música da Sustenidos Organizaçao Social de Cultura. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2630-753X. Email: [email protected]
Felipe Pillis Panelli: Nascido em Sao Paulo, começou seus estudos em música aos 8 anos de idade no Conservatório Musical Beethoven onde teve aulas de piano e contrabaixo elétrico. Atualmente é graduando no curso de bacharelado em composiçao musical da Unesp. Terminou, em 2020, uma Iniciaçao Científica fomentada pela FAPESP e pelo CNPq. Além disso, estuda canto e teve participaçao como solista em concertos com a Orquestra Academica da Unesp nos anos de 2018 e 2019. É integrante do GEPPEVOZIA (Grupo de Estudo, Prática e Pesquisa em Voz do Instituto de Artes da Unesp). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0701-2840. Email: [email protected]
Felipe Rodrigues Ferreira Perez: Natural de Araraquara-SP. Bacharel em Ciencias Sociais pela Universidade De Sao Paulo (USP) e, atualmente, graduando em Composiçao Eletroacústica pela Universidade Estadual Paulista "Juilio de Mesquita Filho" (UNESP). Atuou como produtor musical na produtora Play It Again no ano de 2017, e atua desde 2012 como cantor e violonista popular; atua também como compositor e instrumentista de música de concerto. Como pesquisador se dedica a Música Vocal, com foco na investigaçao sobre a relaçao texto-música na música contemporánea. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4487-1580. Email: [email protected]
André dos Santos: Natural de Santos - SP. Se formou em Licenciatura em Música pela UNISANTOS (2015), atualmente é graduando em Bacharelado em Regencia (UNESP). Atou como cantor no Coro Municipal do Guarujá (2013-2014); Regente no projeto Coro e Camerata Caiçara (2014-2015); Regente convidado para a estreia da peça Ave Matter de Diego Sposito UNISANTOS (2014) e Regente e Produtor Musical na Cia Diagonal no Concerto "In Concert: Músicas e Musicais da Broadway com o cantor británico Martin Callaghan. Atualmente é Regente titular do Coral Nossa Senhora da Saúde e Regente Assistente da Orquestra Filarmónica Sinos Azuis. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8153-619. Email: [email protected]
Maicon Pereira Jacinto: Natural de Sorocaba, interior de Sao Paulo, iniciou seus estudos musicais aos 8 anos, cursou violino no Instituto Municipal de Música de Sorocaba e no Conservatório Dramático Musical Dr. Carlos de Campos de Tatuí. Foi membro integrante de diversos grupos artísticos destas instituiçöes, como a Orquestra de Cordas, Orquestra Jovem e Coral adulto do Instituto de Música de Sorocaba; Orquestra Jovem, Coro de Cámara e Coro jovem do Conservatório de Tatuí. Atualmente cursa Licenciatura em Música no Instituto de Artes da UNESP, sendo bolsista de Iniciaçao Científica (PIBIC); participa ativamente dos grupos: Camerata Guarany, Coro Osvaldo Lacerda e SabIa Coro. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3689-0047. Email: [email protected]
Regina Célia Corso Marcondes do Amaral: Graduanda em Regencia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Em 2016, passou a integrar o Grupo de Estudo, Prática e Pesquisa em Voz do Instituto de Artes da UNESP (GEPPEVOZIA). De 2016 e 2017, integrou o Coro de Cámara da mesma institui&ecedil;ao. De 2017 a 2019 correpetiu no coral do Instituto Federal de Sao Paulo (IFSP) e integrou o Madrigal Padre José Mauricio. Desenvolve trabalho de Iniciaçao Científica na área de Regencia Coral. Atualmente é regente do grupo de percussao "Orquestra de Objetos Desinventados" e produtora da Orquestra Academica da UNESP. Trabalha, também, como tradutora e intérprete alemao, polonés e portugués. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3203-8903. Email: [email protected]
1Os professores foram: 03/05 - Prof. Dr. Marcos Mesquita; 10/05 - Prof. Dr. Vítor Gabriel; 17/05 - Prof. Dr. Edmundo Villani-Côrtes; 24/05 - Prof. Lucas Moutinho e Prof. Luis Guilherme Anselmi; 31/05 - Prof. Dr. Carlos Roberto Ferreira Menezes Júnior.
2 Os participantes deveriam atender aos seguintes pré-requisitos: noçöes de solfejo e teoría musical; noçöes de harmonía e contraponto.
3 Essas revistas foram selecionadas em funçao do seu Qualis: A1, A2, B1 e B4.
4Pesquisa estado da arte é um tipo de estudo que busca verificar como está determinado assunto / tema numa dada área de estudos.
5Tipo de cançao italiana de fins do século XV e principio do XVI mais importante depois do madrigal. De poesia leve e sem forma fixa, é geralmente estrófica, silábica, a quatro vozes mistas com a melodia principal na voz aguda, homofônica e com harmonias diatônicas simples e estrutura rítmica bem marcada. Era um termo genérico que englobava alguns subtipos como a barzelletta, o capitolo, a terza rima, o strambotto e a canzone. Nas ediçöes de época o texto está colocado apenas no soprano, sugerindo que as demais vozes fossem tocadas. É precursora do madrigal italiano e influenciou a chanson francesa. Apesar de sua simplicidade e popularidade a Frottola nao era uma forma de música popular ou folclórica., pois derivava das Cortes italianas (especialmente de Mantova, Urbino e Ferrara). É a precursora do Madrigal italiano (GABRIEL, 2014, p.68)
6Atinge uma localizaçao bem alta na faringe, percorrendo todo o tubo faríngeo e produzindo sensaçöes vibratórias por todo o crânio. O alongamento faríngeo é pré-requisito fundamental para o foco alto. Esse tipo de ressonância é mais comum ao estilo de canto chamado lírico/erudito.
7 Na disciplina Performance de repertório de música brasileira a capela, ministrada no Instituto de Artes da Unesp em 2019, o número de alunos por naipe foi: sopranos (07); mezzo (05); tenores (14); baixo/barítono (09)
8 Nao há, até o momento, estudos científicos que comprovam essa afirmaçao que é realizada com base em minha experiencia com coros fora da universidade e por relatos orais de outros regentes corais acerca desse fenómeno.
9 Esse coro é uma disciplina obrigatória do curso de música no Instituto de Artes da Unesp. Os integrantes do coro sao alunos do curso de canto, instrumento, licenciatura em música e regencia. A quantidade de estudantes por naipe, nesse ano, foi: soprano (12); mezzo (08); tenor (11), barítono/baixo (08).
10Essa afirmaçao é fruto de mais de 20 anos de experiencia, do autor deste texto com trabalho coral adulto, no contexto de igrejas protestantes em Sao Paulo e na grande Sao Paulo.
11 Nao será foco desse artigo discutir acerca da faixa etária e características de um coro juvenil, para isso o leitor poderá consultar a tese de doutorado da Patrícia Costa e Ana Lúcia Gaborim, por meio quais é possível ter informaçöes a esse respeito.
12 O sistema de numeraçao de oitavas utilizado é o francés.
13 Embora o trabalho trate de coro infantojuvenil, esse criterio pode ser plenamente adaptado ao contexto de coro juvenil e, também, para o âmbito do coro adulto.
14 Embora o trabalho trate de coro infantojuvenil, esse critério pode ser plenamente adaptado ao contexto de coro juvenil, bem como ao âmbito do coro adulto.
15No caso desse texto "do adolescente".
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Abstract
The discussion in this article revolves around the selection criteria for choral repertoire, specifically in groups formed by adults and young singers. Upon searching different authors, we found different selection parameters for adult choral repertoire, then we proceeded to compare the criteria suggested by each author. In the next step, we analyzed the selection criteria for choral repertoire based on researches involving youth choirs, followed by a comparison between suggested parameters by those researches. In conclusion, there are common practices involving repertoire selection between youth and adult choirs, but, we also discovered selection practices that are specific to youth choirs.
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