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Do Latim albus (“branco”), o albinismo resulta duma mutação genética que compromete a produção da melanina – elemento bioquímico responsável pela pigmentação da pele, dos olhos e do cabelo. Assim, pessoas com o Albinismo Oculocutâneo – o principal e em foco neste estudo – nascem com a aparência “branca”, independentemente da aparência dos progenitores. Ora, em muitos contextos (não só o africano), este facto de nascerem “brancos” de progenitores “nãobrancos”, além de reforçar a sua visibilidade (pela diferença), tem alimentado crenças e comportamentos discriminatórios. Em Moçambique, os “albinos” são mortos à nascença (infanticídio), os que escapam vivem estigmatizados e perseguidos pelo “mercado da bruxaria”. É um cenário que sugere a tese de que o tratamento dado às pessoas com albinismo é consequência das representações sociais sobre a sua condição. Este estudo foi, então, realizado com o objetivo de compreender a dialética existente entre as representações do albinismo e as atitudes sociais perante os indivíduos. Que representações sociais há do albinismo, e que relações tais representações têm com a estigmatização e a perseguição das pessoas em Moçambique?Através do Inquérito Narrativo, num estudo de casos envolvendo 28 participantes com albinismo, 7 médicos tradicionais e 7 instituições humanitários, foi possível apurar que o albinismo é conotado com perigo, feitiçaria, adultério, maldição, mas também com os “corpos crepúsculos” com utilidades mágico-terapêuticas. Portanto, são representações que suscitam estigmatismos e aproveitamentos dos indivíduos para a bruxaria. Em muitas destas representações nega-se a humanidade das vítimas, tornando-se difícil falar de direitos humanos antes da desmistificação social do albinismo.