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O estudo que se apresenta tem como objetivo caracterizar a prestação de cuidados médicos no concelho ribatejano de Coruche durante a Monarquia Constitucional e as populações que beneficiaram dos serviços de saúde. Identificam-se as instituições locais a quem competia o provimento e a supervisão dos tratamentos médicos e das condições sanitárias públicas. É definido o papel do administrador do concelho, representante do governo central junto do poder autárquico, e a função reservada à Câmara Municipal. Enquanto ao primeiro era imputada uma tarefa de fiscalização das condições higiénico- -sanitárias na área concelhia e da atuação das instituições de assistência, a edilidade tinha um papel ativo na concretização de medidas diretamente relacionadas com a saúde pública da população. Mas não só. Às Câmaras Municipais cabia a função de proporcionar cuidados de saúde gratuitos a todos os que fossem comprovadamente pobres através da contratação de médicos municipais, os quais tinham também de assegurar as consultas médicas aos que podiam pagar. Para as populações pobres existia igualmente o hospital da Misericórdia, obrigado por lei a recebê-las, e uma pequena instituição hospitalar na Erra administrada pela Santa Casa daquela localidade.
Procedeu-se à identificação das instituições competentes, dos meios de que dispunham, dos recursos humanos destinados aos serviços de saúde, e, por fim, à caracterização da clientela hospitalar, procurando as continuidades e as mudanças ao longo dos 90 anos em análise.