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A crise climática é, nos dias que correm, uma preocupação grave da humanidade. É prioritária para qualquer Estado, organização, empresa, população e cidadão. Estas entidades, separadamente ou unindo esforços, criam mecanismos para mitigação das alterações climáticas. Os mercados de carbono são um desses instrumentos, inicialmente de iniciativa pública, e mais tarde criados por agentes privados. A dissertação em mãos tem por objeto de análise o decreto-lei português que institui um mercado voluntário de carbono. Com esse fim, enquadra-se brevemente o tema dos mercados voluntários no problema ambiental e nos instrumentos de combate ambientais existentes. É também realizada uma análise do estado atual dos mercados voluntários não regulados para contextualização das suas principais características e fragilidades. Posto este enquadramento, analisa-se a proposta da Comissão Europeia de um regulamento da União Europeia para um quadro de certificação de remoções de carbono. Considerando a iniciativa europeia, bem como as metas climáticas assumidas por Portugal a nível internacional e nacional, estudam-se as disposições legais do diploma português. Algumas que, desde logo, se destacam, são a priorização dos projetos florestais, a previsão de créditos de carbono futuros, e o mecanismo de responsabilização em caso de reversão. Considera-se que a iniciativa legal é, no geral, positiva, pois permitirá atribuir confiança e credibilidade à certificação de créditos de carbono e gerar investimento na proteção da floresta, biodiversidade e ecossistemas costeiros e marinhos portugueses. Alerta-se, contudo, para a possível perniciosidade de certas opções legislativas, nomeadamente, da abertura à compensação de emissões não residuais, e da falta de clareza no cumprimento do princípio da adicionalidade.