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A resiliência e o auto-conceito em adolescentes institucionalizados são duas variáveis individuais que assumem uma estreita relação com factores ambientais. A qualidade da ligação que estabelecem com as suas figuras significativas de afecto, as actuais figuras cuidadoras e educadoras constitui um impulsionador de bem-estar pessoal e fortalecimento psicossocial dos jovens. O objectivo do presente estudo visou analisar em que medida os adolescentes institucionalizados e pertencentes a famílias intactas, estabelecem relações de qualidade com as figuras significativas de afecto tais como, os professores, funcionários da escola e funcionários da instituição. E fazem face às adversidades formando um autoconceito positivo, e desenvolvendo processos resilientes. Para tal, recorreu-se a uma amostra de 449 adolescentes (247 famílias intactas e 202 institucionalizados), com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos de ambos os sexos (M=14.72; DP=1.63). Entre os adolescentes, 249 pertencem ao género feminino (55.5%) e 200 ao género masculino (45.5%). No que concerne à configuração familiar, 247 dos adolescentes provêm de famílias intactas (55%) e 202 adolescentes encontram-se institucionalizados (45%). A recolha de dados realizou-se através da aplicação de questionários de auto-relato: a “ Resilience Scale” de Wagnild e Young (1993), adaptada por Felgueiras (2008), para avaliar a adaptação psicossocial dos adolescentes face a situações adversas, o “Inventário Clínico de Auto-Conceito” de Serra (1986) para avaliar o auto-conceito e o “Questionário da Ligação Professores e Funcionários ” (QLPF) construído por Mota e Matos (2005), que avalia a qualidade das ligações a figuras significativas para além das figuras parentais. Os resultados foram discutidos à luz da teoria da vinculação e da perspectiva ecológica, assumindo que a qualidade das relações com as figuras significativas de afecto desempenha um papel relevante no auto-conceito e no desenvolvimento de processos resilientes dos adolescentes.