Content area
Abstract
Neste fim de século o homem debate-se com problemas complexos resultantes das suas múltiplas actividades e do uso que tem feito dos muitíssimos recursos que a Natureza lhe tem oferecido. Na ânsia de tudo querer, o homem tem provocado agressões de todo o tipo á Natureza, cujas consequências são visíveis por todo o lado; outras, embora ainda não visíveis, são já previsíveis os seus efeitos e, outras estão, ainda, fora do alcance das previsões do homem.
É neste contexto que se torna cada vez mais evidente que só um conhecimento rigoroso "(...) das solidariedades profundas que ligam o homem ao seu meio" (Pelt, 1991: 27), uma grande vontade de modificar atitudes e comportamentos e de promover valores como o respeito e a solidariedade, poderão evitar que se caminhe para a destruição da Terra, esta "(... ) nave espacial, que apenas pode contar com os recursos que ela própria transporta (...}" (Pelt, 1991 :63).
A Ecologia Humana, pela visão sistémica que tem das inter-relações do homem com o meio e pelo carácter interdisciplinar que lhe está subjacente, desempenha um papel importante nesta árdua tarefa de adaptação do homem á sociedade que ele próprio criou e que tem que ser feita em perfeita articulação com a Natureza, se quiser que a espécie humana sobreviva porque "Tudo o que acontece à terra acontecerá aos filhos da terra. o homem não teceu a rede da vida, ele é só um dos seus fios. Aquilo que ele fizer à rede da vida ele o faz a si próprio." (Carta do Chefe Seatle, in Roberto, 1978).
Caminhar neste sentido só é possível se, cada vez mais, os cidadãos de todo o mundo tiverem acesso a uma educação que seja promotora de uma sólida consciência ecológica que, desde muito cedo, nomeadamente desde o início da escolaridade e ao longo de toda a sua vida (educação permanente), os torne conscientes e reocupados com o ambiente, ao mesmo tempo que lhes fornece conhecimentos e desenvolve aptidões que lhes permitam resolver problemas actuais e prevenir problemas futuros. Este é o caminho que a Educação Ambiental pretende trilhar e é neste âmbito que surge o estudo que se apresenta.
Na medida em que a Educação Ambiental não é um conteúdo programático nem uma disciplina escolar, os seus ensinamentos devem ser transversais a todas as disciplinas de qualquer currículo, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis, conscientes das suas relações de interdependência com o meio e preocupados com o futuro das gerações vindouras. Por outro lado, a consciencialização ecológica tem vindo a ganhar terreno no mundo actual deixando de ser um atributo de alguns para passar a ser um atributo de muitos. Por fim, vive-se no momento presente em Portugal, uma fase de implementação da Reforma do Sistema Educativo, nomeadamente da Reforma Curricular, donde resultam, em princípio, alterações qualitativas nos programas que traduzem, em nosso entender, as novas realidades e preocupações sociais. Nesta fase, a maioria dos alunos que se encontra actualmente na Escola iniciou a sua escolaridade antes da Reforma Curricular mas vai terminá-la tendo experimentado os novos programas.





