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A técnica e a ciência são inerentes à evolução humana. Por elas, o homem transformou o mundo físico, inicialmente para sua própria sobrevivência e depois para seu conforto. Antes da Primeira Revolução Industrial não havia uma relevante interação entre esses dois fenômenos culturais. Em consequência da modificação dos meios de produção, que deixou de ser manufaturado e passou a ser mecanizado, houve importantes mudanças no modo de vida do ser humano, decorrentes, sobretudo, do êxodo rural e da consequente aglomeração do povo nos centros urbanos. O Estado-administração, a partir de então, passou a mais se preocupar com a ciência e a técnica, para organizar-se internamente e ter como melhor suprir as necessidades dos cidadãos. Com o prosseguir das sequenciais revoluções técnico-científicas, passou a humanidade a constituir-se em uma sociedade técnica, sobretudo pelas recentes transformações na tecnociência da informação e da comunicação. Pela internet digitalizada, passamos a viver em uma grande aldeia técnico-científica, numa sociedade em rede. Essa manifestação da tecnociência constitui-se em um importante poder, que se espraia por todos os setores sociais e tem influência em todas as áreas de relações humanas, como a economia, a política, a educação, a medicina, o direito e, em especial, nas relações do Estado-administração em seus âmbitos interno e externo. Este trabalho acadêmico tem por objetivo decodificar em que se constitui este poder técnico-científico, relatar a forma como ele se manifestou na história da civilização ocidental e identificar suas relações com a Administração Pública contemporânea, tudo isso devidamente mediado pelas normas constitucionais.