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Este trabalho de investigação pretende explorar as experiências de uma pessoa intersexo, procurando entender a temática da dissidência de género nas suas dimensões mais significativas.
Em termos metodológicos delineou-se um estudo qualitativo, no qual se recolheu a história de vida através de entrevistas em profundidade, e a análise temática do corpus realizou-se com recurso ao método fenomenológico.
No primeiro capítulo realiza-se o enquadramento teórico, no qual se apresenta o percurso histórico, o ativismo intersexo e as alterações legislativas em Portugal. No segundo, dedicado ao desenho metodológico, justifica-se a estratégia analítica e abordam-se as dificuldades mais relevantes encontradas, que levaram a um reajustamento, tecendo-se algumas considerações éticas. No terceiro realiza-se a apresentação e discussão dos resultados, e apresentam-se breves considerações finais.
Os resultados sugerem o ambiente e suporte familiar, escolar e social, como as áreas mais impactantes no concernente à autodeterminação e transição de género. O deficitário acompanhamento médico e a demora no acesso a cirurgias de redesignação sexual constituise como uma das áreas que traduz a ausência de reconhecimento das pessoas intersexo, afetando negativamente o processo de afirmação da identidade e a perceção de validação social.
A inexistência de modelos positivos e de contacto direto com pessoas intersexo concorre para dificuldades na autoaceitação. A capacidade de agência e as falas em nome próprio parecem contribuir para o empoderamento pessoal, conquanto, em termos sociais os efeitos da revelação da intersexualidade apontem para a minimização do desconhecimento e decorrentemente da discriminação, mas paradigmaticamente para discursos e atitudes excludentes.