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A pobreza menstrual constitui uma forma de privação resultante da dificuldade de acesso a produtos de higiene menstrual, impactando a dignidade, a saúde e a participação social das pessoas que menstruam. Esta dissertação analisa a pobreza menstrual no contexto do ensino superior, tendo como caso de estudo a Universidade do Porto, onde o principal objetivo é examinar a relação entre fatores socioeconómicos e o acesso a produtos menstruais, bem como avaliar o impacto desta problemática na qualidade de vida dos estudantes.
A investigação baseia-se na aplicação de um inquérito estruturado a todos os estudantes das diversas Faculdades da Universidade do Porto, seguido de uma análise quantitativa recorrendo a métodos de estatítica descritiva e exploratória dos dados.
Os resultados indicam que os estudantes com menores recursos financeiros enfrentam mais dificuldades na aquisição de produtos menstruais, recorrendo frequentemente a alternativas menos adequadas. Além disso, verifica-se que a frequência da troca de produtos está associada à capacidade financeira dos inquiridos, e que a insegurança menstrual compromete o bem-estar emocional, a qualidade de vida e a participação académica.
Adicionalmente, este estudo compara as políticas públicas europeias com a realidade portuguesa, onde, apesar da existência de políticas para mitigar a pobreza menstrual, a sua implementação continua incerta.
Conclui-se que a distribuição gratuita de produtos menstruais no ensino superior e a redução da carga fiscal sobre estes bens essenciais podem contribuir para uma maior equidade no acesso à saúde menstrual.