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O trabalho tem sofrido transformações importantes nas últimas décadas, sobretudo com o desenvolvimento de novas Tecnologias de Informação e Comunicação que emergem com o surgimento da Quarta Revolução Tecnológica e a ascensão do capitalismo de plataformas (Srnicek, 2018; Antunes, 2021; Antunes, 2022, CUT, 2021; Cant, 2021; Grohmann, 2021). Para melhor compreensão do fenômeno da plataformização laboral, recorreu-se à análise de aspectos históricos e sociais que se relacionam com as transformações do trabalho impulsionadas pelo desenvolvimento tecnológico, com foco na relação capital-trabalho e nos seus desdobramentos no trabalho vivo. A ênfase desta pesquisa centra-se no trabalho dos entregadores por aplicações no Distrito de Lisboa, Portugal. O estudo visa compreender as motivações, as condições de trabalho e as experiências cotidianas e a sua associação às dinâmicas oriundas da plataformização laboral, analisando as condições de vida e de trabalho dos sujeitos estudados. Além disso, explora-se o papel da ideologia no capitalismo recente, considerando os processos de legitimação de políticas e princípios neoliberais, de racionalidade empreendedora que, associados ao avanço tecnológico e aos novos mecanismos de dominação ideológica, contribuem para a ampliação da precariedade. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, com a realização de entrevistas, do tipo semiestruturada, com 13 entregadores para a coleta de dados, sendo transcritas e posteriormente analisadas com auxílio do software MaxQda. Os resultados da pesquisa fornecem insightsimportantes sobre a realidade de entregadores por aplicações, revelando a precariedade objetiva e subjetiva e ressaltando a relevância desse modelo de trabalho na contemporaneidade.