Content area
O estudo da literatura infantil é uma área dos estudos literários relevante para pesquisas sobre construções históricas, culturais e literárias de nações. Historicamente, quando movimentos sociais e políticos ganham força, buscam-se publicar livros infantis relacionados a ideias de tais movimentos. Esse é o caso do Brasil e da Argentina. Os dois países passaram por períodos ditatoriais que utilizaram a censura para controlar produções artísticas, gerando diversas consequências para o desenvolvimento da área. O impacto da literatura infantil sob tais condições políticas, no entanto, ainda não foi suficientemente explorado. A minha pesquisa aborda essa lacuna com um estudo comparativo entre as duas nações.
Minha dissertação examina a literatura infantil argentina e brasileira, identificando as mudanças pelas quais o campo passou desde o século XIX e detalhando como ele reagiu às últimas ditaduras argentina (1976–1983) e brasileira (1964–1985). Eu traço o desenvolvimento do campo nos períodos pré-, durante e pós-ditaduras. Meu objetivo é analisar as mudanças sociopolíticas que as literaturas infantis brasileira e argentina testemunharam e entender a relação entre a literatura infantil e o conceito de infância, abordando a questão do que é considerado “apropriado” ou “compreensível” para os leitores mais jovens.
Eu foco em ferramentas de censura governamental, observando medidas oficiais e implícitas (como a autocensura). Ao analisar documentos oficiais, leis relativas a ambientes educacionais e histórias escritas para crianças por autores brasileiros e argentinos, identifico que tipo de mensagens os leitores poderiam inferir e o que os governos autoritários tentaram silenciar através do controle dos livros infantis. Além disso, examino a relação das narrativas com a formação do modo de pensar da população, argumentando que a literatura infantil pode estimular o pensamento político crítico em uma sociedade. Desse modo, minha pesquisa revela a relevância da literatura infantil na estruturação de uma nação.
