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Segundo a ortodoxia contemporânea, são os mecanismos da concorrência que proporcionam o motor fundamental para o progresso económico e social. Assim sendo, não é de admirar que um conjunto de forças levem, muitas vezes, à importação de modelos do sector privado para a gestão da administração pública, provocando, desta forma, alterações na malha das relações institucionais, sem que, ao mesmo tempo, se processe à adaptação e reforma internas. A maioria das propostas centram a sua atenção em medidas susceptíveis de produzir uma redução dos custos unitários, eliminando o desperdício e a ineficiência e de incrementar a qualidade do serviço prestado, avaliada na perspectiva da satisfação dos utentes. O impulso fundamental para esta constante melhoria da qualidade e redução de custos encontra-se na inovação. Porém, sem incentivos (in)formativos que sirvam de apoio à inovação no sistema de saúde, as possíveis reduções de custos a curto prazo ver-se-ão superadas, rapidamente, pela crescente necessidade de uma prestação de serviços de saúde a uma população cada vez mais envelhecida e que não está disposta a conformar-se com um tratamento que não seja o melhor. Inevitavelmente, a falta de fomento à (in)formação dos profissionais da saúde dará lugar a uma menor qualidade na decisão ou a um maior racionamento (ou produzirá maior segregação) da assistência, sendo ambos igualmente indesejáveis.
Tomando por base toda esta conjuntura, estabelecemos como objectivo principal da presente investigação a realização de um ensaio sobre as principais componentes dos perfis dos decisores hospitalares, tendo por base os seus percursos formativos e as suas necessidades de informação. Para além deste objectivo último, procuramos igualmente conhecer os percursos pessoais e profissionais dos decisores hospitalares inquiridos e a (in)formação que foram angariando ao longo dos mesmos, bem como a percepção que detêm sobre o processo de tomada de decisão nas suas instituições.
Metodologicamente, começamos por desenvolver um suporte teórico que nos permitisse identificar e analisar os factores internos e externos que impulsionam e limitam os processos de tomada de decisão. De seguida, foram estabelecidos contactos, formais e informais, com informantes - chave do sector para que, conjuntamente com o referencial teórico criado, pudéssemos desenvolver o guião das entrevistas que realizamos aos cinquenta e três decisores hospitalares. Os dados assim obtidos foram posteriormente organizados de forma a serem tratados estatística e econométricamente nos softwares SPSS e STATA.
Os resultados obtidos, para além de nos darem a conhecer os percursos pessoais e profissionais dos decisores hospitalares inquiridos e as suas concepções sobre o processo de tomada de decisão nas suas instituições, mostram, ainda, que existem três perfis distintos no grupo de decisores hospitalares; os que fazem e procuram formação e informação apenas para o sector (saúde); os que fazem e procuram formação e informação apenas para a função de gestão que desempenham (decisão); e os que fazem e procuram formação e informação para o sector e para a função. A composição de cada um dos perfis permitiu-nos, simultaneamente, o apuramento das principais características que os distinguem.