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Abstract
A Assembleia Constituinte portuguesa de 1975/76 foi um órgão colegial eleito pelo povo para elaborar, aprovar e decretar a lei fundamental do país, após um curto período de transição que sobreveio ao fim do Estado Novo. As mais de quatro décadas de vigência do Estado Novo imprimiram uma matriz civilizacional espartilhada através da metódica inculcação ideológica e adequação legislativa conducente ao controlo e unificação dos pensamentos e dos ritos. Assim, a seu cargo esteve uma verdadeira mudança de paradigma. É precisamente esta suma responsabilidade que marca indelevelmente os discursos dos deputados da Constituinte, tempo entre dois tempos: o passado e o futuro. Sendo o discurso histórico marcado, ainda que involuntariamente, pelas nostalgias e utopias do presente, a análise do argumento da História nos debates afigura-se como um instrumento para melhor compreender o pulsar da sociedade de então.





