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RELAO ENTRE INOVAO, CAPACIDADE INOVADORA E DESEMPENHO: O CASO DAS EMPRESAS DA REGIO DA BEIRA INTERIOR
Joo Jos de Matos Ferreira
Doutor em Gesto Estratgica pela Universidade da Beira Interior Portugal Professor da Universidade da Beira Interior PortugalE-mail: [email protected] [Portugal]
Carla Susana da Encarnao Marques
Doutora em Gesto da Inovao pela Universidade de Trs-os-Montes e Alto Douro PortugalProfessora da Universidade de Trs-os-Montes e Alto Douro PortugalE-mail: [email protected] [Portugal]
Maria Joo Barbosa
Mestre em Gesto pela Universidade da Beira Interior Portugal Controller Financeiro da Constrope Construes, S.A. E-mail: [email protected] [Portugal]
Resumo
O estudo apresentado neste artigo tem como objetivo identificar os fatores que contribuem para a criao de capacidade inovadora empresarial e avaliar de que forma esta se traduz em desempenho empresarial. proposto um modelo conceitual, que rene vrias dimenses que ainda no haviam sido testadas simultaneamente para a realidade portuguesa. Essas dimenses so: empresa, empresrio, meio ambiente, capacidade inovadora da empresa e desempenho da empresa. O estudo teve por base uma amostra de empresas da indstria transformadora da regio Beira Interior (Portugal), com coleta de dados por meio de questionrio. Os dados foram submetidos a uma anlise estatstica, atravs de regresso linear mltipla. Os resultados obtidos permitiram identificar os fatores influenciadores da capacidade inovadora das empresas: esprito empreendedor do empresrio, ciclo de vida da empresa, existncia de parcerias, idade da empresa e dimenso da empresa. Concluiu-se, tambm, que uma maior capacidade inovadora das empresas contribui para a obteno de um melhor desempenho.
Palavras-chave: Inovao; Capacidade inovadora; Vantagem competitiva; Desempenho.
RAI Revista de Administrao e Inovao ISSN: 1809-2039
Organizao: Comit Cientfico Interinstitucional Editor Cientfico: Milton de Abreu Campanario Avaliao: Double Blind Review pelo SEER/OJS Reviso: gramatical, normativa e de formatao
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Relao entre inovao, capacidade inovadora e desempenho: o caso das empresas da regio da Beira Interior
1 CAPACIDADE INOVADORA E DESEMPENHO EMPRESARIAL
A capacidade de inovar , hoje, reconhecida como uma das principais vertentes da vantagem competitiva das empresas. Becattini (1999) afirma que, no mercado corrente, caracterizado pelo rpido aumento da saturao da procura, a competitividade das empresas tende a ser mais determinada pela capacidade inovadora do que pela produtividade. Deste modo, a procura de vantagens competitivas sustentveis passa a depender cada vez mais dessa capacidade empresarial de inovao, tendo sempre em considerao que a inovao considerada um processo cumulativo de aprendizagem que extravasa as fronteiras da Investigao e Desenvolvimento (I&D), e no qual os aspectos organizacionais e de gesto desempenham um papel fundamental. Conseqentemente, a inovao e a sua gesto no podem ser separadas das orientaes estratgicas genricas da empresa, pois entre elas existem inter-relaes estreitas que contribuem decisivamente na criao das suas vantagens competitivas. Importa, por isso, compreender a natureza da inovao, a forma como influencia a performance da empresa e os mecanismos atravs dos quais so envolvidos, em todo esse processo, os agentes econmicos e sociais, sem esquecer que a gesto da inovao intrinsecamente difcil e arriscada. A histria da inovao de produto e de processo est repleta de exemplos de idias aparentemente boas que falharam, em alguns casos com conseqncias nefastas (LEIFER et al., 2000; NAYAK; KETTERINGHAM, 1986).
Apesar do risco e da incerteza, a inovao, quando bem sucedida, pode produzir um impacto relevante nos resultados econmicos das empresas. De acordo com Porter (1990), para lidar com esse ambiente de riscos e incertezas, as empresas devem reconhecer os fundamentos da inovao para a obteno e sustentao de vantagem competitiva, e desenvolver estratgias que conduzam os seus esforos em torno do desenvolvimento dos novos produtos na batalha competitiva. Assim, face aos desafios que se colocam s empresas, a inovao assume-se, cada vez mais, como um fator chave de competitividade empresarial. As empresas, conscientes de tal fato, devem efetuar esforos no sentido de inovar, procurando assim criar uma vantagem competitiva sustentvel, razo por que se torna crucial estudar os fatores que impulsionam e limitam a capacidade inovadora empresarial (SILVA; RAPOSO; MORENO, 2003). Para alm da importncia relacionada com a questo de as empresas serem ou no inovadoras e de haver fatores que contribuem para o desenvolvimento de comportamentos inovadores, surge ainda a necessidade de perceber de que forma os comportamentos inovadores influenciam o desempenho das empresas.
Porter (1996) afirma que uma empresa s poder obter melhores resultados do que os seus concorrentes se conseguir criar um fator diferenciador que se mantenha ao longo do tempo, sendo o principal instrumento de criao dessa vantagem competitiva: a inovao ou os atos de inovao. Mogolln e Vaquero (2004) referem ainda que so cada vez mais as empresas que, conscientes de que a realizao de atividades inovadoras proporciona uma fonte de vantagens competitivas, efetuam esforos no sentido de inovar. Defendem que a observao sistemtica de empresas com xito competitivo tem revelado que tais empresas baseiam a sua competitividade numa capacidade inovadora apoiada numa acumulao de recursos e capacidades, difceis de reproduzir e imitar pelos seus concorrentes.
Desta forma, verifica-se que os conceitos inovao, vantagem competitiva e desempenho esto amplamente interligados, tendo sido essa relao estudada por diversos investigadores nos ltimos tempos (PORTER, 1994; ROBERTS; AMIT, 2003; TEECE; PISANO, 1994; TIDD; BESANT; PAVITT, 2001). O conhecimento dos padres do processo de inovao, dos fatores determinantes da capacidade inovadora e a sua influncia no
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desempenho nas empresas industriais portuguesas permanece limitado (MARQUES; MONTEIRO-BARATA, 2006). Assim, torna-se necessrio um conhecimento mais aprofundado sobre o processo de inovao numa perspectiva global e em ambientes empresariais, e, em particular, proceder anlise dos fatores determinantes da capacidade inovadora empresarial que provocam variaes no desempenho da empresa. Trata-se de um tema que assume uma extrema importncia na atualidade, esperando-se que esta investigao traga uma importante contribuio relativamente anlise dos fatores determinantes da capacidade inovadora empresarial portuguesa, sua influncia nos comportamentos inovadores sobre a criao de vantagens competitivas e, conseqentemente, sobre o desempenho das empresas. Face ao objetivo exposto, a investigao dever desenrolar-se em torno de um conjunto de duas questes de investigao, nomeadamente: (1) Que fatores contribuem para o desenvolvimento de um comportamento inovador por parte das empresas da indstria transformadora da regio da Beira Interior? e (2) De que forma o desenvolvimento de uma estratgia inovadora empresarial influencia o desempenho das empresas?
2 ASPECTOS METODOLGICOS
A populao da investigao foi obtida atravs de uma base de dados fornecida pelo INE e constituda por um total de 1.307 empresas, j estratificada em termos de dimenso (dada pelo nmero de trabalhadores) e CAE. Face a esse nmero, optou-se por considerar uma amostra por convenincia da populao, assegurando deste modo todos os escales de dimenso de empresas, de forma a se poder averiguar a relao da dimenso da empresa e a capacidade inovadora. Os principais aspectos metodolgicos esto sistematizados no seguinte modo (Quadro 1):
Joo Jos de Matos Ferreira, Carla Susana da Encarnao Marques e Maria Joo Barbosa
Beira Interior (distritos da Guarda e de Castelo Branco) Portugal
1.307 empresas portuguesas
Unidade de amostra Empresas industriais
Desenho da amostra Amostra estratificada por convenincia, segundo a dimenso (micro, pequena, mdia e grande) e atendendo aos seguintes critrios: (i) incluso da totalidade de empresas de dimenso mdia (70 empresas) e dimenso grande (8 empresas), por existirem poucas empresas; (ii) incluso do nmero de empresas micro e pequenas de acordo com a representatividade da CAE destas empresas face ao total de empresas da regio.
Tamanho da amostra A amostra final constituda por um total de 246 empresas, sendo 140 micro empresas, 40 pequenas empresas, 60 mdias empresas e 6 grandes empresas. Esto representadas a CAE 15 (indstrias alimentares e das bebidas) com 144 empresas, a CAE 17 (fabricao de txteis) com 30 empresas, a CAE 18 (indstria do vesturio) com 31 empresas, a CAE 20 (indstrias da madeira e da cortia) com 17 empresas e, por fim, a CAE 28 (fabricao de produtos metlicos) com 24 empresas.
Inquiridos Empresrios proprietrios das empresas
Modelo do questionrio O questionrio constitudo por questes fechadas, com utilizao de uma escala de likert.
Mtodo de recolha da informao Inqurito administrado pessoalmente
Modelos estatsticos utilizados Regresso linear simples e mltipla.
Anlise de dados SPSS 15.0
Quadro 1 Ficha Tcnica de Investigao Fonte: Elaborado pelos autores
Regio
Populao
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Tendo este estudo o propsito de efetuar uma anlise, quer terica, quer emprica, da capacidade inovadora da empresa, considerando os fatores que a influenciam e a influncia que, por sua vez, exercer sobre o desempenho da empresa, foi concebido um modelo conceitual, que permita alcanar esse objetivo.
2.1 CARACTERIZAO DAS DIMENSES DO MODELO DE INVESTIGAO
Perante a reviso da literatura efetuada, possvel afirmar que a capacidade inovadora da empresa influenciada por um vasto conjunto de fatores, de carter interno e tambm externo empresa. Considerando vrios estudos anteriormente efetuados em torno deste tema, concebeu-se um modelo de investigao com as seguintes dimenses: (i) empresa; (ii) empresrio; (iii) meio ambiente; (iv) capacidade inovadora da empresa; e (v) desempenho da empresa. Essas dimenses sero, em seguida, sumariamente caracterizadas.
2.1.1 Dimenso Empresa
Estudos anteriores, designadamente Avermaete et al. (2003), Hernandez (2000), Mogolln e Vaquero (2004), Pazos e Lpez (2004), Rothwell (1991), Silva, Raposo e Ferro (2004), Silva, Raposo e Moreno (2003) e Ussman et al. (1998), evidenciam a influncia que os prprios fatores internos empresa exercem sobre a sua capacidade inovadora. Assim, neste sentido, e perante a reviso da literatura efetuada, identificaram-se variveis internas empresa que tendem a explicar os seus comportamentos inovadores, nomeadamente, (i) dimenso; (ii) idade; (iii) formao dos trabalhadores; (iv) sector de atividade; e (v) ciclo de vida. As variveis foram operacionalizadas da seguinte forma:
(i) Dimenso da empresa: o critrio adotado para considerar as empresas em termos de dimenso foi o nmero de trabalhadores (INSTITUTO DE APOIO S PEQUENAS E MDIAS EMPRESAS E INOVAO, 2005), considerando microempresa a que tem at 9 trabalhadores, pequena empresa a que tem entre 10 e 49 trabalhadores, mdia empresa a que tem entre 50 e 249 trabalhadores e grande empresa a que tem mais de 250 trabalhadores.
(ii) Idade da empresa: a idade da empresa ser obtida considerando o seu ano de fundao, tendo sido considerados 4 escales etrios, da seguinte forma: (1) at 10 anos; (2) de 11 a 20 anos; (3) de 21 a 30 anos; e (4) mais de 31 anos.
(iii) Nvel de formao dos trabalhadores: o nvel de formao dos trabalhadores medido em funo do nmero de trabalhadores com o 1 ciclo face ao nmero total de trabalhadores da empresa. Ou seja, apresenta-se uma razo da seguinte forma:
N. de trabalhadores com o 1 ciclo
N. total de trabalhadores da empresa
(iv) Sector de atividade: esto contempladas na amostra empresas de cinco CAE distintas, sendo-lhes atribuda uma codificao de 1 a 5, atendendo ordem crescente de CAE, da seguinte forma: (1) CAE 15, indstrias alimentares e das bebidas; (2) CAE 17, fabricao de txteis; (3) CAE 18, indstria do vesturio; (4) CAE 20, fabricao de produtos metlicos; e (5) CAE 28, indstrias da madeira e da cortia.
(v) Ciclo de vida: de acordo com o mtodo utilizado por Ferreira (2003), as empresas procederam sua autocaracterizao relativamente fase do ciclo de vida na qual pensam
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encontrar-se. Seguindo o modelo de ciclo de vida com cinco estgios de Hanks et al. (1993), obteve-se a seguinte escala: (1) arranque; (2) crescimento; (3) maturidade; (4) diversificao; e (5) declnio.
2.1.2 Dimenso empresrio
Estudos anteriores (DRUCKER, 1985; FERREIRA, 2003; MILLER, 1983; MINTZBERG, 1984; MOGOLLN; VAQUERO, 2004; PAZOS; LPEZ, 2004) procuraram avaliar o papel que o empresrio exerce sobre a capacidade inovadora da empresa, enquanto empreendedor e fator impulsionador de comportamentos inovadores da organizao. Mogolln e Vaquero (2004) consideraram o empresrio fator determinante da capacidade inovadora da empresa, quer em termos de idade, quer em termos de esprito empreendedor. Este estudo considerou tambm essas duas vertentes associadas ao empresrio determinantes para a capacidade inovadora, sendo, por isso, includas nesta dimenso: (i) idade do empresrio; e (ii) esprito empreendedor do empresrio. Essas variveis foram operacionalizadas da seguinte forma:
(i) Idade do empresrio: a idade do empresrio foi obtida considerando o seu ano de nascimento, tendo sido considerados 4 escales etrios, da seguinte forma: (1) at 35 anos; (2) de 36 a 45 anos; (3) de 46 a 55 anos; e (4) mais de 56 anos.
(ii) Esprito empreendedor do empresrio: segundo Miller (1983), o esprito empreendedor do empresrio caracteriza-se por trs fatores: (1) tomada de risco; (2) proatividade; e (3) inovao. Ferreira (2003) considerou tambm, na sua investigao, essas trs variveis para medir a orientao estratgica empreendedora.
2.1.3 Dimenso meio-ambiente
Diversos estudos anteriores (KAUFMAN; WOOD; THEYEL, 2000; MOGOLLN; VAQUERO, 2004; SILVA; RAPOSO; MORENO, 2003; USSMAN et al., 1998) haviam j considerado o estabelecimento de parcerias entre as empresas e outras empresas e/ou organismos, e o grau de abertura externa medido atravs do volume de importaes e exportaes das empresas fatores determinantes dos seus comportamentos inovadores. Atendendo a esses estudos anteriormente desenvolvidos, esta dimenso do modelo contempla as relaes externas estabelecidas entre a empresa e o seu meio ambiente, nomeadamente as variveis: (i) estabelecimento de parcerias e cooperao; e (ii) grau de abertura externa. Essas variveis foram operacionalizadas da seguinte forma:
(i) Parcerias e cooperao com outras empresas/instituies: esta uma varivel dicotmica, que assume o valor 0 para empresas que no estabeleceram acordos de cooperao e parcerias e o valor 1 para aquelas que estabeleceram.
(ii) Grau de abertura externa: esta varivel foi considerada varivel categrica de quatro nveis (baixa, mdia-baixa, mdia-alta e alta intensidade exportadora). Neste estudo, de forma similar considerada por Silva, Raposo e Moreno (2003), o grau de abertura externa ser medido atravs da seguinte razo:
Volume de exportaes
Volume de vendas
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Consideraram-se tambm quatro nveis de grau de abertura externa, da seguinte forma: (1) baixo, quando a razo situa-se entre 0% e 5%; (2) mdio-baixo, quando a razo situa-se entre 6% e 50%; (3) mdio-alto, quando a razo situa-se entre 51% a 95%; e (4) alto, se a razo maior ou igual a 96%.
2.1.4 Dimenso capacidade inovadora
A capacidade inovadora das empresas, ou o seu comportamento inovador, j foi alvo de anlise em alguns estudos anteriores, nomeadamente Mogolln e Vaquero (2004), Roberts e Amit (2003) e Silva, Raposo e Moreno (2003). O presente estudo considera a capacidade inovadora da empresa como algo que integra os diversos componentes resultantes do processo de inovao de uma empresa, nomeadamente, a inovao no produto, a inovao no processo, a inovao no mercado e a inovao organizacional. Assim, nesta dimenso, foram consideradas variveis que pretendem medir a intensidade de capacidade inovadora de uma dada empresa, designadamente: (i) inovao no produto; (ii) inovao no processo; (iii) investimentos em I&D; e (iv) novos canais de distribuio. Essas quatro variveis foram operacionalizadas de forma dicotmica:
(i) inovao no produto: assume o valor 1 quando a empresa introduz no mercado algum produto novo ou significativamente melhorado, e assume o valor 0 quando tal no ocorre;
(ii) inovao no processo: assume o valor 1 quando a empresa adota processos de produo novos ou significativamente melhorados, e assume o valor 0 quando tal no se verifica;
(iii) investimentos em I&D: assume o valor 1 quando a empresa efetua investimentos em I&D, e assume o valor 0 quando a empresa no efetua investimentos em I&D;
(iv) utilizao de novos canais de distribuio: assume o valor 1 quando a empresa utiliza novos canais de distribuio, e assume o valor 0 quando a empresa no utiliza novos canais de distribuio.
2.1.5 Dimenso desempenho
Alguns autores, tais como Ferreira (2003), Kemp et al. (2003), Kleinknecht e Oostendorp (2002), Klomp e van Leeuwen (1999), Marques e Monteiro-Barata (2006), Mogolln e Vaquero (2004), Ns e Lepplahti (1997), Roberts e Amit (2003) e Venkatraman e Ramanujam (1986), efetuaram estudos nos quais procuravam estabelecer uma ligao entre comportamentos inovadores das empresas e o seu desempenho. Tambm o objetivo deste estudo centra-se em avaliar a influncia que a capacidade inovadora da empresa exerce sobre o seu desempenho. Assim, nesta dimenso do modelo, e tendo em considerao a reviso da bibliografia efetuada, optou-se por medir o desempenho da empresa atravs de: (i) volume de negcios/vendas; (ii) resultados lquidos; (iii) xito alcanado com os novos produtos; e (iv) percepo de resultados obtidos pela empresa. Essas variveis foram operacionalizadas da seguinte forma:
(i) volume de vendas/negcios: nesta varivel ser considerada a variao do volume de vendas/negcios ocorrida entre o ltimo ano (2004) e o primeiro ano (2000) em anlise. O clculo da variao ocorrida ser feito da seguinte forma:
Volume de vendas/negcios ano 2004 - Volume de vendas/negcios ano 2000
Volume de vendas/negcios ano 2000
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(ii) resultados lquidos: considera-se a variao ocorrida em termos de resultados lquidos entre o ltimo ano (2004) e o primeiro ano (2000) em anlise, atravs da seguinte razo:
Resultados lquidos ano 2004 Resultados lquidos ano 2000
Resultados lquidos ano 2000
(iii) xito alcanado com novos produtos: este indicador ser utilizado apenas nas empresas em que tenha ocorrido inovao no produto. Este indicador ser expresso em cinco nveis distintos: (1) muito pouco xito, vendas dos novos produtos inferiores a 2%; (2) pouco xito, vendas dos novos produtos variam entre [3% - 5%]; (3) mdio xito, vendas dos novos produtos variam entre [6% - 10%]; (4) xito, vendas dos novos produtos variam entre [11% -20%]; e (5) muito xito, vendas dos novos produtos assumem um valor superior a 21% do volume total de vendas da empresa.
(iv) percepo de desempenho face concorrncia: esta dimenso foi medida em termos de (i) resultados; (a) volume de vendas; (b) cash flow; e (3) valor da empresa em termos de marca e imagem no mercado.
Neste contexto, o modelo conceitual que serviu de base ao estudo emprico est representado na Figura 1:
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Empresa - Dimenso - Idade - Formao trabalhadores - Setor atividade - Ciclo de vida
Empresrio - Idade - Esprito empreendedor
Meio ambiente - Parcerias/cooperao - Abertura externa
Figura 1 - Modelo de investigao proposto Fonte: Elaborado pelos autores
Torna-se pertinente ainda, nesta fase, clarificar a idia de que uma hiptese suscetvel de ser testada estatisticamente deve ser formalizada como a afirmao de uma relao objetiva (ou ausncia desta) entre duas ou mais variveis. O conjunto de hipteses de investigao estabelecido est diretamente relacionado com as dimenses evidenciadas no modelo de investigao, e tm como objetivo validar cada uma das relaes identificadas. Assim, foram formuladas dez hipteses (Quadro 2) que iro ser testadas ao longo do trabalho de investigao.
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Capacidade inovadora da empresa
- Inovao no produto - Inovao no processo - Investimento em I&D- Novos canais de distribuio
Desempenho da empresa
- Volume de negcios/vendas - Resultados lquidos- xito de novos produtos- Percepo de resultados
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Relao entre inovao, capacidade inovadora e desempenho: o caso das empresas da regio da Beira Interior
Dimenso Hipteses de investigao
Estudos efetuados que se debruaram sobre hipteses semelhantes
H1: A dimenso da empresa influencia positivamente a capacidade inovadora da empresa.
Rothwell (1991)
Ussman et al. (1998) Avermaete et al. (2003) Mogolln eVaquero (2004) Silva, Raposo e Ferro (2004) Pazos e Lpez (2004)
H2: A idade da empresa influencia negativamente a capacidade inovadora da empresa.
Mogolln (2000)
Avermaete et al. (2003) Mogolln e Vaquero (2004)
Empresa
H3: O nvel de formao dos trabalhadores da empresa influencia positivamente a capacidade inovadora da empresa.
Ussman et al. (1998) Pazos e Lpez (2004)
H4: O setor de atividade da empresa influencia a capacidade inovadora da empresa.
Ussman et al. (1998)
Avermaete et al. (2003) Silva, Raposo e Ferro (2004)
H5: O ciclo de vida da empresa influencia negativamente a capacidade inovadora da empresa.
Scott e Bruce (1987) Ferreira (2003)
H6: A idade do empresrio influencia negativamente a capacidade inovadora da empresa.
Hambrick e Mason (1984) Bartel e Lichtenberg (1987) Cressy (1996)
Harada (2001)
Mogolln e Vaquero (2004)
Empresrio
H7: O esprito empreendedor do empresrio influencia positivamente a capacidade inovadora da empresa.
Miller (1983)
Mintzberg (1984)
Drucker (1985)
Ussman et al. (1998) Mogolln e Vaquero (2004)
H8: O estabelecimento de parcerias e cooperao com outras empresas ou instituies influencia positivamente a capacidade inovadora da empresa.
Teece (1989)
Ussman et al. (1998)
Kaufman, Wood e Theyel (2000) Franco (2001)
Mogolln e Vaquero (2004)
Meio Ambiente
H9: O grau de abertura externa da empresa influencia positivamente a capacidade inovadora da empresa.
Porter (1990)
Pazos e Lpez (2004)
Silva, Raposo e Ferro (2004)
Capacidade Inovadora e Desempenho
H10: A capacidade inovadora da empresa influencia positivamente o desempenho obtido pela empresa.
Zahra, Belardino e Boxx (1988) Hill e Deeds (1996)
Ussman et al. (1998)
Roberts e Amit (2003) Mogolln e Vaquero (2004)
Quadro 2 Hipteses de investigao Fonte: Elaborado pelos autores
3 ANLISE E DISCUSSO DOS RESULTADOS
A presente seo visa evidenciar analisar e discutir os principais resultados obtidos relativamente identificao dos fatores determinantes da capacidade inovadora das empresas e capacidade inovadora e o desempenho.
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Joo Jos de Matos Ferreira, Carla Susana da Encarnao Marques e Maria Joo Barbosa
3.1 FATORES DETERMINANTES DA CAPACIDADE INOVADORA
Com o objetivo de identificar os fatores determinantes da capacidade inovadora, foi utilizada a regresso linear mltipla, considerando varivel dependente a varivel capacidade inovadora e variveis independentes as variveis (i) dimenso da empresa; (ii) idade da empresa; (iii) nvel de formao dos trabalhadores; (iv) sector de atividade; (v) ciclo de vida; (vi) idade do empresrio; (vii) esprito empreendedor do empresrio; (viii) estabelecimento de parcerias/cooperao; e (ix) grau de abertura externa.
Este processo foi utilizado at ao ponto em que se consideraram no modelo cinco variveis e foram excludas do modelo as restantes quatro variveis, tendo sido este o ponto em que os valores de R (0,931), R2 (0,866) e R2 Ajustado (0,854) se mostraram mais elevados. O Quadro 3, referente a esses resultados, apresentado em seguida:
Coeficientes No Estandardizados
B Std. Error Beta
0,328
0,693 0,891 0,133 -0,530
0,360
Resultados do modelo de regresso linear mltipla: varivel dependente capacidade inovadora Quadro 3 Fatores que influenciam a capacidade inovadora da empresa
Fonte: Elaborado pelos autores
Verifica-se que (e atendendo aos coeficientes Beta estandardizados), a varivel esprito empreendedor do empresrio (ou empreendedorismo) aquela que mais explica a capacidade inovadora da empresa, com um valor de Beta igual a 0,424. Segue-se a varivel ciclo de vida, com um valor Beta de (-0,308). Posteriormente, a varivel estabelecimento de parcerias/cooperao com outras entidades, com um valor Beta de 0,276. Depois, a varivel idade da empresa com um valor Beta de 0,199 e, por fim, a varivel dimenso da empresa com um valor Beta de 0,079.
Face a esses resultados, possvel retirar as seguintes concluses:
Confirma-se a hiptese 1. Desta forma, medida que a dimenso das empresas aumenta, aumenta tambm a sua capacidade inovadora. Este resultado corrobora resultados de investigaes anteriores (MOGOLLN; VAQUERO, 2004; SILVA; RAPOSO; MORENO, 2003; SILVA; RAPOSO; FERRO, 2004; USSMAN et al., 1998). Confirma-se a hiptese 5. A varivel ciclo de vida mostrou-se influenciadora da capacidade inovadora da empresa, tendo-se confirmado a relao negativa entre as duas variveis. Ou seja, medida que a empresa avana nas fases do ciclo de vida, vai diminuindo a sua capacidade inovadora. Esta concluso vem confirmar resultados de estudos anteriores (FERREIRA, 2003; SCOTT; BRUCE, 1987).
Confirma-se a hiptese 7, ou seja, quanto maior o esprito empreendedor do empresrio maior a capacidade inovadora da empresa. O estudo de Mogolln e Vaquero (2004) confirmou tambm essa relao positiva entre
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Modelo
Coeficientes
Estandardizados
t Sig.
Constante
Empreendedorismo Parcerias/cooperao Dimenso da empresa Ciclo de vida
Idade da Empresa
0,565 0,129 0,271 0,106 0,132 0,113
0,565 0,000 0,002 0,215 0,000 0,002
0,424 0,276 0,079 -0,308
0,199
0,580 5,391 3,292 1,254 -4,018
3,198
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esprito empreendedor do empresrio e capacidade inovadora da empresa. Na presente investigao, tal como havia acontecido com o estudo deses autores, a varivel esprito empreendedor do empresrio manifestou-se como uma das mais influenciadoras da capacidade inovadora da empresa. Estudos anteriores, tais como Drucker (1985), Miller (1983) e Mintzberg (1984) confirmam ser esa varivel determinante da capacidade inovadora das empresas.
Confirma-se a hiptese 8, ou seja, as empresas que estabelecem parcerias e acordos de cooperao com outras entidades tm uma maior capacidade inovadora. Esta concluso vai no sentido de concluses anteriormente alcanadas por Kaufman, Wood e Theyel (2000), Silva, Raposo e Moreno (2003) e Teece (1989). No se confirma a hiptese 2, ou seja, nesta hiptese de investigao, a varivel idade da empresa foi definida enquanto factor que influenciava negativamente a capacidade inovadora da empresa, face a resultados obtidos em investigaes anteriores (HERNNDEZ, 2000), que demonstravam que as empresas mais jovens teriam uma maior propenso a inovar, e, medida que ia crescendo a idade da empresa esta demonstrava-se, gradualmente, menos inovadora.
No se confirma a hiptese 3. Neste estudo a varivel nvel de formao dos trabalhadores, foi excluda do modelo de regresso linear, no se demonstrando como determinante da capacidade inovadora da empresa. Esta varivel tinha-se evidenciado significativa nos estudos de Pazos e Lpez (2004) e Silva, Raposo e Moreno (2003).
No se confirma a hiptese 4. Neste estudo a varivel sector de actividade no se demonstrou determinante da capacidade inovadora da empresa. Esta evidncia poder dever-se ao facto de, este estudo dedicado aos sectores mais representativos da indstria transformadora da regio da Beira Interior, ter contemplado os sectores de (i) alimentao e bebidas; (ii) fabricao de txteis; (iii) indstria do vesturio; (iv) indstria de madeiras e cortia; e (v) fabrico de produtos metlicos. Genericamente, estes so sectores tradicionais na economia da regio, no se destacando nenhum como tecnologicamente mais intensivo, pelo que, no foi possvel detectar comportamentos mais inovadores em determinados sectores. Tal como Ussman et al. (1998) haviam verificado, as empresas da regio da Beira Interior, genericamente, operam em sectores muito tradicionais, no existindo um sector com peso na regio, que se destaque como um sector de elevada intensidade tecnolgica.
No se confirma a hiptese 6. No possvel identificar uma relao entre a idade do empresrio e a capacidade inovadora da empresa, tal facto tinha j sucedido no estudo de Mogllon e Vaquero (2004), no qual, tambm a hiptese que envolvia estas duas variveis, no se confirmou. De facto, verificamos, atravs de exemplos de empresrios com sucesso, cuja idade no um factor inibidor ou de desacelerao da sua capacidade inovadora e empreendedora (vide, por exemplo, empresrios tais como Belmiro de Azevedo, Antnio Champalimaud, Abraham Kasinski).
Relao entre inovao, capacidade inovadora e desempenho: o caso das empresas da regio da Beira Interior
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No se confirma a hiptese 9. A varivel grau de abertura externa no includa no modelo, ou seja, no se confirma que empresas mais exportadoras tenham uma maior capacidade inovadora. O estudo de Silva, Raposo e Moreno (2003) tinha revelado a existncia de uma relao positiva entre o grau de abertura externa das empresas no nvel da inovao no produto, no confirmando, por outro lado, essa relao no nvel da inovao no processo e inovao tecnolgica.
3.2 CAPACIDADE INOVADORA E DESEMPENHO
Por fim, procurou-se verificar se a capacidade inovadora da empresa exerce influncia sobre o desempenho da empresa. Neste sentido, foi utilizada a regresso linear simples, de forma a aferir a influncia que a dimenso capacidade inovadora da empresa exerce sobre a dimenso desempenho da empresa. O modelo de regresso linear obtido, que se apresenta em seguida no Quadro 4, obtm um valor para R de 0,832, para R2 de 0,692 e para R2 Ajustado de 0,686, sendo, neste caso, a varincia explicada relativamente elevada.
Coeficientes No Estandardizados
Joo Jos de Matos Ferreira, Carla Susana da Encarnao Marques e Maria Joo Barbosa
Coeficientes
Estandardizados
B Std. Error Beta
1,472 0,603
Resultados do modelo de regresso linear simples: varivel dependente - Desempenho Quadro 4 Influncia da capacidade inovadora sobre o desempenho
Fonte: Elaborado pelos autores
Atravs da anlise do Quadro 4 verifica-se que o coeficiente Beta Estandardizado para a varivel capacidade inovadora assume o valor de 0,832, pelo que se conclui que a varivel capacidade inovadora influencia positivamente o desempenho obtido pela empresa.
Assim, face aos resultados, possvel retirar a seguinte concluso:
Confirma-se a hiptese 10; pode-se afirmar que existe uma influncia positiva da capacidade inovadora sobre o desempenho da empresa. Ou seja, quanto maior a capacidade inovadora da empresa melhor o seu desempenho. Essa concluso foi tambm apontada nos estudos de Mogolln e Vaquero (2004), Roberts e Amit (2003) e Zahra, Belardino e Boxx (1988).
Estando confirmada a hiptese de que a capacidade inovadora influencia positivamente o desempenho da empresa, pareceu relevante efetuar uma anlise mais concreta desse dado, apesar de no definida inicialmente nas hipteses de investigao. Ou seja, a capacidade inovadora da empresa foi medida atravs de quatro variveis: (1) inovao no produto; (2) inovao no processo; (3) investimentos em I&D; e (4) utilizao de novos canais de distribuio. Ser aplicada a regresso linear mltipla, com o objetivo de identificar, dentre as variveis includas na dimenso capacidade inovadora, qual ou quais so as que mais influenciam o desempenho da empresa.
Assim, face aos resultados obtidos para o R (0,862), R2 (0,744) e R2 Ajustado (0,734), que se revelaram os mais elevados, obtiveram-se os resultados da regresso linear mltipla atravs do mtodo forward (ou stepwise), expostos no Quadro 5, que se apresenta em seguida:
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Modelo
t Sig.
Constante
Capacidade inovadora
0,1650,053 0,832
8,930 11,313
0,000 0,000
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Relao entre inovao, capacidade inovadora e desempenho: o caso das empresas da regio da Beira Interior
Coeficientes No Estandardizados
B Std. Error Beta
2,050 1,611 0,559
Resultados do modelo de regresso linear mltipla: varivel dependente - Desempenho Quadro 5 Variveis da capacidade inovadora que influenciam o desempenho
Fonte: Elaborado pelos autores
Da anlise do quadro 6, constata-se que as variveis consideradas no modelo foram a inovao no processo, com um valor Beta de 0,693 e investimento em I&D, com um valor Beta de 0,230. Assim, possvel afirmar que a varivel da capacidade inovadora que mais influencia o desempenho da empresa a inovao no processo (Beta = 0,693); concluso verificada tambm por Marques e Monteiro-Barata (2006), seguida pelos investimentos em I&D (Beta = 0,230). Neste ltimo caso, Marques & Monteiro-Barata (2006) no identificaram essa varivel como determinante para um melhor desempenho da empresa, mas sim o investimento total em inovao. Por outro lado, as variveis inovao no produto e utilizao de novos canais de distribuio foram excludas do modelo, no se mostrando significativas no nvel do desempenho da empresa, tal como sucedeu no estudo de Marques e Monteiro-Barata (2006).
4 CONCLUSES
Neste ponto do estudo, relativo s concluses gerais da investigao, procura-se responder s questes de investigao inicialmente levantadas. Desta forma, so expostas as concluses da investigao, de acordo com as questes iniciais em torno das quais se desenrolou a presente investigao, com o propsito de dar-lhes uma resposta. (i) Que fatores contribuem para o desenvolvimento de um comportamento inovador, por parte das empresas da indstria transformadora da regio da Beira Interior?
Da reviso da literatura efetuada, constatou-se existir um conjunto vasto de fatores que eram apontados como possveis determinantes da capacidade inovadora das empresas. Na presente investigao foram includas variveis nas trs dimenses do modelo, que se presumia influenciarem a capacidade inovadora empresarial, e foram elas: (1) dimenso empresa, consideraram-se variveis desta dimenso: (i) dimenso da empresa; (ii) idade da empresa; (iii) nvel de formao dos trabalhadores; (iv) setor de atividade; e (v) ciclo de vida. (2) dimenso empresrio, consideraram-se variveis desta dimenso: (i) idade do empresrio; e (ii) esprito empreendedor do empresrio. (3) dimenso meio ambiente, consideraram-se variveis desta dimenso: (i) estabelecimento de parcerias e cooperao com outras empresas ou instituies; e (ii) grau de abertura externa.
Aplicando a regresso linear mltipla, foi possvel identificar, os fatores determinantes da capacidade inovadora das empresas da indstria transformadora da regio da Beira Interior. Assim, conclui-se que os fatores que influenciam a capacidade inovadora dessas empresas so, e, por ordem decrescente de importncia: (1) esprito empreendedor do empresrio (ou
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Modelo
Coeficientes
Estandardizados
t Sig.
Constante
Inovao no processo Investimento I&D
0,112 0,209 0,219
0,693 0,230
0,000 0,000 0,013
18,226 7,691 2,555
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empreendedorismo); (2) ciclo de vida; (3) estabelecimento de parcerias e cooperao com outras empresas ou instituies; (4) idade da empresa; e (5) dimenso da empresa.
Quanto ao tipo de influncia exercida por esses fatores sobre a capacidade inovadora da empresa, verifica-se o seguinte: Quanto maior o esprito empreendedor do empresrio, maior a capacidade inovadora da empresa;
medida que as empresas avanam ao longo das fases do ciclo de vida, menor a sua capacidade inovadora;
As empresas que estabelecem parcerias e acordos de cooperao com outras empresas ou instituies demonstram uma maior capacidade inovadora;
Quanto maior a dimenso da empresa maior a sua capacidade inovadora.
(ii) De que forma o desenvolvimento de uma estratgia inovadora empresarial influencia o desempenho das empresas?
De acordo com Roberts e Amit (2003), um ato bem sucedido de inovao gera uma posio competitiva positiva para essa empresa, trazendo-lhe vantagem competitiva e, conseqentemente, um melhor desempenho. Essa posio foi tambm tomada na presente investigao, ou seja, a criao de vantagens competitivas pela empresa, inerentes sua capacidade inovadora, sero medidas atravs do seu desempenho, assumindo que as vantagens competitivas se refletem no melhor desempenho das empresas. Assim, com base no modelo de regresso linear simples, foi testada a hiptese da influncia da capacidade inovadora da empresa sobre o desempenho da empresa, tendo-se concludo que, efetivamente, uma maior capacidade inovadora da empresa leva a um melhor desempenho por parte dessa mesma empresa. Assim, conclui-se que a capacidade inovadora da empresa cria para ela vantagens competitivas que a levam a obter um melhor desempenho.
Uma vez alcanada essa concluso, adicionalmente, optou-se por verificar, entre as quatro variveis da dimenso capacidade inovadora consideradas na investigao (i) inovao no produto; (ii) inovao no processo; (iii) investimentos em I&D; e (iv) utilizao de novos canais de distribuio , qual ou quais seriam as que exerciam uma maior influncia sobre o desempenho das empresas. Neste sentido, foi utilizada a regresso linear mltipla, tendo-se verificado que, entre as quatro variveis da dimenso capacidade inovadora, as variveis inovao no processo e investimentos em I&D, nessa ordem, so as que explicam o melhor desempenho das empresas e, conseqentemente, so as que criam vantagens competitivas para as empresas.
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RELATIONSHIP BETWEEN INNOVATION, INNOVATIVE CAPACITY AND PERFORMANCE: THE CASE THE FIRMS OF BEIRA INTERIOR REGION
Abstract
The study presented in this article aims to identify the factors that contribute to the creation of innovative business capacity and to value how this capacity influences the business performance. A conceptual model is proposed with five dimensions: firm, entrepreneur, environment innovative capacity of the firm, and performance. The study was based on a sample of manufacturing firms of Beira Interior (Portugal). The empirical data used in this research is drawn from dataset collected using a structured mail questionnaire. The data were submitted to statistic analysis through multiple linear regressions. The obtained results allowed concluding that the factors that influence the innovative capacity of the firms are: entrepreneurial spirit of the entrepreneur, life-cycle of the firm, existence of partnerships, age of the firm and dimension of the firm. It is ended, also, that a bigger innovative capacity of the firms creates competitive advantages, which contribute to obtaining a better performance.
Keywords: Innovation; Innovative capacity; competitive advantage; performance.
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Data do recebimento do artigo: 05/11/2007
Data do aceite de publicao: 14/12/2007
Relao entre inovao, capacidade inovadora e desempenho: o caso das empresas da regio da Beira Interior
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Copyright Milton de Abreu Campanario 2007
Abstract
The study presented in this article aims to identify the factors that contribute to the creation of innovative business capacity and to value how this capacity influences the business performance. A conceptual model is proposed with five dimensions: firm, entrepreneur, environment innovative capacity of the firm, and performance. The study was based on a sample of manufacturing firms of Beira Interior (Portugal). The empirical data used in this research is drawn from dataset collected using a structured mail questionnaire. The data were submitted to statistic analysis through multiple linear regressions. The obtained results allowed concluding that the factors that influence the innovative capacity of the firms are: entrepreneurial spirit of the entrepreneur, life-cycle of the firm, existence of partnerships, age of the firm and dimension of the firm. It is ended, also, that a bigger innovative capacity of the firms creates competitive advantages, which contribute to obtaining a better performance.
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