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Abstract
A espondiloartrite axial (axSpA) é uma doença reumática inflamatória, caracterizada principalmente pelo envolvimento da coluna e articulações sacroilíacas, e geralmente apresenta-se como dor crónica nas costas e rigidez. À medida que a doença progride, a mobilidade da coluna vertebral e a função física são prejudicadas podendo afetar as atividades da vida diária. A genética e os fatores ambientais (microbiota e microtrauma) são as causas conhecidas da suscetibilidade e progressão da doença. Esta tese teve como objetivo melhorar o nosso conhecimento atual da fisiopatologia da axSpA, caracterizando as propriedades musculares axiais e periféricas e identificando biomarcadores genéticos e proteicos que possam explicar tais propriedades. Realizamos um estudo transversal com 54 participantes: 27 pacientes com axSpA e 27 controles saudáveis (HC), pareados por idade, sexo e nível de atividade física. Dados epidemiológicos, clínicos e de caracterização muscular (propriedades físicas musculares, força, massa e desempenho) foram registados e comparados entre pacientes com axSpA e HC. Foi ainda colhido sangue periférico para abordagens ómicas. A transcriptómica e a proteómica foram realizadas por sequenciação de RNA e tecnologias de espectrometria de massa, respectivamente. Os nossos resultados indicam que pacientes com axSpA (idade média de 36,5 (DP 7,5) anos, 67% do sexo masculino e duração média da doença de 6,5 (3,2) anos) não apresentaram diferença significativa na rigidez muscular segmentar em comparação com os HC, apesar de apresentarem uma discreta menor rigidez lombar. Pacientes com axSpA, comparados com os HC, apresentaram menor força total, bem como menor força nos membros superiores e inferiores, independentemente das propriedades físicas dos músculos. Os pacientes também apresentaram velocidades de marcha significativamente menores do que o HC. As características da marcha podem representar um potencial biomarcador em pacientes com axSpA. A análise de enriquecimento de genes expressos diferencialmente permitiu revelar vias metabólicas significativas (como sinalização de IL6 e vias do sistema imunológico) com papel patológico para esse grupo de pacientes. Salienta-se ainda que níveis séricos aumentados de várias citocinas pró-inflamatórias em pacientes com axSpA foram observados em correlação adequada com os parâmetros de atividade da doença. Além disso, foram identificados genes expressos diferencialmente associados ao músculo (como NACA, FRG1 e ARPC5L) desempenham papeis no desenvolvimento de miotubos e montagem de actina, afetando eventualmente a força muscular em pacientes com axSpA. Finalmente, a integração dos resultados da transcriptómica e da proteómica mostra que a análise dos genes e proteínas diferencialmente expressos permite obter uma clara discriminação entre pacientes com axSpA e HCs, possibilitando ainda avançar no diagnóstico, prognóstico e eventuais opções terapêuticas para esse grupo de pacientes. Globalmente, os resultados aqui obtidos permitem oferecer algumas possibilidades interessantes para explicar o papel do músculo na patogénese da axSpA.





