INTRODUÇÃO
A incontinência urinária (IU) é definida como qualquer perda involuntária de urina que pode ocorrer associada ou não a esforços. Entre os fatores ligados ao seu aparecimento, muitos não se relacionam diretamente ao trato geniturinário, mas aos efeitos cumulativos de prejuízos em vários órgãos e sistemas,. O registro de cirurgias ou deformidades pélvicas, multiparidade e hipoestrogenismo interferem negativamente na função esfincteriana da bexiga e tornam a condição mais frequente em mulheres idosas. A IU é considerada uma das mais importantes síndromes geriátricas, também acomete os homens idosos e se apresenta como uma condição multifatorial-.
Na prática clínica, a ocorrência da IU parece ser constantemente negligenciada e, ainda, é bastante estigmatizada,. Comumente, portadores de IU sentem-se constrangidos pelo medo do odor, de parecer sujos e, nos homens, de ser vistos como impotentes. Nesse contexto, perpetua-se um impacto negativo na qualidade de vida do paciente idoso, para quem a IU representa um importante problema higiênico e social. A respeito dessas repercussões negativas, um estudo evidenciou que a presença de IU está associada à menor satisfação com a vida entre idosos não institucionalizados.
Cabe ressaltar que os impactos da IU não se restrigem à esfera individual, mas também estão relacionados à maior sobrecarga dos cuidadores. Salienta-se que a IU é erroneamente vista como um processo natural do envelhecimento,. Todavia, pode ser evitada, postergada e, até mesmo, tratada. Assim, recomenda-se uma abordagem multiprofissional para a prevenção, avaliação e tratamento, com vistas à redução da prevalência e aos benefícios para os indivíduos e suas famílias.
O profissional de saúde desempenha um papel fundamental no reconhecimento precoce da IU. A relação bem estabelecida com os idosos pode favorecer a identificação do tipo de incontinência e o tratamento imediato. Torna-se necessário investir em estratégias para o autocuidado, promover a prática regular de atividades físicas que melhorem a capacidade funcional dos idosos e verificar os efeitos farmacológicos dos medicamentos. Por sua vez, familiares e cuidadores podem colaborar nessa situação: devem estar atentos aos sinais de perda urinária e otimizar a mobilidade dos idosos ao banheiro.
Quanto às evidências sobre o assunto, pesquisa realizada nos Estados Unidos com idosos não institucionalizados com idade superior a 65 anos revelou a presença de perda urinária em mais da metade das mulheres e em mais de um quarto dos homens. No Brasil, estudos acerca da prevalência da IU nesse grupo ainda são escassos-. Não existem pesquisas sobre o tema para essa população na região norte do Estado de Minas Gerais – cenário do atual trabalho, onde se desconhecem a prevalência real e os fatores associados.
Como parece haver fatores associados à IU que são específicos para cada sexo, conhecê-los é relevante para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e de tratamento mais direcionadas e, consequentemente, mais bem-sucedidas. Logo, é indubitável a necessidade de investigações sobre o assunto, pois apresentam consideráveis implicações para as políticas públicas e assistência em saúde quanto à prevenção, ao tratamento precoce e à redução das consequências da IU para a população idosa. O conhecimento dos fatores associados é essencial para o melhor entendimento desse problema de saúde pública, principalmente pelo fato de a IU ser sub-relatada, pela falta de esclarecimento sobre a existência de tratamento e por ser encarada como parte do processo natural do envelhecimento.
Sendo assim, o presente estudo teve como objetivo identificar a prevalência da IU e os fatores associados para cada sexo entre idosos não institucionalizados.
METODOLOGIA
Este estudo é parte de uma análise das condições de saúde de idosos não institucionalizados residentes no norte de Minas Gerais. Foi conduzido no município de Montes Claros, principal polo urbano da região. Trata-se de uma pesquisa transversal, de base populacional, com dados coletados entre maio e julho de 2013 por meio de visitas domiciliares.
O processo de amostragem foi probabilístico, por conglomerados e em dois estágios. No primeiro estágio, utilizou-se como unidade amostral o setor censitário e foram selecionados aleatoriamente 42 setores censitários, entre os 362 setores urbanos do município. No segundo estágio, definiu-se o número de domicílios de acordo com a densidade populacional de indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos. Nessa etapa, os setores com maior número de idosos tiveram mais domicílios alocados, de forma a produzir uma amostra mais representativa. Para definição do domicílio a ser investigado, o setor sorteado era percorrido a partir de seu ponto inicial, de forma a visitar os domicílios de forma alternada. No domicílio visitado, caso houvesse idoso, este era convidado a participar do estudo; caso não houvesse, era selecionado o próximo domicílio, seguindo o critério de domicílios alternados. Se no domicílio residisse mais de um idoso, era selecionado o de maior idade.
O número total de idosos alocados para o estudo considerou: prevalência conservadora de 50% para o evento estudado (IU), população estimada de 30.790 idosos (segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2010), margem de erro de 5% e nível de confiança de 95%. Como se trata de uma amostragem por conglomerados, o número identificado foi multiplicado por um fator de correção (deff) de 1,5 e acrescido de 15% para eventuais perdas. O número mínimo de indivíduos para o estudo, definido pelo cálculo amostral, foi de 656.
Os critérios de inclusão foram: ter idade igual ou superior a 60 anos e ser residente na área selecionada. Foram excluídos os idosos com incapacidade cognitiva, segundo a avaliação da família, com déficit auditivo não corrigido que impedia o entendimento das perguntas e aqueles gravemente enfermos e acamados. Foram considerados como perdas os idosos não disponíveis em pelo menos três visitas, em dias e horários diferentes, mesmo com agendamento prévio.
A coleta de dados foi realizada no domicílio do idoso por entrevistadoras, com formação profissional de nível superior, previamente capacitadas e calibradas, que percorreram os setores censitários a partir de um ponto previamente definido, por sorteio, em cada setor censitário. O instrumento foi elaborado com base no utilizado no inquérito telefônico “Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas” (Vigitel), do Ministério da Saúde. Foi previamente testado em estudo-piloto em um setor censitário especialmente sorteado, porém os dados não foram incluídos no trabalho final.
A variável dependente avaliada neste trabalho foi a presença de IU autorreferida, identificada por meio de resposta positiva à seguinte pergunta: “Você tem problema de perder o controle da urina sem querer ou de segurar urina?”.
As variáveis independentes estudadas para ambos os sexos foram:
- Sociodemográficas: idade; cor da pele autorreferida; situação conjugal; arranjo familiar (condição de residir sozinho ou com outras pessoas); renda familiar; escolaridade (anos de estudo);
- Relativas à saúde: ocorrência de queda no último ano; medo de cair; andar com ou sem auxílio; presença de morbidades crônicas autorreferidas (hipertensão, diabetes mellitus, artrite/artrose/reumatismo e osteoporose); autopercepção do estado de saúde; fragilidade; sintomas depressivos.
Averiguaram-se os sintomas depressivos por meio da Escala Geriátrica de Depressão, que possui 15 questões. Tal instrumento também já foi validado nacionalmente e é composto por perguntas negativas/afirmativas. O resultado de seis ou mais pontos indica sintomatologia depressiva. Dessa forma, o ponto de corte adotado neste trabalho foi 5/6 (não/sim – equivalente à não caso/caso),.
As informações coletadas foram analisadas no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 17.0 (SPSS for Windows, Chicago, EUA). Inicialmente, foi realizada análise descritiva dos dados. Por intermédio da análise bivariada, investigou-se a existência de associação estatística entre a variável dependente (IU) e as demais variáveis, utilizando-se o Teste do Qui-quadrado de Pearson. Por meio da análise bivariada, selecionaram-se as variáveis associadas a p<0,20, que foram consideradas elegíveis para a análise múltipla. Para a análise múltipla, foi adotada a regressão logística, na qual todas as variáveis elegíveis (p<0,20) foram incluídas ao mesmo tempo e, posteriormente, foram retiradas uma a uma conforme os valores de p, sempre retirando aquela de valor p mais alto (Backward Wald). No modelo final, foram mantidas as variáveis que apresentaram associação com IU até um nível de significância de 5% (p<0,05).
O projeto desta pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros e aprovado mediante o parecer do processo de nº 173397. Todos os participantes foram orientados sobre a pesquisa e apresentaram sua anuência, por meio da assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Quando o idoso não podia assinar, alguém da família assinava o termo, consentindo a entrevista para a coleta de dados.
RESULTADOS
A amostra de idosos do estudo foi de 686 indivíduos, dos quais 445 (64,9%) eram do sexo feminino. A idade predominante para ambos os gêneros foi de 60 a 69 anos, com média de 70,9 anos (DP±8,08), e a cor da pele autorreferida mais citada foi a parda. Os homens, em sua maioria, afirmaram ser casados, enquanto as mulheres, viúvas. Prevaleceu, para ambos os gêneros, a escolaridade entre um e quatro anos. Essas e outras características sociodemográficas são apresentadas na Tabela 1.
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As principais características do grupo estudado em relação às condições de saúde são mostradas na Tabela 2. A prevalência global de IU foi de 28,3%. Entre os homens idosos, identificou-se a prevalência de 23,2%, e entre as mulheres idosas, 31,1%. Elas também tiveram maiores frequências para todos os problemas de saúde avaliados.
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As Tabelas 3 e 4 apresentam os resultados das análises bivariadas que buscaram associação entre características sociodemográficas, condições de saúde e presença de IU para homens e mulheres, respectivamente.
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Após a análise múltipla, estiveram associadas à IU as variáveis que permaneceram significativas no modelo final (p≤0,05). Entre os homens foram: andar com auxílio (OR=2,97; IC95%=1,15-7,71; p=0,025), relato de queda no último ano (OR=2,10; IC95%=1,06-4,48; p=0,040) e fragilidade (OR=5,00; IC95%=2,26-11,11; p=0,001). Já entre as mulheres foram: autopercepção negativa do estado de saúde (OR=2,48; IC95%=1,29-4,66; p=0,006), relato de artrite/artrose/reumatismo (OR=1,62; IC95%=1,04-2,52; p=0,031) e fragilidade (OR=3,51; IC95%=2,05-6,02; p=<0,001) (Tabela 5).
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DISCUSSÃO
Neste estudo, verificou-se alta prevalência de IU, global e especificamente, entre homens e mulheres. Na literatura, a prevalência de IU varia significativamente entre os diversos trabalhos, muito em virtude das características da amostragem utilizada e da abordagem metodológica. Em estudos internacionais, variou de 6,5 a 41% entre as mulheres idosas não institucionalizadas e de 4,6 a 27% entre os homens idosos. Considerando estudos mais recentes realizados no Brasil, a prevalência de IU variou de 12,6 a 57,4% entre as mulheres idosas e de 9,2 a 18,3% entre os homens idosos não institucionalizados. Em outra investigação, 29,4% dos idosos relataram perda urinária, sendo 36,3% no sexo feminino e 17% no masculino. Um inquérito revelou que a IU é um sintoma comum à população idosa, com prevalência de 11,8% entre homens e de 26,2% entre mulheres. Outra pesquisa, realizada apenas entre idosas, encontrou prevalência ainda mais elevada: 40%.
Assim, as idosas costumam ser mais afetadas, embora a prevalência em ambos os sexos seja expressiva. Essa maior prevalência de IU nas idosas ocorre porque as mulheres são mais predispostas a desenvolver esse agravo do que os homens. Isso advém das diferenças no comprimento uretral e na anatomia do assoalho pélvico, de efeitos da gestação e do parto sobre os mecanismos de continência e de alterações hormonais, caracterizadas pelo esgotamento dos folículos ovarianos e hipoestrogenismo progressivo. Ainda, muitas mulheres consideram erroneamente a IU como um fenômeno normal do próprio envelhecimento. Adicionalmente, grande proporção de queixas de IU estão relacionadas ao esforço físico (IU de esforço), o que contribui para as diferenças de prevalências entre os sexos,.
O fato de andar com auxílio e o relato de queda no último ano mostraram interferência na ocorrência de IU entre idosos do sexo masculino. Um estudo demonstrou que os pacientes idosos que necessitavam de auxílio para se locomover, tais como bengala ou outros dispositivos, tiveram maior chance de apresentar IU, em comparação àqueles que eram capazes de andar sem auxílio. As alterações de mobilidade dificultam o acesso desses idosos ao banheiro e, dessa forma, podem predispor à perda involuntária de urina.
A referida associação entre a IU e o relato de quedas também foi identificada em outros inquéritos,. Algumas das explicações são a necessidade mais frequente desses idosos de urinar e a incapacidade de adiamento da micção, o que os obriga a ir ao banheiro com mais frequência e/ou urgência, expondo-os à maior propensão para quedas. Outra hipótese é a de que o medo de perder urina resulte em deslocamentos mais bruscos, rápidos e menos cuidadosos, predispondo o idoso a quedas. Todavia, as causas dessa associação ainda não são suficientemente claras. A ocorrência de quedas, por sua vez, também pode culminar em fraturas e limitações da mobilidade, o que afeta a locomoção e o acesso ao banheiro.
Verificou-se outra importante associação neste estudo: entre a autopercepção negativa do estado de saúde e a prevalência de IU nas idosas. Na literatura, pesquisas também apresentam esse resultado,. A perda involuntária de urina pode causar isolamento social, alterações no sono e na sexualidade. Um inquérito com 1.094 mulheres idosas na Turquia mostrou ainda que a IU afeta as atividades de vida diária. No referido inquérito, 13,7% das idosas relataram ter caído ao levantar-se do vaso sanitário, 34,3% sentiam vergonha e 46,5% restringiam a ingestão de líquidos em virtude da ocorrência de IU. Há evidências de que a IU também pode estar associada à ocorrência de ansiedade e depressão,,.
Ressalta-se que a autopercepção da saúde se configura como um indicador confiável utilizado em inquéritos de saúde e que, embora subjetivo, fornece uma medida eficaz, rápida e de baixo custo à avaliação da saúde de grupos populacionais. Diz respeito à forma como o indivíduo vê seu estado geral, abrangendo as dimensões biológica, psicológica e social. Ademais, fatores associados à autopercepção negativa da saúde podem concomitantemente propiciar o surgimento de sintomas depressivos entre as idosas. Desse modo, os resultados da atual investigação alertam para a necessidade de cuidados para com as idosas que possuem IU e que avaliaram negativamente sua própria saúde. Atenção especial deve ser dada ao idoso que não avalia positivamente sua condição de saúde, almejando um melhor manejo das condições crônicas e das incapacidades para promover qualidade de vida e aumento da longevidade.
De maneira similar a este trabalho, outros estudos também encontraram associação entre a IU e o relato de artrite, artrose e reumatismo entre as mulheres idosas,. A osteoartrose é descrita como a doença articular mais comum, especialmente entre indivíduos idosos. Trata-se de uma doença multifatorial que, em alguns casos, pode levar à incapacidade funcional significativa. Manifesta-se comumente por dor, rigidez matinal, edema e deformidades, perda da função, insegurança e instabilidade. Sabe-se que as mulheres têm, em geral, doença mais severa que o homem. A limitação na marcha e a dependência para deambular podem ser fatores implicados na associação de tais agravos com a IU, ao dificultar o acesso ao banheiro,. Diante dessa situação, revela-se a necessidade de uma assistência de melhor qualidade, que poderia levar a um aumento na expectativa de vida livre de incapacidade em idosos.
Este estudo evidenciou associação entre fragilidade e IU, tanto em homens quanto em mulheres. Sabe-se que essa síndrome abrange os domínios físico, psicológico e social, caracterizando-se, em última análise, por favorecer uma evolução desfavorável diante de agressões externas e de doenças, podendo deteriorar a qualidade de vida do idoso. Tipicamente, a IU no idoso é o resultado final de diversos fatores de risco subjacentes, e a manutenção da continência depende, dentre outros fatores, da cognição, de uma mobilidade adequada e de um ambiente apropriado e seguro. Nesse contexto, há importante relação entre os critérios de fragilidade e a IU, como já foi demonstrado por outros autores,, de modo que a fragilidade pode favorecer a ocorrência de IU, e vice-versa.
É válido informar que a fragilidade é reconhecida como uma síndrome geriátrica multidimensional, a qual resulta em vulnerabilidade e maior chance de ocorrência de desfechos clínicos adversos, como a IU. Todo esse contexto também pode repercutir negativamente na qualidade de vida do idoso. Assim, é necessário que os profissionais de saúde realizem a identificação oportuna de idosos com maior grau de fragilidade, a fim de que sejam prestados os cuidados mais apropriados.
Por fim, embora este inquérito possua um caráter pioneiro no cenário investigado, há limitações que devem ser consideradas. Trata-se de um estudo transversal que avalia apenas associação entre variáveis, sem possibilidade de definir relação de causalidade. As variáveis foram aferidas por informações autorreferidas pelos idosos, e, apesar de ser um procedimento válido e utilizado em diversos trabalhos, há a limitação da memória como fator que interfere negativamente. A baixa escolaridade do grupo estudado também pode ser considerada uma limitação, pois pode comprometer a compreensão das questões investigadas e a qualidade das respostas. Todavia, apesar dessas limitações, realizou-se uma investigação de base domiciliar, conduzida com um seguimento crescente da população nacional, em uma região que até então não contava com estudos dessa natureza.
CONCLUSÃO
A IU foi um problema de elevada prevalência em idosos de ambos os sexos. Fatores relativos às condições de saúde estiveram associados à ocorrência de IU para cada sexo, o que evidencia a importância de uma abordagem que enfatize as diferenças entre homens e mulheres no contexto do desenvolvimento de doenças. Ainda, evidenciou-se uma relevante associação da IU com a fragilidade entre os idosos, tanto em homens quanto em mulheres.
Nesse contexto, conhecer os fatores investigados neste trabalho é fundamental para planejar ações direcionadas aos grupos mais vulneráveis, estabelecendo ações mais eficazes, além de uma assistência em saúde que reconheça as especificidades e seja de melhor qualidade.
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Jair Almeida Carneiro
Departamento de Saúde Mental e Saúde Coletiva, Universidade Estadual de Montes Claros - Montes Claros (MG), Brasil.Universidade Estadual de Montes Claros
Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros - Montes Claros (MG), Brasil.Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros
Gizele Carmem Fagundes Ramos
Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros - Montes Claros (MG), Brasil.Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros
Ana Teresa Fernandes Barbosa
Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros - Montes Claros (MG), Brasil.Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros
Departamento de Clínica Médica, Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) - Montes Claros (MG), Brasil.Universidade Estadual de Montes Claros
Sarah Magalhães Medeiros
Curso de Graduação em Medicina, Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) - Montes Claros (MG), Brasil.Universidade Estadual de Montes Claros
Cássio de Almeida Lima
Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Saúde, Sociedade e Ambiente, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) - Diamantina (MG), Brasil.Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
Fernanda Marques da Costa
Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros - Montes Claros (MG), Brasil.Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros
Departamento de Enfermagem, Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) - Montes Claros (MG), Brasil.Universidade Estadual de Montes Claros
Antônio Prates Caldeira
Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros - Montes Claros (MG), Brasil.Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros
Departamento de Saúde da Mulher e da Criança, Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) - Montes Claros, MG, Brasil.Universidade Estadual de Montes Claros
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©2017. This work is published under https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ (the “License”). Notwithstanding the ProQuest Terms and Conditions, you may use this content in accordance with the terms of the License.
Abstract
Introduction
Urinary incontinence is one of the most important geriatric syndromes. However, in clinical practice it seems to be neglected and there are no studies in the North of Minas Gerais. The aim was to identify the prevalence of urinary incontinence and associated factors for each sex among non-institutionalized elderly.
Methods
A population-based cross-sectional survey conducted in Montes Claros, Minas Gerais. The information was analyzed with the program Statistical Package for the Social Sciences, version 17.0, with descriptive analysis and, subsequently, bivariate analysis and multiple analysis through logistic regression.
Results
A prevalence of 23.2% was found among elderly men and 31.1% among elderly women. They were associated with urinary incontinence in the elderly: walk with assistance, report of fall in the last year, fragility. Among the elderly women, the associated factors were: negative self-perception of health, arthritis/arthrosis/rheumatism, fragility.
Conclusion
There was a high prevalence of urinary incontinence in the elderly of both sexes. Individual health conditions factors were associated with the occurrence in each sex, evidencing the need for effective assistance that recognizes such specificities.