Content area
Dadas as circunstâncias específicas da chegada do então conde de Bolonha à administração do reino de Portugal e o juramento que lhe foi imposto em Paris para que a recebesse, poderíamos deduzir que, uma vez chegado ao trono, D. Afonso III se mostraria, à partida, cumpridor desse acordo. No entanto, tal como nos reinados anteriores, o poder régio e o poder eclesiástico entraram rapidamente em crispação, o que causou, no ponto de mais alta tensão, a saída do corpo eclesiástico do reino.
Posto isso, a presente dissertação de mestrado procurará discorrer sobre a relação entre esses poderes ao longo do governo de D. Afonso III, iniciando-se no seu breve governo como curador do reino e prosseguindo pelo seu reinado, e a forma como se confrontaram num reino europeu do século XIII. Para o efeito, procuraremos, com base num conjunto de fontes históricas, percorrer os momentos em que ambos os poderes conviveram pacificamente e se apoiaram mutuamente e as ocasiões em que houve disrupção entre o rei de Portugal e os bispos do seu reino.