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A indústria metalomecânica é um setor fundamental para a economia. Ocupa um lugar chave na cadeia de produção, gerando produtos finais e matérias-primas para os inúmeros sectores da indústria, a jusante. Sendo um setor com elevado número de acidentes, considera-se de muito importância compreender este fenómeno.
Tendo em conta, a falta de trabalho de investigação sistemática sobre o tema e na perspetiva de identificar as principais causas de acidentes na indústria metalomecânica, o objetivo global deste trabalho foi efetuar uma primeira análise sistemática das principais causas de acidente na indústria metalomecânica (CAE 25) em Portugal. Tendo por objetivos secundários: adaptar, testar e aplicar um inquérito de análise de acidentes de preenchimento rápido e baseado nas EEAT; caracterizar os acidentes de trabalho na indústria metalomecânica; identificar as principais causas de acidente na indústria metalomecânica (CAE 25) e contribuir para uma melhor informação relativa aos acidentes de trabalho na indústria metalomecânica.
Este estudo teve por base três fases estruturantes: (1) uma pesquisa bibliográfica, sobre a problemática dos acidentes de trabalho com enfoque na indústria metalomecânica, (2) uma recolha sistemática de dados através de inquéritos, com preenchimento assistido, a trabalhadores sinistrados no ano de 2011 ao que se seguiu o (3) tratamento estatístico dos dados.
Na indústria metalomecânica, a concentração dos acidentes de trabalho dá-se na produção, no pessoal que diretamente manipula os materiais e as máquinas, sendo os mais inexperientes, aqueles que têm mais acidentes de trabalho. Verificou-se ainda que a maioria das ocorrências se dá próximo da hora de saída laboral.
As feridas abertas e as lesões superficiais são as mais frequentes, sendo os olhos a parte do corpo mais atingida. Estando os trabalhadores consciencializados para a ocorrência deste tipo de acidentes, mas não para a gravidade que daí pode advir, talvez devido ao facto de a maioria dos acidentes, relativamente aos dias perdidos, ter valores inferiores a 1 dia.
Para que diminuam os acidentes, os empresários devem estar conscientes que os acidentes representam custos de produção acrescidos. Desta forma, a prevenção deve ser um investimento, passando pela participação de todos os quadros da empresa nas ações de formação e sensibilização, incluindo os órgãos de gestão, e não apenas os trabalhadores.