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Abstract
Este estudo intenta expor os fundamentos filosóficos subjacentes ao tema Judaísmo e Capitalismo, pondo em evidência a contribuição prestada pelos agentes económicos e financeiros hispano-portugueses, como os Mendes [Nassi], os Nunes da Costa, os Vega, os Pinto, os Teixeira de Mattos e os Bensaúde, a par dos protestantes e católico-romanos, à formação do ethos capitalista. Tentamos responder às seguintes questões: Qual é o significado da contribuição judaica para o Capitalismo? Qual foi a sua natureza? Terão Judeus e conversos, em particular, os hispano-portugueses, contribuído, com a sua atitude e ética, para a origem e o desenvolvimento do Capitalismo?
Desde a diáspora antiga que os Judeus tinham assumido importância no comércio e empréstimo de dinheiro porque foram excluídos de quase toda a outra actividade económica. A sua riqueza tornou-se proverbial e o seu desempenho histórico resultou em senso comum. As suas características têm sido estereotipadas de modo negativo. Além disso, o judeu continuou proeminente em sectores da vida económica e cultural.
A Igreja de Roma, em diferentes épocas, por intermédio das suas doutrinas, condenou o modo de vida judaico. Estava muito mais preocupada com a usura, o justo preço e as corporações, que com a economia capitalista do lucro, a empresa, o mercado monetário. Contudo, durante a Idade Média, o comércio e a usura tornaram-se familiares não apenas a muitos judeus mas também a muitos cristãos. Estes tinham-se associado em parcerias comerciais de tipo familiar nas cidades. De facto foram mercadores e banqueiros italianos os primeiros a desenvolver a banca, a contabilidade, as técnicas de crédito, e iniciaram o pré-capitalismo com o grande comércio à distância. Os Judeus seguiram-nos, sendo úteis quer à Igreja quer ao Estado.
Neste estudo interessamo-nos pelas teses principais de Marx, da Verstehende Soziologie e da Nouvelle Histoire, a fim de esclarecer algumas especulações como a atitude judaica com respeito ao Capitalismo. Ocupamo-nos dos factores económicos que compõem a participação judaica na sociedade capitalista.
Problematizamos as teses desses e outros autores que estão na base de uma controvérsia secular, sobre as origens do Capitalismo, a sua definição e periodização, as suas incidências axiológicas, os valores morais e as virtudes burguesas. De que modo?
Em primeiro lugar, é feita uma exposição dos Fontes e bibliografia 773 textos bíblicos para fundamentar a justificação de maximizar o ganho pessoal nos negócios. Também a doutrina de Tomás de Aquino sobre a usura foi tida em consideração e, ainda, as perspectivas relacionadas com a Reforma protestante e as correspondentes controvérsias sobre questões económicas e éticas.
Em segundo lugar, comércio e negócio foram objecto da contabilidade e das práticas da economia doméstica. O ethos capitalista, que se baseia na confiança mútua, livre iniciativa e responsabilidade partilhada, legitima tais actividades e encontra fundamento bíblico para isso na ascese e na vocação de cada um. Compreende-se assim que a origem e o desenvolvimento do Capitalismo tenham sido ligados à Reforma protestante dos séculos XVI e XVII por muitos autores, particularmente, por Weber, Troeltsch, Tawney e TrevorRoper. A perspectiva contrária foi esboçada por Fanfani. Nós analisamos estas posições que exageraram e negligenciaram o papel dos Judeus e conversos enquanto minoria, especialmente, os mercadores, accionistas, banqueiros, corretores, intermediários, conselheiros, ensaistas ou literatos hispano-portugueses.





