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O trabalho sexual é um tópico, por vezes, esquecido dentro dos debates filosóficos e políticos. No entanto, é um tema envolvido em várias questões. Questões estas que se debruçam sobre o corpo, o trabalho, a moral, o sexo e a sexualidade. Debruçarmo-nos sobre o trabalho sexual permite-nos refletir sobre estes aspetos, como estes afetam os mecanismos de governação dos indivíduos e que efeitos isto provoca na nossa consciência, individual e social, do que é o “normal”.
O objetivo final desta dissertação será procurar uma resposta à pergunta: “Serão os tabus e os estigmas associados ao trabalho sexual politicamente legítimos?”. Para tal, será necessário desenvolver, privilegiando a perspetiva da biopolítica, uma análise dos mecanismos de regulação que se aplicam especificamente ao trabalho e ao sexo dos indivíduos. A questão da “sexopolítica” será explorada, em particular, para compreender, de modo mais aprofundado, a relação entre a regulação dos corpos e o sexo. Por último, recorremos a um exemplo, o da prostituição, para explorar em concreto a abordagem exposta.
Será possível concluir a viabilidade do trabalho sexual, ao compreender as semelhanças com os restantes trabalhos físicos, o que nos permitirá explorar políticas que garantam a dignidade, a autonomia e os direitos deste grupo de trabalhadores, que são estigmatizados e marginalizados.