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Narrar um facto ou um acontecimento vivenciado, é refazé-lo dentro de si, reconstruindo caminhos e elevando-0 a uma nova perspectiva. Quando essa narração acontece no contexto da prática artística, abrem-se possibilidades para reconfigurar o passado, criar conexdes com o presente e impulsionar o futuro através desta ação. Quando a memória individual é refeita tendo a arte teatral enquanto meio ativador, somos capazes de posicioná-la no contexto da memória coletiva, nos inserindo assim, enquanto sujeitos de uma história partilhada. Desta maneira, o artigo presente tem como intencáo refletir sobre о trabalho artístico desenvolvido pelo Coletivo Estopô Balaio, grupo teatral residente no bairro do Jardim Romano, na cidade de Sáo Paulo - Brasil. Com mais de 10 anos de atuagáo no território situado no extremo leste da capital paulista, seus processos criativos sáo permeados pelas memórias e histórias de vida dos moradores da regido, produzindo desta forma novos discursos e reforgando laços identitérios entre os moradores e o seu bairro. A intenção deste trabalho é ressaltar a importáncia fundamental das artes, principalmente aquelas ancoradas nas práticas artísticas comunitárias, para a manutenção e preservação de narrativas alternativas a contínua tendência de homogeneização dos saberes e dos modos de vida. Para isso, seráo utilizados como suportes teóricos, a análise da performance inscrita sob o signo da Oralitura de Leda Maria Martins e da Escrevivéncia de Conceigáo Evaristo, além do conceito de Práticas criativas de re-existéncia cunhado por Adolfo Achinte.