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Introdução
O debate sobre a relação entre ambientes reais e virtuais antecede o advento da internet (Lévy, 1996). Por exemplo, no campo da Filosofia, (Bergson, 1957) ressaltou a coexistência da virtualidade e da realidade na relação entre passado e presente, relação que se concretiza na conexão direta entre percepção e memória. Em sua concepção, a virtualidade está presente em cada ato em que percebemos algo, pois nos remetemos diretamente à nossa memória, aos acontecimentos, aos sentimentos e às sensações que existem, mas que são impalpáveis, incomensuráveis e que coexistem com a realidade no plano da virtualidade, dando sentido ao que percebemos.
Contudo, com o surgimento da internet e das redes sociais, quando grandes contingentes da população mundial começaram a interagir entre si em ambientes tradicionalmente denominados "virtuais", esse debate sobre a relação entre as duas categorias foi ampliado (Castells, 1996; Nicolaci-da-Costa, 2002, 2003). Assim, essa relação entre ambientes reais e virtuais tornou-se tema recorrente em debates entre acadêmicos e entre usuários de redes multitudinárias, como o Facebook. A motivação desta pesquisa se deu em razão do entrave, no âmbito do debate acadêmico, provocado por duas perspectivas antagônicas e, ao mesmo tempo, limitantes: a que vê essa relação de forma dicotomizada e a outra que, na busca de superação dessa dicotomia, termina por deixar de reconhecer as especificidades de cada uma dessas duas categorias e a relação existente entre elas.
No caso específico das redes sociais virtuais, esse assunto se revigorou e passou a ser ainda mais polêmico em decorrência da possibilidade da criação de um perfil virtual, que representa o usuário nesse ambiente e que proporciona interações com pares, deixando de lado a necessidade do contato direto da interação presencial ou face a face. Por sua vez, a cotidianidade das interações facilitadas pelas tecnologias de informação e comunicação, particularmente por meio das redes sociais, faz com que milhões de pessoas passem parte considerável do seu dia em ambientes usualmente denominados "virtuais". Essa presença do virtual no dia a dia dos indivíduos e do real no virtual nos estimula a perguntar se existiria, de fato, uma separação entre esses dois termos - real e virtual -, uma vez que ambos são categorias de pensamento socialmente construídas e suas características podem ser equiparadas. Ou, ainda...





