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A noção da mimese que se originou na Grécia e alcançou a sua realização ideal no classicismo e no neoclassicismo, esteve presente na base de toda a história da arte e da arquitectura. As idiossincrasias da concepção idealizada da imagem visível do mundo, foram o motor de uma contínua evolução. A transição para o século XX consumou uma enorme modificação estimulada pela paulatina negação/superação da mimese da realidade e pela procura de novos paradigmas de expressão no mundo da máquina, da geometria, da matéria, da mente e dos sonhos, com o objectivo de romper e diluir as imagens convencionais do mundo para accionar formas radicalmente inovadoras. Os recursos básicos dessa transformação fixaram-se nos mecanismos gerados pela abstracção para ultrapassar a mimese nas artes representativas: ideia, conceito, simplificação, elementaridade, justaposição, adição, fragmentação, interpenetração, simultaneidade, associação, colagem, simulação, ou ironia.
A arquitectura do século XX foi mensurável dentro deste conglomerado orgânico da abstracção, sujeitando a casa a uma tensão de ordem espacial e estética. Inclusive a plausível redentora planta livre produziria o seu próprio tipo de tirania: muitas das casas do estudo foram segundas residências, desfrutadas numa atmosfera fora do marco da vida diária ou então manifestações domésticas para o próprio arquitecto. As mais habitáveis â?? as Casas; da Colina, Schrüder, Robie, Villa Mairea, Sarabhai, Eames, Barragán, Koshino ou Busk â?? conseguiram reconciliar espaço e estética, mas a distância entre as ideias que afiguram e a cultura ecuménica da casa permanece.
A Casa Pedro Guimarães é a epígrafe do trajecto desta concepção idealizada pela história, a expressão critica da experiencia arquitectónica sobre a qual o arquitecto conservou uma interpretação aberta da vida, consistente com uma atitude existencial em que se tornaram presentes: racionalidade, confiança no conhecimento e na técnica, pragmatismo, sentido mundano de emancipação da realidade.