RESUMO
O presente trabalho teve por objetivo revisar sistemáticamente a literatura, para avaliar o efeito do alongamento sobre a força muscular de pessoas saudáveis. Foram consultadas as fontes de dados: PubMed, Scopus e Scielo, utilizando-se os critérios de elegibilidade: intervençâo com alongamento e medida de desempenho da força muscular, em pessoas saudáveis. Foram incluidos 18 estudos, que atenderam os critérios. Os tipos de alongamento utilizados foram o estático continuo 20%, estático intermitente 60% e o dinámico 20%. Os tipos de força avaliados foram: força máxima isométrica (12,5%), força máxima dinámica (66,66%) e potencia muscular (20,83%). 5,5% dos estudos demonstraram aumento da força muscular após o alongamento; 38,8% apresentaram reduçâo, após o alongamento estático; 38,8% não observaram alteraçâo; e 16,6% apresentaram aumento ou reduçâo da força muscular dependendo do tipo de alongamento utilizado. Com base nos trabalhos analisados a realizaçâo de alongamento estático de forma prévia ao treinamento de diversas manifestaçöes de força tenderam a reduzir ou nao alterar o desempenho muscular. Não foi encontrada uma sinalizaçao clara que o alongamento realizado antes do treino de força promova uma melhora de rendimento muscular.
PALAVRAS-CHAVE: saúde; flexibilidade; força muscular.
ABSTRACT
This work aimed to systematically review the literature to assess the effect of stretching on muscle strength in healthy people. The PubMed, Scopus and Scielo data sources were consulted, using the eligibility criteria: intervention with stretching and measurement of muscle strength performance in healthy people. Eighteen studies that met the criteria were included. The types of stretching used were continuous static 20%, intermittent static 60% and dynamic 20%. The types of strength evaluated were: maximum isometric strength (12.5%), maximum dynamic strength (66.66%) and muscle power (20.83%). 5.5% of the studies demonstrated increased muscle strength after stretching; 38.8% showed reduction after static stretching; 38.8% did not observe changes; and 16.6% had increased or reduced muscle strength depending on the type of stretching used. Based on the studies analyzed, performing static stretching prior to training, various manifestations of strength tended to reduce or not change muscle performance. It was not found a clear sign that the stretching performed before the strength training promotes an improvement in muscle performance.
KEYWORDS: health; flexibility; muscle strength.
INTRODUÇÂO
Programas de treinamento físico comumente incluem exercícios para aumentar a força muscular e a flexibilidade corporal, uma vez que ambas são consideradas variáveis essenciais para a manutençâo da aptidão física relacionada á saúde (Fragala et al., 2019). Nesse sentido, o alongamento, entendido como uma forma de se estimular a valencia física flexibilidade, pode ser utilizado com objetivo de aquecer a musculatura, antes da prática de exercícios físicos, aumentar a flexibilidade ou a amplitude de movimento e melhorar o desempenho atlético (Chaabene, Behm, Negra & Granache, 2019). Atualmente, quatro técnicas principais de alongamento (estática, dinámica, balística e facilitaçâo neuromuscular proprioceptiva) são aplicadas em ambientes atléticos, de condicionamento físico e de reabilitaçâo (Chaabene et al., 2019).
O estudo de exercícios de alongamento associados ao desempenho da força muscular tem chamado a ate^ão de diferentes grupos de pesquisadores (Endlich et al. 2009; Pasqua, Okuno, Damasceno, Lima-Silva & Bertuzzi, 2014; Leite et al., 2015; Marchetti et al., 2015; Barbosa Netto, Veloso, d'acelino-e-Porto, & Almeida, 2018; César, Silva, Rezende & Alvim, 2018; Moreira et al., 2021). No entanto os resultados obtidos por estes estudos tem produzido dados conflitantes, não havendo um nível de evidencia científica clara com dados suficientemente-para sustentar a premissa de que o alongamento prévio possa causar efeitos positivos ou negativos sobre o desempenho da força muscular.
Os possíveis efeitos do alongamento sobre a força muscular parecem estar relacionados aos fatores mecánicos e/ou neurais (Rubini, Costa & Gomes, 2007), desencadeados pela manipu^ão de variáveis como intensidade, volume e drn^ão do alongamento (Apostolopoulos et al., 2018). Diante das controvérsias e lacunas presentes na literatura a respeito dos efeitos do alongamento sobre o desempenho da força muscular, a realização de estudos, experimentais ou de revisão, que tentem elucidar algumas questöes relacionadas a essa temática torna-se relevante, uma vez que programas que empreguem exercícios de alongamento e força muscular em uma mesma sessão de treinamento podem ser amplamente empregados como estratégia para promoção da saúde, do condicionamento físico, de reabilitação ou melhora do desempenho atlético (Chaabene et al., 2019).
Assim o presente estudo tem por objetivo revisar sistematicamente a literatura para avaliar o efeito do alongamento sobre o desempenho da força muscular de pessoas saudáveis. Como hipótese desse estudo tem-se que, o alongamento produzirá diferentes efeitos sobre a força muscular, de acordo com o tipo de alongamento e com o protocolo utilizado. A tentar comprovar essa hipótese, essa revisão poderá permitir aos leitores compreender melhor a literatura sobre alongamento e força muscular, atualizar os conhecimentos relacionados a controversias levantadas anteriormente, além de possivelmente, apontar caminhos para pesquisas futuras.
MÉTODO
Protocolo e registro (PROSPERO)
Esta revisão sistemática foi realizada de acordo com as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis (PRISMA), de 2019. O protocolo de realização da mesma foi registrado no PROSPERO - International prospective register of systematic reviews, sob o número CRD42021234239.
Criterios de elegibilidade
Foram estabelecidos como criterio de inclusão: ensaios randomizados controlados; publicados em ingles, portugués ou espanhol; publicados nos últimos 10 anos (Janeiro de 2011 a Dezembro de 2020); amostra composta por humanos; utilização de interve^ão com treinamento de flexibilidade; presença de grupo controle sem interve^ão; presença de, pelo menos, um método de aval^ão da força muscular; e que os termos de busca fossem encontrados no título ou no resumo do trabalho. Como criterio de exclusão utilizou-se: estudos de caso; estudos de revisão; estudos com modelo animal; estudos com grupo amostral composto por adolescentes ou crianças; estudos que não avaliaram a força muscular.
Fontes de informaçâo e busca
Dois autores (PHVM e OCM) realizaram uma pesquisa sistemática da literatura informatizada nas bases de dados eletrônicas PubMed, Scopus e Scielo para localizar estudos que relataram explicitamente os efeitos do trabalho de flexibilidade sobre o desempenho de força muscular em pessoas aparentemente saudáveis. Os termos de pesquisa utilizados foram: (Flexibility OR Stretching) AND "Strength" OR "Hypertrophy". Para dar conta das diferenças na sintaxe de pesquisa, modificamos apropriadamente os termos de pesquisa para outros bancos de dados. O período de pesquisa de literatura abrangeu publicaçöes até dezembro de 2020. Antes de prosseguir com a seleçâo de estudos elegíveis, todas as duplicatas foram removidas. Após a remoçâo das duplicatas, os títulos e resumos dos artigos restantes foram selecionados independentemente por critério de relevancia. Por fim, os textos completos dos trabalhos pré-selecionados foram examinados pelos dois autores acima mencionados com base nos critérios de inclusão e exclusão descritos. Discrepancias foram discutidas entre os autores e, em caso de desacordo, um terceiro autor (CEPO) verificou a relevancia do artigo e uma decisão de consenso foi tomada. A avaliaçâo de elegibilidade dos estudos está resumida na Figura 1.
Para extraçâo de dados dos artigos incluidos na revisão sistemática, foi utilizada uma folha de dados de Excel com campos relacionados as características do estudo, a amostra, protocolo de intervençâo, duraçâo da intervençâo e principais resultados.
Avaliaçâo de qualidade
Os artigos que atenderam aos criterios de inclusāo predefinidos tiveram sua qualidade metodológica avaliada por meio da Physiotherapy Evidence Database scale (PEDro). Ao avaliar cada estudo, um valor minimo de 5/11 na escala PEDro foi considerado para inclusāo na revisāo sistemática, conforme descrito na Tabela 1. A média de pontos atingida foi de 5,72. Dos 11 quesitos avaliados, a maioria dos estudos (9 artigos) atingiu 5 pontos, 6 estudos obtiveram 7 pontos e apenas 1 deles somou 6 pontos. Apesar de média (5,72) estar abaixo da metade dos critérios e a maior pontuaçâo ser 7/11, podemos considerar que os estudos tem boa qualidade e seus resultados nāo sofrem interferencias dos critérios nāo atendidos.
Risco de viés
O risco de viés foi realizado usando RevMan 5.3 (The Nordic Cochrane Center, The Cochrane Collaboration, Copenhagen 2012. Software gratuito disponivel em http://tech.cochrane.org/revman/ download). A análise foi baseada em sete dominios: 1. Geraçâo de sequencia aleatoria; 2. Ocultaçâo de alocaçâo; 3. Cegar os participantes e funcionarios; 4. Medidas de resultados cegantes; 5. Dados de resultados incompletos; 6. Relatórios seletivos e 7. Outras tendencias. Todos eles avaliam varios tipos de vieses que podem estar presentes em qualquer estudo selecionado. O risco de viés reduzido permite maior confiabilidade dos resultados observados em cada um dos testes. Os estudos incluidos nesta revisão sistemática obtiveram a classificaçâo de baixo risco de viés. Nenhum dos estudos apresentou a classificaçâo de alto risco para nenhum dos sete critérios, sendo que apenas a Alocaçâo Sigilosa (critério 2) foi classificada como risco de viés incerto. O resumo dessas análises pode ser encontrado na Tabela 2.
RESULTADOS
Um total de 221 estudos potencialmente relevantes foi identificado nas bases de dados eletrônicas PubMed, Scopus e Scielo. Após a seleçâo de títulos, resumos e textos completos, somente 18 estudos foram finalmente elegiveis para inclusâo nesta revisâo sistemática. A Figura 1 ilustra o diagrama de fluxo PRISMA.
A qualidade metodológica média dos estudos na escala PEDro foi de 5,72, com pontuaçöes de 5 a 7. Todos os estudos foram classificados como de alta qualidade (MarotoIzquierdo et al., 2017).
As principais características dos estudos incluidos nesta revisão com relaçâo aos participantes, intervençöes e resultados são apresentadas na Tabela 3. O número total de participantes no incluído estudos foi 396, sendo 50,74% (n= 342) alocados em grupos que sofreram intervençâo com alongamento e 49,25% (n= 332) alocados em grupos controle. Do total de avaliados 263 (66,41%) eram do sexo masculino e 133 (33,59%) feminino.
Os principais tipos de alongamento utilizados foram o estático continuo 20% (n= 5), estático intermitente 60% (n= 15) e dinámico 20% (n= 5). Já o tempo de realizaçâo, número de séries e repetiçöes de execuçâo variaram entre 1 a 6 séries de 20 segundos a 16 minutos de duraçâo, ou 2 a 3 séries de 12 a 30 repetiçöes.
Os tipos de força avaliados nos estudos foram: força máxima isométrica (12,5%), a força máxima dinámica (66,66%) e a potencia muscular (20,83%).
Os resultados apontaram que apenas 5,5% (n= 1) dos estudos analisados demonstraram aumento da força muscular após o trabalho de flexibilidade (César, Souza, Santos, & Gomes, 2015b), 38,8% (n= 7) apresentaram reduçâo da força após o trabalho de flexibilidade (Endlich et al., 2009; Bastos et al., 2014; Pasqua et al., 2014; Leite et al., 2015; Marchetti et al., 2015; Barbosa Netto et al., 2018), 38,8% (n= 7) nāo observaram alteraçâo da força após o trabalho de flexibilidade (Lustosa et al., 2010; Silveira, Farias, Alvarez, Bif & Vieira, 2011; Santos, Moser & Manffra, 2014; Ayala, Ste Croix, Sainz de Baranda, & Santonja, 2015; César, Paula, Paulino, Teixeira & Gomes, 2015a; Lopes, Soares, Santos, Aoki & Marchetti, 2015; César et al., 2018), e 16,6% (n= 3) apresentaram aumento da força muscular e reduçâo da força muscular (Walsh, 2017; Bogdanis, Donti, Tsolakis, Smilios & Bishop, 2019; Sekir, Arabaci, Akova & Kadagan, 2010).
DISCUSSÄO
O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão sistemática sobre o efeito do alongamento no desempenho da força muscular de pessoas saudáveis, visto que, aparentemente existe um baixo nivel de evidencias científicas que sustenta a premissa de que o alongamento prévio ao treinamento de força pode causar efeitos positivos ou negativos sobre a força muscular.
Com base em uma análise dos resultados obtidos, existiu uma maior tendencia para um prejuízo no rendimento da força observado em 38,8% dos estudos, ou mesmo a ausencia de resultados, positivos ou negativos, também com 38,8%. Quanto aos estudos que apontaram um resultado negativo, algo importante especialmente para a prescriçao de exercícios para o público de atletas, foi evidenciado por Barbosa Netto et al. (2018) que realizaram um estudo com o objetivo de analisar o efeito do alongamento estático passivo sobre a contraçâo voluntária máxima, durante o teste de preensão manual, observaram que uma rotina de alongamento estático passivo foi responsável por reduzir a contraçâo voluntaria máxima.
Da mesma forma, Marchetti et al. (2015) compararam o efeito do alongamento estático de forma continua e intermitente na força isométrica dos flexores de punho. No protocolo continuo eram realizados 6 minutos ininterruptos de alongamento estático passivo e no protocolo intermitente eram realizadas seis séries de 1 minuto com 20 segundos de intervalo entre as séries. Como resultados os autores obtiveram a diminuiçao da força isométrica em ambos os protocolos de alongamento.
Na mesma linha, Endlich et al. (2009) desenvolveram um estudo com o objetivo de analisar o efeito agudo do alongamento estático passivo com diferentes tempos duraçao (AL8= 8 minutos; e AL16= 16 minutos) no desempenho da força dinámica, medida pelo teste de 10RM de membros superiores (supino reto) e inferiores (leg-press 45°), observando que alongamento estático prévio ao treinamento de força, causou uma diminuiçao na força muscular dinámica, tanto nos membros superiores, quanto nos membros inferiores. Também, Pasqua et al. (2014) que realizaram um estudo para analisar o efeito do alongamento estático sobre o desempenho no salto em profundidade, que avalia potencia muscular dos membros inferiores, concluindo que a rotina de alongamento estático causou diminuiçao da potencia muscular, com consequente reduçao na altura do salto.
Para analisar a influencia do treinamento de força e da flexibilidade isolados ou combinados, de forma crónica, após 12 semanas de intervençao com voluntarias divididas em quatro grupos: treinamento de força; treinamento de flexibilidade; treinamento de força combinado com flexibilidade; e flexibilidade combinado com treinamento de força, Leite et al. (2015) encontraram uma reduçao da força muscular em todos os grupos que realizaram o treinamento de flexibilidade, isolado ou combinado, em comparaçao ao grupo que realizou o treinamento de força isoladamente.
A reduçao da força muscular induzida pelo alongamento estático, possivelmente, é explicada por alteraçöes em fatores mecánicos e fatores neurais associados ao controle da funçao neuromuscular. Entre os fatores mecánicos é aceitável postular:
1.o aumento da complacencia muscular, causada pela diminuiçao da ativaçao dos fusos musculares, que está relacionada a diminuiçao da rigidez muscular, com consequente reduçao da eficacia na geraçâo de força (Rubini et al., 2007; Di Alencar & Matias, 2010; Marchetti et al., 2015);
2. na alteraçâo da relaçâo comprimento-tensão, uma vez que quando os sarcômeros da fibra muscular são distanciados pelo alongamento até um maior comprimento, diminui-se a zona de sobreposiçâo dos filamentos de actina sobre os filamentos de miosina, com consequente diminuiçâo da tensão que pode ser gerada pela fibra (Endlich et al., 2009; Di Alencar & Matias, 2010);
3. alteraçöes nas propriedades viscoelásticas músculo-tendíneas, especialmente relacionadas a estrutura elástica da titina e a complacencia tendínea (Rubini et al., 2007);
4. alteraçâo da histerese da unidade músculo-tendínea, a qual pode ser caracterizada pela perda de energia (conversão em calor) nos tecidos viscoelásticos quando submetidos a cargas e descargas (Marchetti et al., 2015);
5. tempo do alongamento estático, que diminui a utilizaçâo da energia elástica armazenada no ciclo de alongamento-encurtamento e altera a sensibilidade do encurtamento reflexo (Pasqua et al., 2014).
Já entre os fatores neurais, a reduçao da força muscular induzida pelo alongamento estático poderia ser explicada por:
1. um aumento do reflexo de relaxamento, que induz a reduçao no recrutamento de unidades motoras, por induzir a diminuiçâo da sensibilidade dos fusos muscular, com consequente reduçao da ativaçâo dos motoneurônios fásicos eferentes (Rubini et al., 2007; Barbosa Netto et al., 2018);
2. ativaçâo dos nociceptores e dos órgaos tendinosos de Golgi, que contribuem para diminuiçâo da excitabilidade dos motoneurônios alfa (Endlich et al., 2009);
3. aumento do sinal inibitório dos motoneurônios alfa gerado pelos receptores articulares tipo III e IV (Rubini et al., 2007).
Outra informaçâo que talvez possa ser relevante na explicaçâo da reduçao do desempenho muscular causado pelo alongamento, está relacionada ao tipo de alongamento empregado nesses estudos, que foi o alongamento estático. Talvez esse tipo de alongamento seja aquele que mais induz aquelas alteraçöes nos fatores neurais e/ou mecánicos que culminarâo na reduçâo da capacidade do músculo em gerar tensâo.
É importante considerar que sendo verdadeira essa situaçâo, torna-se necessário haver uma ampla mudança na abordagem de prescriçâo de exercícios, tendo em vista que é extremamente habitual, se observar a realizaçâo de exercícios de flexibilidade antes da realizaçâo de exercícios de força, especialmente entre atletas.
Por outro lado, foram observados estudos em que a realizaçâo do alongamento nao produziu alteraçöes significativas nos níveis de força. César et al. (2018) realizaram um estudo para verificar o efeito de duas rotinas distintas de alongamento estático com mesmo volume total (AL30: 4 séries de 30 segundos; e AL2: 2 minutos continuos), sobre a ativaçâo muscular e o desempenho da força. Os autores observaram que nenhuma das duas rotinas prejudicou a força muscular de forma aguda. Em outro estudo realizado por César et al. (2015a), com o objetivo de determinar os efeitos agudos do alongamento (2 séries de 30s de alongamento estático passivo) sobre os níveis de amplitude de movimento (ADM) e sobre a força muscular em dois ángulos articulares, também foi observado que a rotina de alongamento com volumes reduzidos nao prejudicou o desempenho de força medido pelo teste de 10 RM.
Nessa mesma linha, Lopes et al. (2015) realizaram um estudo para determinar o efeito do alongamento estático passivo (6 séries de 45 segundos de alongamento por 15 segundos de intervalo para o músculo peitoral maior) no desempenho de séries múltiplas em indivíduos treinados, concluindo que a realizaçâo do alongamento estático nao alterou a força muscular dos indivíduos. Igualmente, em estudo de Silveira et al. (2011), que avaliou os efeitos do alongamento estático com diferentes duraçöes (10, 20, 30 e 40 segundos) sobre ativaçâo muscular e desempenho da força, avaliado por meio de um teste de repetiçöes até a falha concéntrica, também nâo foi observado nenhum efeito da realizaçâo do alongamento sobre os níveis de força muscular. Além disso, Bastos et al. (2014) compararam a influéncia aguda do alongamento estático sobre a força muscular máxima nos exercícios supino reto e cadeira extensora. Para a coleta de dados o grupo experimental realizou um alongamento com duraçâo de 10 segundos e imediatamente após foi executado um teste de 1RM. Em seguida o voluntario realizou mais um alongamento estático com duraçâo de 30 segundo e mais um teste de 1RM. Já o grupo controle realizou primeiro o teste de 1RM e, após 30 segundos de descanso, realizou mais um teste de 1RM. Com base nos resultados do estudo, o alongamento estático prévio ao treinamento de força nâo causou perda de força muscular.
Ainda de forma aguda, mas utilizando estratégias com alongamento dinámico, Ayala et al. (2015) examinaram os efeitos de duas rotinas de alongamento (estático: 2 séries de 30 segundos; e dinámico: 2 séries de 15 repetiçöes) de curta duraçâo para os membros inferiores sobre o pico de força em um dinamómetro isocinético, concluindo que rotinas curtas de alongamento dinámico e estático nâo afetam o desempenho da força muscular. Da mesma forma, Santos et al. (2014) estudaram os efeitos agudos de dois protocolos de alongamento dinámico, um com curta duraçâo (2 minutos e 20 segundos) e outro com longa duraçâo (3 minutos e 30 segundos) sobre a força muscular dos membros inferiores (flexão do joelho) em dinamómetro isocinético, observando que o alongamento dinámico, de curta ou de longa duraçâo, não altera o desempenho da força muscular.
De forma crónica, Lustosa et al. (2010) verificaram o impacto do alongamento estático passivo (4 series de 20 segundos) no ganho de força dos músculos extensores de joelho após um programa de treinamento de força com duraçâo de 10 semanas, em mulheres idosas. As voluntárias foram divididas em dois grupos: grupo de treinamento com alongamento prévio; e grupo de treinamento sem alongamento prévio. A força muscular das voluntárias foi medida utilizando-se um dinamómetro isocinético para os músculos flexores e extensores do joelho. Os resultados encontrados por Lustosa et al. (2010) demonstraram que o alongamento estático prévio ao treinamento de força nâo afetou o ganho de força muscular.
Numa tentativa de explicar as possíveis causas para a falta de alteraçöes (positivas ou negativas) induzidas pelo alongamento na força muscular, alguns autores postulam que a duraçâo (Lustosa et al., 2010; Bastos et al., 2014; César et al., 2015a) e/ou a intensidade (Moreira et al., 2021) do protocolo de alongamento possa ser um fator chave, uma vez que rotinas de alongamento de curta duraçâo, com intensidades muito baixas parecem nâo ser suficientes para induzirem alteraçöes nos fatores mecánicos, como a reduçâo na rigidez passiva da unidade músculo-tendínea (Bastos et al., 2014; César et al., 2015a).
Também sâo encontrados na literatura estudos em que o alongamento causou perda, ganho, ou nenhuma alteraçâo da força muscular de acordo da rotina utilizada, como é o caso do estudo realizado Bogdanis et al. (2019), que examinou a influencia do alongamento estático, intermitente (3 series de 30 segundos com 30 segundos de intervalo) ou continuo (uma serie de 90 segundos), sobre a altura do salto contra movimento, concluindo que o alongamento estático intermitente apresentou melhoras no salto contra movimento, enquanto o alongamento estático continuo causou efeitos deletérios sobre a saltabilidade. Da mesma forma, César et al. (2015b), que avaliaram o efeito de duas rotinas de alongamento estático com mesmo volume (AL10s: 3 series de 10 segundos; e AL30s: uma série de 30 segundos) para os músculos quadriceps femoral, isquiotibiais e tríceps sural, sobre amplitude de movimento de flexâo e de extensâo de joelho e sobre a altura do salto contra movimento em homens ativos físicamente, observaram que a rotina de AL30s aumentou a amplitude de movimento e nâo afetou a saltabilidade, enquanto a rotina de AL10s aumentou o desempenho no salto contra movimento, sem alterar a amplitude de movimento.
Comparando tipos de alongamento, estático e dinámico, o estudo de Sekir et al. (2010), que analisou o efeito do alongamento, estático (duas series de 20 segundos com 15 segundos de intervalo entre as series) ou dinámico (duas series com 15 repetiçöes e intervalos de 15 segundos entre as series), sobre a força muscular medida por dinamómetro isocinético, apresentou achados que o alongamento estático promoveu reduçâo do pico de torque e da atividade eletromiográfica muscular, enquanto o alongamento dinámico promoveu melhora no pico de torque e na atividade eletromiográfica muscular. Por outro lado, Walsh (2017), que determinou o efeito do alongamento dinámico (3 series de 12 repetiçöes) e do alongamento estático (90 segundos continuos) sobre a força muscular de membros inferiores, observando que o alongamento dinámico nao alterou a força muscular, porém, o alongamento estático causou efeitos deletérios sobre a mesma.
A melhora dos índices de força com a realizaçao previa do alongamento foi o resultado menos prevalente do levantamento realizado nesta revisao, sendo visto por tres estudos (Sekir et al., 2010; César et al., 2015b; Bogdanis et al., 2019). Diferentemente dos efeitos deletérios, que foram causados exclusivamente por protocolos com alongamento estático, a melhora do desempenho muscular foi causada por alongamento estático intermitente (César et al., 2015b; Bogdanis et al., 2019) e alongamento dinámico (Sekir et al., 2010). Rotinas de alongamento intermitentes podem reduzir a histerese na estrutura músculotendinea, diminuindo a dissipaçao de energia nos tecidos após alongamento, favorecendo assim o desempenho concentrico em exercicios que envolvam o ciclo alongamento encurtamento (César et al., 2015b). Já rotinas com alongamento dinámico podem servir como fonte de potenciaçao pre-ativaçao nos grupamentos musculares submetidos as mesmas, com reflexos diretos na maior ativaçao neural desses músculos (Walsh, 2017).
Como principais limitaçöes observadas no presente estudo, tem-se o emprego de distintas estratégias para realizar o alongamento, número de repetiçöes, séries, tempo de realizaçao, bem como o tipo de método empregado, que trazem uma heterogeneidade aos resultados e dificultam a análise dos dados. Tendo em vista que a manipulaçao dessas variáveis pode alterar a resposta de ambas variáveis (flexibilidade e força), como apontamentos futuros, sugere-se que os trabalhos busquem uma padronizaçao metodológica, a partir dos trabalhos já publicados, objetivando a produçao de resultados que esclareçam de forma mais detalhada os efeitos do alongamento prévio sobre as diferentes manifestaçöes da força muscular.
CONCLUSÖES
A presente revisão sistematica apresenta uma análise qualitativa dos estudos que avaliaram o efeito do alongamento sobre a força muscular em pessoas aparentemente saudáveis. A maioria dos estudos que empregou um protocolo com alongamentos estáticos apresentou uma reduçao no desempenho muscular, seja ele na força máxima isométrica, força máxima dinámica ou potencia muscular. Por outro lado, os estudos que apresentaram melhora do desempenho muscular induzida pelo alongamento utilizaram o alongamento estático intermitente ou o alongamento dinámico, sugerindo esses tipos de alongamento como uma possível estratégia de potenciaçao pre-ativaçâo.
Como implicaçao prática, tem-se em principio a não realizaçâo de exercícios de alongamento, especialmente de forma estática, antes da realizaçâo de atividades com manifestaçâo de força, pois existe uma clara tendencia de prejuízo do rendimento. Em uma periodizaçâo seria recomendável separar os horários de treinamento destas duas qualidades físicas.
No entanto, devido as diferenças metodológicas apresentadas pelos estudos analisados e pela divergencia dos resultados apresentados pelos mesmos, ainda nao é possível estabelecer qual tipo de alongamento seria mais benéfico para a força muscular, nem qual tipo de alongamento seria mais prejudicial, de forma definitiva.
Conflito de interesses: nada a declarar. Financiamento: Fundaçâo Arthur Bernardes (Edital Funarpeq 2018) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (edital PIBIC-UFV 2020).
Recebido: 10/07/2021. Aceite: 15/12/2021.
*Autor correspondente: Instituto de Ciencias Biológicas e da Saúde, Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal, Rodovia LMG 818, km 6, Campus Universitario - CEP: 35690-000 - Florestal (MG), Brasil.
E-mail: [email protected]
REFERENCIAS
Apostolopoulos, N. C., Lahart, I. M., Plyley, M. J., Taunton, J., Nevill, A. M., Koutedakis, Y., Wyon, M., & Metsios, G. S. (2018). The effects of different passive static stretching intensities on recovery from unaccustomed eccentric exercise: a randomized controlled trial. Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism, 43(8), 806-815. https://doi.org/10.1139/apnm-2017-0841
Ayala, F., Ste Croix, M., Sainz de Baranda, P., & Santonja, F. (2015). Acute effects of two different stretching techniques on isokinetic strength and power. Revista Andaluza de Medicina del Deporte, S(3), 93-102. https://doi.org/10.1016/j.ramd.2014.06.003
Barbosa Netto, S., Veloso, L. G., d'acelino-e-Porto, O. S., & Almeida, M. B. de. (2018). Efeito do alongamento unilateral no desempenho de força contralateral. Revista Andaluza de Medicina del Deporte, 11(2), 89-92. https://doi.org/10.1016/j.ramd.2016.05.001
Bastos, C. L. B., Rosário, A. C. S., Portal, M. N. D., Rodrigues Neto, G., Silva, A. J., & Novaes, J. S. (2014). Influencia aguda do alongamento estático no comportamento da força muscular máxima. Motricidade, 10(2), 90-99. http://doi.org/10.6063/motricidade.10(2).3077
Bogdanis, G. C., Donti, O., Tsolakis, C., Smilios, I., & Bishop, D. J. (2019). Intermittent but not continuous static stretching improves subsequent vertical jump performance in flexibility-trained athletes. Journal of Strength and Conditioning Research, 33(1), 203-210. http://doi.org/10.1519/JSC.0000000000001870
César, E. P., Paula, C. A. P., Paulino, D., Teixeira, L. M. L., & Gomes, P. S. C. (2015a). Efeito agudo do alongamento estático sobre a força muscular dinâmica no exercício supino reto realizado em dois diferentes ângulos articulares. Motricidade, 11(3), 20-28. https://doi.org/10.6063/motricidade.2890
César, E. P., Silva, T. K., Rezende, Y. M., & Alvim, F. C. (2018). Comparaçâo de dois protocolos de alongamento para amplitude de movimento e força dinámica. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 24(1), 20-25. https://doi.org/10.1590/1517-869220182401160677
César, E. P., Souza, D. V. B. C., Santos, T. M., & Gomes, P. S. C. (2015b). Efeito agudo de diferentes rotinas de alongamento estático sobre o salto com contramovimento. Revista da Educaçao Física UEM, 26(2), 279-288. https://doi.org/10.4025/reveducfis.v26i2.24606
Chaabene, H., Behm, D. G., Negra, Y., & Granacher, U. (2019). Acute effects of static stretching on muscle strength and power: an attempt to clarify previous caveats. Frontiers in Physiology, 10, 1468. https://doi.org/10.3389/fphys.2019.01468
Di Alencar, T. A. M., & Matias, K. F. S. (2010). Physiological principles of warm-up and muscle stretching on sports activities. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 16(3), 230-234. https://doi.org/10.1590/S1517-86922010000300015
Endlich, P. W., Farina, G. R., Dambroz, C., Gonçalves, W. L. S., Moysés, M. R., Mill, J. G., & Abreu, G. R. (2009). Efeitos agudos do alongamento estático no desempenho da força dinámica em homens jovens. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 15(3), 200-203. https://doi.org/10.1590/S1517-86922009000300007
Fragala, M. S., Cadore, E. L., Dorgo, S., Izquierdo, M., Kraemer, W. J., Peterson, M. D., & Ryan, E. D. (2019). Resistance training for older adults: position statement from the National Strength and Conditioning Association. Journal of Strength and Conditioning Research, 33(8), 2019-2052. https://doi.org/10.1519/JSC.0000000000003230
Leite, T., de Souza Teixeira, A., Saavedra, F., Leite, R. D., Rhea, M. R., & Simâo, R. (2015). Influence of strength and flexibility training, combined or isolated, on strength and flexibility gains. Journal of Strength and Conditioning Research, 29(4), 1083-1088. https://doi.org/10.1519/JSC.0000000000000719
Lopes, C. R., Soares, E. G., Santos A. L. R., Aoki, M. S., & Marchetti, P. H. (2015). Efeitos do alongamento passivo no desempenho de séries múltiplas no treinamento de força. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 21(3), 224-229. https://doi.org/10.1590/1517869220152103145780
Lustosa, L. P., Pacheco, M. G. M., Liu, A. L., Gonçalves, W. S., Silva, J. P., & Pereira, L. S. M. (2010). Impacto do alongamento estático no ganho de força muscular dos extensores de joelho em idosas da comunidade após um programa de treinamento. Revista Brasileira de Fisioterapia, 14(6), 497-502. https://doi.org/10.1590/S1413-35552010000600008
Marchetti, P. H., Mattos, V. J. P., Serpa, E. P., Silva, J. J., Soares, E. G., Paulodeto, A. C., ..., Gomes, W. A. (2015). Alongamento intermitente e continuo aumentam a amplitude de movimento e reduzem a força dos flexores de punho. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 21(6), 416420. https://doi.org/10.1590/1517-869220152106152116
Maroto-Izquierdo, S., García-López, D., Fernandez-Gonzalo, R., Moreira, O. C., González-Gallego, J., & De Paz, J. A. (2017). Skeletal muscle functional and structural adaptations after eccentric overload flywheel resistance training: a systematic review and meta-analysis. Journal of Science and Medicine in Sport, 20(10), 943-951. https://doi.org/10.1016/jjsams.2017.03.004
Moreira, O. C., Cardozo, R. M. B., Vicente, M. A., Matos, D. G., Mazini Filho, M. L., Guimaraes, M. P., ..., Oliveira, C. E. P. (2021). Acute effect of flexibility work prior to resistance training on morphological, functional and electrophysiological indicators of skeletal muscle in young men. Sport Sciences for Health, 18, 193-202. https://doi.org/10.1007/s11332-021-00793-0
Pasqua, L. A., Okuno, N. M., Damasceno, M. V., Lima-Silva, A. E., & Bertuzzi, R. (2014). Impact of acute static-stretching on the optimal height in drop jumps. Motriz: Revista da Educaçao Física, 20(1), 65-70. https://doi.org/10.1590/S1980-65742014000100010
Rubini, E. C., Costa, A. L., & Gomes, P. S. (2007). The effects of stretching on strength performance. Sports Medicine, 37(3), 213-224. https://doi.org/10.2165/00007256-200737030-00003
Santos, C. F., Moser, A. D. L., & Manffra, E. F. (2014). Acute effects of short and long duration dynamic stretching protocols on muscle strength. Fisioterapia em Movimento, 27(2), 281-292. https://doi.org/10.1590/0103-5150.027.002.AO13
Sekir, U., Arabaci, R., Akova, B., & Kadagan, S. M. (2010). Acute effects of static and dynamic stretching on leg flexor and extensor isokinetic strength in elite women athletes. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 20(2), 268-281. https://doi.org/10.1111/j.16000838.2009.00923.x
Silveira, R. N., Farias, J. M., Alvarez, B. R., Bif, R., & Vieira, J. (2011). Efeito agudo do alongamento estático em músculo agonista nos níveis de ativaçâo e no desempenho da força de homens treinados. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 17(1), 26-30. https://doi.org/10.1590/S1517-86922011000100005
Walsh, G. S. (2017). Effect of static and dynamic muscle stretching as part of warm up procedures on knee joint proprioception and strength. Human Movement Science, 55, 189-195. https://doi.org/10.1016/j.humov.2017.08.014
You have requested "on-the-fly" machine translation of selected content from our databases. This functionality is provided solely for your convenience and is in no way intended to replace human translation. Show full disclaimer
Neither ProQuest nor its licensors make any representations or warranties with respect to the translations. The translations are automatically generated "AS IS" and "AS AVAILABLE" and are not retained in our systems. PROQUEST AND ITS LICENSORS SPECIFICALLY DISCLAIM ANY AND ALL EXPRESS OR IMPLIED WARRANTIES, INCLUDING WITHOUT LIMITATION, ANY WARRANTIES FOR AVAILABILITY, ACCURACY, TIMELINESS, COMPLETENESS, NON-INFRINGMENT, MERCHANTABILITY OR FITNESS FOR A PARTICULAR PURPOSE. Your use of the translations is subject to all use restrictions contained in your Electronic Products License Agreement and by using the translation functionality you agree to forgo any and all claims against ProQuest or its licensors for your use of the translation functionality and any output derived there from. Hide full disclaimer
© 2022. This work is published under https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ (the “License”). Notwithstanding the ProQuest Terms and Conditions, you may use this content in accordance with the terms of the License.
Abstract
O presente trabalho teve por objetivo revisar sistemáticamente a literatura, para avaliar o efeito do alongamento sobre a força muscular de pessoas saudáveis. Foram consultadas as fontes de dados: PubMed, Scopus e Scielo, utilizando-se os critérios de elegibilidade: intervençâo com alongamento e medida de desempenho da força muscular, em pessoas saudáveis. Foram incluidos 18 estudos, que atenderam os critérios. Os tipos de alongamento utilizados foram o estático continuo 20%, estático intermitente 60% e o dinámico 20%. Os tipos de força avaliados foram: força máxima isométrica (12,5%), força máxima dinámica (66,66%) e potencia muscular (20,83%). 5,5% dos estudos demonstraram aumento da força muscular após o alongamento; 38,8% apresentaram reduçâo, após o alongamento estático; 38,8% não observaram alteraçâo; e 16,6% apresentaram aumento ou reduçâo da força muscular dependendo do tipo de alongamento utilizado. Com base nos trabalhos analisados a realizaçâo de alongamento estático de forma prévia ao treinamento de diversas manifestaçöes de força tenderam a reduzir ou nao alterar o desempenho muscular. Não foi encontrada uma sinalizaçao clara que o alongamento realizado antes do treino de força promova uma melhora de rendimento muscular.