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Este estudo analisa a interseção entre a experiência prisional e a obra romanesca de Camilo Castelo Branco, focando-se na sua experiência de reclusão e nos temas do adultério e da morte presentes nos dois romances escritos na cela da Relação do Porto: O Romance dum Homem Ricoe Amor de Perdição. Através de uma análise qualitativa, o trabalho intenta sublinhar como Camilo transforma as suas angústias pessoais em narrativas de intervenção coletiva, que criticam as instituições sociais e jurídicas do século XIX, numa tentativa retórica que pretende ser mais do que a sua própria defesa perante os olhos judicativos da Lei e da Sociedade. O desespero progressivo de Camilo, mas também as suas lutas interiores e exteriores, estão refletidas nestes dois romances, ainda que eles culminem numa visão da morte como forma de libertação, trágica mas redentora. É sublinhada a importância de ler estas obras como um espelho das tensões e conflitos do período de cárcere de Camilo, quando a sua vida e a sua arte se entrelaçam num diálogo profundo e eterno.