Content area
Este artigo estuda um termo téorico para a produção cultural diaspórica proposta pela escritora negra brasileira contemporânea, Conceição Evaristo-escrevivência. O primeiro romance de Evaristo, Becos da Memória ([2006] 2017)-lembranças semi-autobiográficas de uma comunidade favelada durante a sua evicção-exemplifica escrevivência como teoria da transmissão de uma cultura de resistência à expropriação imposta. O termo é citado numa proliferção de crítica antiracista e em estudos sobre sujeitos marginalizados no Brasil. Meu argumento é que escrevivência é crucial para o pensamento decolonial brasileiro por causa do quadro temporalmente recursive que enuncia, que abre o presente e o futuro para articulações anteriores da cultura negra no Brasil. Abordo Becos no quadro temporal da escrevivência em três maneiras, examinando a anterioridade literária (a influência das obras da Carolina Maria de Jesus), a marginalidade narrada (polifonia, corporalidade, trabalho doméstico, literatura menor), e a herança cultural (a exemplificação e a circulação da linguagem negra).