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A presente investigação explora as trajetórias de vida da população em situação de sem-abrigo, analisando a perceção desta população sobre a influência dos fatores de risco e dos fatores de proteção ao longo do seu ciclo de vida.
Assente na perspetiva ecológica sobre a situação de sem-abrigo, o objeto de estudo considerou a situação como um fenómeno complexo, resultante de interações entre fatores individuais, estruturais, socioeconómicos e contextuais. A perspetiva do curso de vida, reconheceu que a trajetória individual é marcada por eventos e transições significativas. Deste modo, através destas perspetivas, é possível compreender como acontecimentos podem precipitar ou mitigar a situação de sem-abrigo, na perspetivados(as) inquiridos(as).
A análise interpretativista, presente nesta análise, partiu do princípio de que a realidade é construída pelos significados que as pessoas atribuem às suas experiências e contextos. O desenho qualitativo, com a recolha de entrevistas semiestruturadas em profundidade, isto é, narrativas biográficas, assim como, o uso do biograma, permitiu recolher os fatores de risco existentes antes, durante e após a situação de sem-abrigo, assim como a perceção, através da pontuação de eventos de vida, da trajetória de vida individual de cada inquirido(a).
Os resultados revelam tanto regularidades quanto singularidades nas trajetórias de vida. A análise dos percursos até à situação de sem-abrigo, foram analisados de forma detalhada, permitindo uma construção das trajetórias de vida de cada inquirido(a). Pelo que, é possível identificar alguns fatores precipitantes e, outros protetivos na narrativa do grupo-alvo, assim como, a perceção dos mesmos face aos acontecimentos e trajetória devida. Os resultados mostram que a maioria dos fatores de risco remontam para a infância e juventude, pelo que continuaram a influenciar os indivíduos ao longo das suas vidas.