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A dermatite atópica canina (DAc) é uma doença pruriginosa, inflamatória e crónica da pele, que resulta da interação de fatores genéticos e ambientais, podendo refletir a hipersensibilização a alergénios ambientais (non-food-induced atopic dermatitis - NFIAD). O diagnóstico de NFIAD consiste na exclusão de outras entidades capazes de mimetizar sinais clínicos, seguindo-se a identificação dos alergénios aos quais o canídeo sensibilizou, maioritariamente, por teste intradérmico (TID) ou serológico (SAT). O principal objetivo do presente estudo consistiu em identificar frequências de sensibilização a alergénios no seio de uma população canina, comparando-os com dados previamente reportados. Para tal, identificaram-se canídeos diagnosticados com NFIAD residentes na Área Metropolitana de Lisboa que realizaram TID no Serviço de Dermatologia do Hospital Escolar Veterinário (HEV), no período compreendido entre 2012 e 2017, bem como de cães que efetuaram SAT por intermédio de um laboratório externo, entre 2019 e 2022. Um total de 257 canídeos realizaram provas alergológicas, dos quais 13,23% (n=34) apresentaram resultados negativos. Desta forma, integraram o estudo 223 canídeos com resultados positivos, 118 recorrendo a TID e 105 através de SAT. O grupo de alergénios que registou a maior frequência de sensibilizações foi o dos ácaros domésticos, com 86,44% nos TIDs e 87,62% nos SATs. Neste grupo, verificou-se que a positividade a dois ou mais ácaros ocorreu em mais de 92% dos indivíduos, sendo a situação mais frequente, a sensibilização a três ácaros (29.38%), seguindo-se a positividade aos 5 ácaros em estudos (28,35%). Dermatophagoides farinae registou a maior frequência individual nos TIDs (75,42%) e nos SATs (74,29%). O grupo dos pólenes foi o segundo com a maior frequência de sensibilizações (44,07% nos TIDs e 30,48% nos SATs). Dentro deste grupo, o tipo polínico com maior frequência de sensibilização foi o de gramíneas, o qual apresentou 29,66% nos TIDs e 21.9% nos SATs. O pólen de Festuca pratensis nos TIDs (12,71%) e o pólen de Cynodon dactylon (16,19%) nos SATs foram aqueles que registaram as maiores frequências dentro deste grupo. No grupo dos fungos, observou-se uma frequência de sensibilização de 25,42% nos TIDs e 24,76% nos SATs, destacando-se Malassezia pachydermatis(22,03% nos TIDs e 16,19% nos SATs). A comparação com resultados previamente publicados identificou novos padrões de sensibilização caninos, sendo pioneiro no período considerado. Destacou-se o aumento da frequência de sensibilização ao grupo dos ácaros domésticos, bem como a alteração dos tipos polínicos responsáveis pelas maiores frequências de sensibilização.