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Abstract
O conceito de Catástrofe Natural, um conceito nada estanque e alvo de diferentes interpretações, tem vindo a desenvolver-se de acordo com a evolução da própria história da humanidade. Tal como as sociedades modernas tomam o lugar das ancestrais, também este conceito foi evoluindo à luz dessa lógica. Atualmente, a Catástrofe Natural assenta na ideia de construção social, na medida em que não basta ocorrer um evento natural (tsunamis, ciclones, secas, etc.) para que haja uma Catástrofe Natural, é preciso, antes de mais, que haja uma comunidade vulnerável que não tendo as condições necessárias para manter o seu funcionamento mediante um evento natural, acaba num cenário de caos, perdas e danos.
O sector agrícola é um dos que absorve grande parte dos impactos. Especificamente, os agricultores de pequena-escala, pela sua vulnerabilidade, acabam por sofrer penosos impactos que são muitas vezes sinónimo da perda total das colheitas que asseguravam a sua subsistência diária.
Naquele que é o processo de superação, deparámo-nos com o desalinhamento daquelas que são as propostas provenientes da arena de atores externos. Se, por um lado, estas visam uma mitigação dos impactos imediatos, por outro lado, verificou-se que a especificidade de cada comunidade é negligenciada, resultando em intervenções desalinhadas com o contexto territorial.
Concluímos que o retorno às práticas agrícolas reflete mais a capacidade das comunidades em lidar com a rutura instaurada pela Catástrofe e não tanto o sucesso das intervenções externas. A agricultura Pós-catástrofe reflete acima de tudo a resiliência de cada uma das comunidades.





