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A língua portuguesa mergulha as suas raízes no indo-europeu e está umbilicalmente ligada à língua latina. Não é de estranhar, portanto, que apresente muitas parecenças com as suas irmãs, também elas línguas românicas. Semelhanças à parte, a língua portuguesa tem um bilhete de identidade próprio, um código genético que a diferencia das demais: é que as expressões idiomática (EI) (um número significativo), mais do que o infinitivo pessoal e os clíticos pronominais, constituem a alma da língua portuguesa. Termos como português língua materna (PLM), português língua segunda (PL2) e português língua estrangeira(PLE), embora apontem para situações de aquisição, ensino e aprendizagem diferenciadas, designam a mesma realidade, no caso o português, na sua unidade e diversidade. Preferimos a terminologia simplificada português língua materna (PLM) e português língua não materna (PLNM), cabendo nesta última todas as situações em que o português não é língua materna.
A fraseologia é um ramo da linguística e tem em Bally (1909) e Vinogradov (1946-1947) os seus principais precursores. Quem lê Corpas Pastor (2000) e Burger et. al. (2007) julgará que não existem estudos fraseológicos sobre o português. Todavia, a fraseologia portuguesa, como estudo filológico de frases feitas (maioritariamente EI e provérbios), terá dado os primeiros passos nos anos 80 do século XIX com José Leite de Vasconcelos. Para designar o objeto geral da fraseologia, adotamos o termo unidade fraseológica (UF); em relação às unidades de sentido figurado, assumimos a designação expressão idiomática(EI), sobretudo por razões pedagógicas.
Das três competências comunicativas do Quadro Europeu Comum de Referência (QECR) (linguísticas, sociolinguísticas e pragmáticas) emerge uma quarta – a fraseológica -, que se consubstancia no uso de fórmulas de rotina, provérbios e EI. Defendemos um contacto natural e progressivo com as EI desde os primeiros níveis de aprendizagem, para que o utilizador de PLM e PLNM as apreenda como elementos intrínsecos da língua.
A análise dos dados que recolhemos mostra-nos que nem em contextos de PLM a competência fraseológica é um dado adquirido: apresenta estádios de desenvolvimento deficitários, sendo necessário complementar atempadamente a aquisição natural de UF com um ensino promotor de competências comunicativo-fraseológicas.
Feita a análise a diversos materiais didáticos (dicionários, manuais, programas de rádio/televisão e sítios da internet), concluímos que há ainda muito a fazer nesta área. Por isso, produzimos 20 Atividades dirigidas a aprendentes de vários níveis, para desenvolvimento de competências linguísticofraseológicas em PLM e PLNM.