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No ambito do Concurso internacional de ideias para o novo Atrio da Alhambra, organizado entre 2010 e 2011 pelo Patronato de la Alhambra y Generalife, Alvaro Siza e Juan Domingo Santos desenvolveram o projecto para a Porta Nova. O projecto e o processo criativo constituem o objecto de estudo e o tema da presente tese de Doutoramento. A escolha do caso seguiu a intuição de que um projecto elaborado para um lugar como a Alhambra de Granada, cidade palatina absolutamente densa de referências e construida num tempo longo de confrontos, de transições e de síntese de duas culturas distintas como a ocidental e a islâmica, e desenvolvido por Arquitectos como Álvaro Siza e como Juan Domingo Santos, também eles de densas memórias de experiências profissionais e sobretudo de vida, se caracterizaria por ser exaustivo e sugestivo. Propusemo-nos desenvolver uma tese de Doutoramento em Arquitectura sobre um projecto e sobre o seu processo criativo, sem enquadramentos teóricos que deturpassem os pensamentos sobre ele construidos. Depois de levantados desenhos, memórias descritivas e registos de maquetes, construímos um puzzle que nos contasse da metamorfose das ideias e das formas no tempo. Animámos o processo, seguimos as suas pistas e aprendemos a ouvir a voz do projecto. Do periodo de tempo que lhe corresponde fomos levados a um período de tempo referente a uma formação anterior baseada em memórias de experiências relacionadas com a Alhambra, memórias essas que nos permitissem pensar, e nunca explicar ou definir, o projecto. Relacionando dados concretos de um tempo longo, percebemos que nos primeiros desenhos que definem a identidade da Porta Nova convergem sobretudo temas advindos dos lugares da Alhambra e que nos restantes desenhos que ajudam ao aprofundamento da proposta convergem referências de outros projectos dos autores. E se o projecto para a Porta Nova é uma sintese de experiências anteriores na relação com um lugar e com um programa, é também ele tema continuado em projectos posteriores, sendo dai possivel retirar uma leitura de continuidade. A este método empirico de projectar, sempre diferente e sempre igual de circunstância para circunstância, associamos um tempo longode conhecimento acumulado.