INTRODUÇÃO
A Audiodescrição (AD) é um recurso de acessibilidade audiovisual definido, grosso modo, como “[...] um meio de traduzir a impressão visual de um objeto em palavras”1 (DE COSTER; MÜHLEIS, 2007, p. 189).
Nos primórdios de seu desenvolvimento, pensava-se a AD apenas em relação à imagem em movimento (cinema e TV), acarretando numa definição de AD como a utilização dos intervalos entre falas na trilha sonora original de produtos audiovisuais para inserir texto oral contendo traduções das informações visuais ali presentes.
Contudo, tal definição está ultrapassada, haja vista o emprego da AD em inúmeros contextos: em museus ou exposições de arte, tornando acessíveis imagens estáticas, como fotografias, esculturas e pinturas (MAGALHÃES; ARAÚJO, 2012); em livros didáticos digitais, com textos falados e imagens descritas oralmente, ambos através do formato MecDaisy2; em exames públicos (como vestibulares, concursos públicos e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)), nos quais as pessoas com deficiência visual (PcDVs) podem solicitar um profissional que lhes leia a prova e audiodescreva o que houver de imagens nas questões.
A ampla disseminação da AD torna premente a pesquisa sobre esta modalidade de tradução, para se estabelecerem sólidos critérios de qualidade que garantam a efetiva inclusão das PcDVs. Neste quesito, a literatura não acadêmica sobre AD tem postulado que não se deve retirar das PcDVs a liberdade para construírem, sozinhas, seus juízos de valor acerca do produto (audio)visual. Logo, toda AD deveria ser isenta dos julgamentos valorativos do audiodescritor. Um autor de língua inglesa, inclusive, propõe uma sigla a este respeito: WYSIWYS (What you see is what you say) - em português (o que você vê é o que você diz) (SNYDER, 2008, p. 195-196).
Não há dúvidas de que as PcDVs são plenamente capazes em suas faculdades cognitivas e emocionais, podendo realizar suas próprias inferências e juízos. Não obstante, como mostram, por exemplo, Holland (2009) e Praxedes Filho e Magalhães (2013; 2015), tal prescrição de neutralidade total pode causar dificuldades na elaboração de roteiros de AD, dado que a literatura não acadêmica falha em explicar de que modo ser neutro.
Com efeito, tanto a carência de diretrizes sobre a produção de roteiros de AD neutros, quanto a ausência de evidências empíricas de que é possível alcançar tal objetivo, pesam contra a prescrição de neutralidade em AD.
O objetivo deste artigo é apresentar a trajetória de pesquisas realizadas pelo grupo Legendagem e Audiodescrição (LEAD) da Universidade Estadual do Ceará (UECE) sobre AD pelo viés do Sistema de Avaliatividade, este uma parte integrante de uma proposta maior sobre o estudo da língua em uso, a Linguística Sistêmico-Funcional (LSF).
O artigo contém, além desta introdução: uma seção localizando a audiodescrição dentro dos Estudos da Tradução; uma seção apresentando os conceitos básicos relativos ao Sistema de Avaliatividade; uma seção discursando sobre as pesquisas já realizadas pelo grupo LEAD e os resultados alcançados; e uma seção final ponderando sobre futuros desdobramentos sobre a pesquisa em AD via Sistema de Avaliatividade.
1. TRADUÇÃO AUDIOVISUAL E ACESSIBILIDADE
A AD é uma das modalidades de tradução estudada pela área disciplinar Tradução Audiovisual (TAV), esta caracterizada pelo trabalho de tradução de textos multimodais - pois conjugam vários modos semióticos (imagem, sons, linguagem verbal, cores e perspectiva) na sua produção e recepção -, e multimidiáticos - haja vista a profusão de suportes de difusão dos textos (INGHILERI, 2009). A TAV, por sua vez, está enquadrada dentro da área maior dos Estudos da Tradução.
Convencionalmente, a TAV é constituída de três modalidades de tradução: a legendagem, o voice-over e a dublagem. Mais recentemente, com o avanço tecnológico e das políticas de empoderamento das minorias, surgiram novas modalidades de TAV: a AD para cegos e pessoas com baixa visão; a legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE); e a janela de língua de sinais. Propôs-se, então, que estas três modalidades de TAV constituam uma nova subárea dos Estudos da Tradução: a Tradução Audiovisual Acessível (JIMENEZ, 2010) (sigla brasileira, TAVa (ADERALDO, 2014)).
Tornar algo “acessível” significa garantir condições de igualdade entre as pessoas não apenas em termos físicos - por exemplo, a construção de rampas especiais para cadeirantes -, mas também em termos do usufruto, com conforto e segurança, de espaços, serviços e produtos, tanto físicos quanto virtuais, presencialmente ou não. (ALONSO, 2007).
Diante desta concepção mais abrangente de acessibilidade, fica patente a importância de instrumentalizar o audiodescritor para executar a tarefa de apropriar-se de um texto de partida constituído pela interação entre diferentes sistemas de signos, e ressignificá-lo para as PcDVs. Remael e Vercauteren (2007) ponderam:
Em alguns países europeus [...] a prática da audiodescrição (AD) está relativamente bem estabelecida […]. Todavia, nenhuma das diretrizes existentes é ideal como uma ferramenta didática […]. Os estudantes, [...] precisam de diretivas ou “regras” que os ajudem a tomar decisões [...]. É por isto que algumas das instruções existentes de AD permanecem muito vagas [...], de modo a serem úteis de um ponto de vista didático. (REMAEL; VERCAUTEREN, 2007, p. 74, grifo nosso)
Segundo os autores, de uma maneira geral, as diretrizes de AD podem ser classificadas em quatro categorias: (i) o que audiodescrever?; (ii) quando fazê-lo?; (iii) como fazê-lo?; e (iv) quanto deve ser descrito? (REMAEL; VERCAUTEREN, 2007, p. 75). Com relação ao “como?”, uma organização estadunidense, a Audio Description Coallition3, no documento Standards for Audio Description and Code of Professional Conduct for Describers (2008), prescreve o seguinte:
Esta é a primeira regra: o que você vê é o que você descreve. Você vê aparências e ações físicas; você não vê motivações ou intenções. Nunca descreva o que você acha que vê. [...]
Permita que os ouvintes formem suas próprias opiniões e cheguem às suas próprias conclusões. [...]
Os humores, as razões ou o raciocínio de um personagem não são visíveis e, portanto, não devem ser descritos. [...]
É mais interessante listar os itens que estão em um amontoado de coisas, se o tempo permitir, do que dizer: “o sótão está amontoado” (STANDARDS, 2008, p. 1-3, grifos no original)
Para os Estudos da Tradução, esta passagem é problemática, pois parte do pressuposto de que é possível haver uma correspondência termo a termo entre o mundo físico e as línguas naturais. Jakobson (2000 [1959]), por exemplo, entende que não há relação intrínseca entre signos (no código linguístico) e referentes (no mundo da matéria); o significado de qualquer signo é a sua elaboração, sua explicitação, sua tradução em signo(s) alternativo(s), independente de esta tradução acontecer dentro de uma mesma língua ou entre línguas (ou até mesmo entre meios semióticos diferentes).
Traduzir, portanto, será sempre interpretar, concepção antitética às prescrições de AD do tipo “[n]ão edite, interprete, explique, analise [...]” (STANDARDS, 2008, p. 2). A inviabilidade teórica da neutralidade também se reflete no plano prático da AD. Por exemplo, Holland (2009), audiodescritor britânico, questiona a possibilidade de neutralidade em AD ao comparar seu treinamento e posterior atuação profissional. Inicialmente, ele fora admoestado a não conversar com o diretor ou outros membros das companhias de teatro, sob o pretexto de que “eles te dirão o que querem que você veja” (p. 173, grifo no original). Não obstante, argumenta o autor que um maior conhecimento sobre o objeto da descrição permite selecionar melhor quais informações serão mais relevantes no sentido de dar às PcDVs uma noção global da obra apreciada.
Holland (2009) cita como exemplo, no teatro, uma história infantil como Peter Pan, na qual as personagens têm a capacidade de voar, efeito alcançado na encenação da peça através de cordas e roldanas suspendendo os atores. O que se vê não são pessoas voando, mas pessoas dependuradas. Caso o audiodescritor se prenda à literalidade das cordas e roldanas, acabará privando o público infantil de PcDVs da magia do teatro, agindo na contramão do que prega a acessibilidade universal tal como conceituada anteriormente (ALONSO, 2007).
Este impasse acarretou em muitas discussões entre os membros do grupo LEAD, tanto os pesquisadores, quanto os audiodescritores, sobre qual decisão tomar a este respeito. Surgiu, então, a proposta de examinar, através de estudos de caso, a presença (ou ausência) de neutralidade em roteiros de AD considerados neutros por seus autores. Para alcançar tais fins, os pesquisadores do grupo LEAD utilizaram como aporte teórico-metodológico a Linguística Sistêmico-funcional (LSF) (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2014) e, dentro dela, o Sistema de Avaliatividade (MARTIN; WHITE, 2005). Esta descrição teórica da avaliação defende que quaisquer enunciados em linguagem verbal (desde aqueles explicitamente opinativos, até aqueles que se pretendem asserções categóricas) estão imersos em intersubjetividade e, portanto, em posicionamentos avaliativos, visto que todo texto é produzido numa situação de interação com algum interlocutor, seja ele real, potencial ou imaginário.
Já que o Sistema de Avaliatividade é o alicerce dos estudos a serem aqui resenhados, faz-se necessário apresentá-lo antes de traçarmos os resultados encontrados pelo grupo LEAD.
2. O SISTEMA DE AVALIATIVIDADE
O Sistema de Avaliatividade (MARTIN; WHITE, 2005; MARTIN; ROSE, 2007) foi desenvolvido com o propósito de analisar a linguagem da avaliação. Isto significa dizer que, num nível mais grosseiro, permite modelar como as pessoas expõem linguisticamente: (i) suas atitudes em relação às experiências cotidianas - o que emociona positiva ou negativamente, o que se julga correto ou reprovável, o que se considera belo ou asqueroso -; (ii) seu alinhamento ou desalinhamento com os posicionamentos emitidos por si próprio ou por outrem; (iii) seu modo de graduar as avaliações, ora saturando-as, ora diluindo-as. Porém, num nível mais sutil, permite também vislumbrar os processos de criação, no texto, de uma persona autoral, com o intuito de posicionar os interlocutores de tal maneira a estarem mais suscetíveis aos valores e ideais expostos no texto.
Os proponentes do Sistema de Avaliatividade buscaram edificá-lo com base na LSF (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2014), uma perspectiva funcionalista de estudo das línguas humanas, o que significa que a LSF não se contenta em abordar apenas questões intralinguísticas (dos significados, das formas e dos recursos sonoros e gráficos), mas procura incorporar em seu arcabouço as coerções extralinguísticas (culturais, sociais e ideológicas) que se impõem ao uso espontâneo da língua pelas pessoas do mundo real.
Estabelece-se, assim, uma tensão dialética entre cultura e língua, como mostra a Figura 1: por um lado, a cultura (conteúdo) ativa o sistema linguístico (expressão); por outro lado, a língua constrói a cultura. É devido a esta perspectiva que o fundador da LSF denominou sua abordagem de estudo das diversas linguagens de Semiótica Social (HALLIDAY, 1978). Segundo esta abordagem, a língua (ou qualquer outra linguagem) é um potencial de recursos voltado para a construção de sentido via textos, sempre enunciados em situações autênticas de interação humana, em suporte oral ou escrito (ou sinalizado, no caso das línguas de sinais).
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Fonte: nossa autoria
Figura 1 Tensão dialética entre cultura e língua
A LSF postula que as línguas naturais humanas diferem da linguagem de outras espécies pela sua capacidade de sobrepor diferentes tipos de significados num mesmo enunciado. Haveria, então, três áreas de significados ou metafunções: (i) a metafunção ideacional, responsável por representar discursivamente as experiências cotidianas humanas, tanto interiores, quanto exteriores; (ii) a metafunção interpessoal, responsável pela negociação e troca entre sujeitos destas experiências cotidianas; e (iii) a metafunção textual, responsável por viabilizar as negociações e trocas de experiências representadas através da elaboração de textos coesos e coerentes.
Outro legado importante da Semiótica Social de Halliday (1978), complementar à tripartição dos significados acima descrita, é a estratificação do sistema linguístico em níveis ou estratos: o estrato dos significados (ou semântica discursiva), que é realizado pelo estrato das formas (ou lexicogramática), que é realizado pelos recursos sonoros (ou fonologia).
Na LSF, a maneira clássica de representar visualmente a complementaridade entre estratos da língua e metafunções pode ser observada na Figura 2, na qual a estratificação é representada pelos três círculos que se tocam num mesmo ponto tangencial - o círculo menor representando a fonologia; o círculo intermediário, a lexicogramática; e o círculo maior, a semântica discursiva -, ao passo que as três metafunções são representadas pelas três áreas do círculo mais externo e que se irradiam para os círculos menores.
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Fonte: adaptada de Martin e White (2005)
Figura 2 Complementaridade entre estratos e metafunções na LSF
Em cada estrato estão alocados os potenciais de recursos disponibilizados ao usuário da língua para construção de sentido via texto. Estes potenciais de recursos são representados na LSF através de sistemas organizados em redes de sistemas, como exemplifica a Figura 3, em relação ao Sistema de Avaliatividade, que na verdade, então, é um sistema de sistemas ou um polissistema, localizado no estrato da semântica, especificamente dentro da metafunção interpessoal.
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Fonte: adaptada de Martin e White (2005) e Martin e Rose (2007)
Figura 3 Representação abreviada do sistema de avaliatividade
É a partir da ideia de redes de sistemas que é possível pensar a língua não como um sistema de regras, mas como escolhas sistêmicas, escolhas feitas percorrendo-se as redes de sistema. Construir um texto verbal, portanto, significa fazer escolhas dentro das diversas redes de sistemas que constituem dado sistema linguístico, dentre elas, a rede de sistemas de avaliatividade4.
Estas escolhas sistêmicas sempre se iniciam a partir de uma dada condição de entrada: no caso dos significados avaliativos, a condição de entrada é o termo ‘avaliatividade’, na extremidade esquerda da Figura 3. A ativação de uma condição de entrada disponibiliza ao usuário da língua escolhas mais refinadas, detalhadas, delicadas: a ativação do termo ‘avaliatividade’ nos leva ao sistema à direita tipos de avaliatividade, composto por três termos mais delicados, ‘atitude’, ‘engajamento’ e ‘gradação’.
Antes de detalharmos os três tipos de avaliações, é preciso esclarecer que a rede de sistemas de avaliatividade não será aqui descrito em sua inteireza, devido às limitações de espaço, mas apenas até o segundo nível de delicadeza. Tendo dito isso, passemos à explanação da rede.
2.1. Atitude
O primeiro tipo de significado avaliativo é ‘atitude’, que diz respeito à expressão de sentimentos, como no exemplo (1), célebre frase do político brasileiro Ulysses Guimarães (1916-1992):
(1) Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania aonde quer que ela desgrace homens e nações. (CÂMARA, 2006)
No dia 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a primeira Constituição democrática brasileira após vinte e quatro anos de ditadura militar, Ulysses Guimarães, então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, discursou durante a cerimônia de promulgação da nova Carta Magna. Guimarães, através do trecho exemplificado em (1), instala em seu texto um posicionamento atitudinal de desdém e indignação em relação ao regime político anterior. Trata-se de uma postura atitudinal negativa em relação ao totalitarismo de maneira geral, e aos governos militares brasileiros em particular, postura esta resultante das escolhas sistêmicas realizadas na subrede de ‘atitude’, melhor detalhada na Figura 4.
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Fonte: adaptada de Martin e White (2005), Martin e Rose (2007) e Bednarek (2008)
Figura 4 Subrede de ‘atitude’ até o 2º nível de delicadeza
A subrede de ‘atitude’ possui, no seu 2º nível de delicadeza (vide Figura 4), três sistemas simultâneos5: o sistema tipos de atitude, o sistema polaridade e o sistema tipos de realização. O primeiro destes, tipos de atitude, leva a possíveis escolhas de três tipos de significados relacionados aos sentimentos:
I ‘afeto’, que diz respeito à expressão de sentimentos emocionais, pulsivos, ou seja, aos “assuntos do coração”, tal como podemos observar no trecho (1) do discurso de Ulysses Guimarães pelo uso dos substantivos [ódio] e [nojo] e do verbo [Amaldiçoamos];
II ‘julgamento’, que diz respeito à expressão de sentimentos morais e éticos, tal como podemos observar no uso de [tirania] e [desgrace] no trecho (1), palavras que reprovam as condutas assumidas pelo regime militar; e
III ‘apreciação’, que diz respeito à expressão de opiniões estéticas sobre fenômenos naturais ou semióticos alinhadas ao valor destes num dado campo, opiniões estas que não estão presentes no trecho (1), mas que podem ser exemplificadas pelo trecho (2).
(2) Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce
Se em teu formoso céu, risonho e límpido
A imagem do cruzeiro resplandece (BRASIL, 1922)
Neste trecho de nosso Hino Nacional, o autor, Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927), exalta o Brasil através dos recursos avaliativos de ‘apreciação’ aplicados a figuras de linguagem: é feita uma analogia entre o país e [um sonho], apreciado como [intenso]; a nação é comparada a [um raio], apreciado como [vívido].
Passemos agora à discussão dos outros dois sistemas dos significados atitudinais, polaridade e tipos de realização. O primeiro sistema responde pelo fato de as avaliações atitudinais operarem ao longo de uma escala entre os polos positivo e negativo - no trecho (1), Ulysses Guimarães declara ter [ódio e nojo] à ditadura, um exemplo de ‘afeto’ negativo; porém, mais adiante no seu discurso, Guimarães avalia positivamente a Constituição de 1988, como mostra o trecho (3).
(3) Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora, será luz ainda que de lamparina na noite dos desgraçados. (CÂMARA, 2006)
Ao caracterizar a Constituição como [útil], [pioneira] e [desbravadora], Guimarães instaura em seu discurso avaliações atitudinais positivas de ‘julgamento’.
Além de salientar as avaliações positivas e negativas, é importante salientar os achados de Bednarek (2008), que através de uma ampla pesquisa via Linguística de Corpus em língua inglesa, encontrou casos de avaliações atitudinais ambivalentes, não podendo ser enquadradas nos polos positivo ou negativo, daí a proposta da autora de incluir, no sistema polaridade, atitudes neutras (denominada no presente trabalho de atitude ‘ambígua’ (vide Figura 4)).
O último sistema a ser discutido na subrede de ‘atitude’ é o de tipos de realização. As avaliações atitudinais podem ser comunicadas ora explicitamente - como no caso dos trechos (1), (2) e (3) (atitude ‘inscrita’) -, ora implicitamente, como no trecho (4):
(4) No meio do cômodo estava Lisavieta em pé, com uma trouxa grande na mão, olhando pasma para a irmã morta, inteiramente branca como um pano e como que sem forças para gritar. [...] ela começou a tremer feito vara verde, [...] rosto convulsionado; [...] fez menção de abrir a boca, mas mesmo assim não gritou [...] como se lhe faltasse ar para tanto. (DOSTOIÉVSKI, 2009 [1866], p. 93-94, grifos nossos).
Neste trecho da obra Crime e Castigo, de Dostoiévski (2009 [1866]), Lisavieta entra no apartamento de sua irmã, Aliena Ivánovna, e encontra seu cadáver ensanguentado estirado no chão, assassinada pelo protagonista, Raskolnikov. No texto, a primeira avaliação de Lisavieta é ‘inscrita’, marcada explicitamente pela palavra [pasma]; porém, no desenrolar da cena, a descrição avaliativa da personagem é ‘evocada’; a descrição de suas reações físicas (em itálico no trecho (4)) deixa transparecer, implicitamente, seu estado emocional.
Terminada a descrição da subrede de ‘atitude’, passemos agora à explanação da subrede de ‘engajamento’.
2.2. Engajamento
Além de avaliações atitudinais, também se pode avaliar via ‘engajamento’, ou seja, permitindo ou não que outras vozes sociais se manifestem no texto para, então, se alinhar a elas ou se contrapor a elas, como é o caso do trecho (5) do discurso de Ulysses Guimarães:
(5) A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. (CÂMARA, 2006)
A palavra [certamente] no trecho (5), num primeiro plano, deixa transparecer a convicção do enunciador em relação à imagem representada no trecho - de que a Constituição não é perfeita. Porém, num plano sutil, entra em funcionamento outro mecanismo intersubjetivo: o enunciador cria para si um público idealizado que compartilha de seus pontos de vista irrestritamente, ancorando-se numa suposta obviedade do que foi representando linguisticamente, a tal ponto de o próprio texto constitucional admiti-lo.
O trecho (5) exemplifica o chamado engajamento por ‘heteroglossia’ (vide Figura 5), no qual se abre espaço para que a dialogia6 constitutiva de todo e qualquer discurso venha à tona na superfície do texto. A ‘heteroglossia’ é um dos dois termos mutuamente excludentes7 do sistema tipos de engajamento, juntamente ao termo ‘monoglossia’.
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Fonte: adaptada de Martin e White (2005), Martin e Rose (2007)
Figura 5 Subrede de ‘engajamento’ até o 2º nível de delicadeza
De uma maneira geral, a ‘monoglossia’ diz respeito a asserções categóricas que não permitem questionamento ou que não dão margem à dialogia; “a asserção categórica está geralmente associada com conhecimento consensual, versões de eventos que são vistas como fatos [...], no geral, “conhecidas” ou “aceitas” no contexto comunicativo” (WHITE, 2003, p. 263). Para aclarar estas ideias, examinemos o trecho (6), retirado da fala do Deputado Jair Bolsonaro durante sessão plenária da Câmara dos Deputados do dia 01 de Abril de 2015.
(6) Senhor presidente, é um assunto que eu esperava não tocar mais nele [sic], mas eu tenho uma convicção: uma célula está para um corpo, assim como a família está para a sociedade. Uma célula doentia, corpo doente. Uma família saudável, Estado forte. (PARLATUBEBRASIL, 2015, grifo nosso)
O “assunto” mencionado pelo Deputado é a inserção de discussões sobre diversidade sexual nos materiais didáticos de escolas públicas. No trecho (6), o destaque em itálico mostra como o Deputado constrói discursivamente a relação entre o Estado e a instituição familiar comparando-a com a relação entre o corpo de um ser vivo com suas células, tal que o funcionamento errático das partes (família/célula) debilita o todo (Estado/corpo).
Porém, o mais importante a se notar é como esta analogia é organizada lexicogramaticalmente via asserções categóricas, no sentido de que sequer é necessário construir linguisticamente uma obviedade. O Deputado está tão convicto da verdade do que diz que sequer precisa estabelecer um entrosamento com seu público via recursos avaliativos explícitos. A simples alusão aos valores e crenças defendidos pelo Deputado através de palavras como [família] e [Estado] já é suficiente para garantir a adesão de seus interlocutores em potencial. A obviedade, na visão do Deputado, chega a tal ponto que ele sequer precisa explicitar a ligação entre [célula doentia] e [corpo doente] através de um grupo verbal, que está elidido, fazendo-o apenas através da pontuação, operando da mesma forma ao comparar a saúde da família com a fortaleza do Estado.
Ou seja, não são quaisquer asserções categóricas que irão configurar um engajamento por monoglossia, mas aquelas asserções categóricas que operam “frequentemente (e talvez tipicamente) onde há a pressuposição de uma convergência ontológica, axiológica ou epistêmica entre a voz textual e o público” (WHITE, 2003, p. 263).
Passemos agora à discussão do último dos três recursos avaliativos: a gradação.
2.3. Gradação
As avaliações humanas podem variar de intensidade; ora são difusas e brandas, ora são intensas e arrebatadoras. Esta escalabilidade se reflete na linguagem da avaliação graças ao potencial de recursos disponibilizado aos usuários de uma língua através da subrede de ‘gradação’. Vejamos o trecho (7), outra passagem do clássico de Dostoiévski:
(7) Estava tão malvestido que outra pessoa [...] teria vergonha de sair à rua de dia em semelhantes andrajos. (DOSTOIÉVSKI, 2009 [1866], p. 20, grifo nosso)
No trecho (7), a voz do narrador descreve para o leitor o personagem Raskolnikov, protagonista da obra Crime e Castigo, explicitando uma avaliação atitudinal de apreciação, intensificada pelo advérbio [tão]. Todavia, não se deve achar que as gradações de avaliações são comunicadas apenas por meio de uma palavra em separado ou isolada, como pode ser visto no trecho (8).
(8) O cheiro insuportável das tavernas [...] e os bêbados [...] completavam o colorido repugnante e triste do quadro. (DOSTOIÉVSKI, 2009 [1866], p. 20, grifo nosso)
A palavra [insuportável] no trecho (8) põe o cheiro numa escala de intensidade que está inserida (ou fusionada) nela mesma, quando comparada com outras palavras do mesmo campo semântico, como exemplifica a Figura 6.
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Fonte: nossa autoria
Figura 6 Gradação fusionada de sentimentos
Estes aumentos de intensidade de sentimentos (atitude) nos trechos (7) e (8) são exemplos de avaliação graduadora por ‘força’, termo do sistema tipos de gradação, como mostra a Figura 7.
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Fonte: adaptada de Martin e White (2005), Martin e Rose (2007)
Figura 7 Subrede de ‘gradação’ até o 2º nível de delicadeza
O sistema tipos de gradação, simultâneo ao sistema direção da gradação (vide Figura 7), ainda prevê outro tipo de ajuste avaliativo pela voz textual, quando se quer regular a representatividade de dado objeto frente à categoria em que está inserido. Vejamos o trecho (9).
(9) A cachaça pode, diferentemente do uísque, da tequila e do rum, ser armazenada em vários tipos de madeira, que dão coloração e gosto característico à bebida. Essa diversidade é o grande diferencial do produto tipicamente brasileiro e, geralmente, define as características regionais. (PERUCCI, 2016, grifo nosso)
O fraseado em itálico no trecho (9) avalia a cachaça como um objeto muito representativo da categoria ‘coisas brasileiras’, ou seja, gradua-se a cachaça por ‘foco’, na direção ‘aumentando’. Tal como as gradações por ‘força’, as gradações por ‘foco’ tanto podem aumentar, quanto diminuir.
Findada a exposição do Sistema de Avaliatividade, podemos finalmente descrever o percurso investigativo realizado pelo grupo LEAD sobre o problema da neutralidade em AD.
3. AS PESQUISAS DE AVALIATIVIDADE EM AD
3.1. As primeiras pesquisas
As pesquisas em AD envolvendo o Sistema de Avaliatividade e a LSF se iniciaram por ocasião da cooperação interinstitucional entre a UECE e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante o quinquênio 2007-2011, através do edital PROCAD CAPES 008/2007. Naquele período, o autor principal deste artigo foi convidado a participar daquele projeto realizando uma pesquisa sobre o critério da neutralidade em AD. Disto resultaram as publicações de Praxedes Filho e Magalhães (2013; 2015), ambas trabalhando com roteiros de AD de pinturas. No primeiro trabalho, os autores (PRAXEDES FILHO; MAGALHÃES, 2013) analisaram, quanto à neutralidade, seis roteiros8 de AD de pinturas em língua inglesa elaborados por defensores da neutralidade e, àquela época, disponibilizados online pela Audio Description Coallition.
O objetivo da pesquisa era verificar se os roteiros eram ou não neutros, logo, a categorização dos dados se deu apenas até o 2º nível de delicadeza e, na subrede de ‘atitude’, trabalhou-se apenas com o sistema tipos de atitude. Para alcançar esta meta, Praxedes Filho e Magalhães (2013) estabeleceram as seguintes diretrizes metodológicas: (i) os roteiros só seriam considerados neutros se possuíssem 0% de avaliações, seja de ‘atitude’, seja de ‘engajamento’, seja de ‘gradação’; (ii) nem todas as asserções categóricas seriam consideradas instâncias de ‘monoglossia’ (considerando que todos os textos têm orações sem marcas de modalização, se qualquer oração categórica fosse enquadrada como um caso de ‘monoglossia’, haveria um enviesamento dos dados e, consequentemente, todos os roteiros seriam avaliativos). A categorização dos dados a partir do Sistema de Avaliatividade foi realizada manualmente.
Foram analisados os roteiros das seguintes pinturas, todos acessados em 16/10/2011 (PRAXEDES FILHO; MAGALHÃES, 2013, p. 79):
* 1 The Bather, de Paul Cézanne;
* 2 Convergence, de Jackson Pollock;
* 3 Girl with a Mandolin, de Pablo Picasso;
* 4 View of Cadaques with Shadow of Mount Pani, de Salvador Dali;
* 5 The Adoration of the Magi,de Andrea Mantegna; e
* 6 Woman 1, de Willem de Kooning.
Os autores dos seis roteiros de AD em língua inglesa, a partir do critério metodológico estabelecido, não alcançaram o objetivo de neutralidade, como mostra a Tabela 1.
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Fonte: Santos, Farias Junior e Praxedes Filho (no prelo)
Quanto às três grandes áreas de significados avaliativos, o padrão encontrado neste estudo de caso se assemelha, à primeira vista, ao encontrado por Oliveira Junior (2016) para os curtas-metragens de ficção e documentários, nos quais a frequência de significados atitudinais foi bem mais que a metade de todas as avaliações; no roteiro de AD da peça infantil, o termo ‘atitude’ ocorreu em 73,4% das avaliações. Porém, estas semelhanças mantiveram-se no primeiro nível de delicadeza, pois, no nível seguinte, dos três tipos de avaliações atitudinais, os significados estéticos foram os mais recorrentes (40,8%), justamente o contrário do que aconteceu nos dois gêneros observados por Oliveira Junior (2016), em que a predominância foi de avaliações de ‘afeto’ e ‘julgamento’.
Haja vista que a exibição de filmes e a encenação de peças de teatro têm em comum o fato de serem expressas via imagens em movimento, bem como de se desenvolverem no tempo pelo desenrolar de uma trama ou enredo, não seria exagero supor que os padrões avaliativos dos roteiros de AD destas duas categorias tendessem a convergir. Mas os resultados preliminares deste estudo de caso parecem refutar tal hipótese: a grande quantidade de avaliações por ‘apreciação’ na AD da peça infantil A Vaca Lelé se assemelha mais aos padrões avaliativos encontrados nas ADs de objetos estáticos, como obras de arte (PRAXEDES FILHO; MAGALHÃES, 2013; 2015) e monumentos históricos (LIMA, 2016). Como se trata de um estudo de caso, não é possível fazer maiores generalizações, mas isto talvez se deva às diferenças entre um palco de teatro e uma tela de cinema: num filme, a câmera pode se aproximar dos personagens para enfatizar a dramaticidade de sua atuação e detalhes de suas ações, propiciando maior quantidade de avaliações de ‘afeto’ e ‘julgamento’ no roteiro de AD; já no caso de uma peça de teatro, cada pessoa da plateia (incluindo o audiodescritor) permanece sentada no mesmo assento, dependendo apenas da visão a olho nu para identificar o que acontece no palco, situação que talvez desfavoreça a descrição da dramaticidade da atuação e, consequentemente, induzindo o audiodescritor a dar mais atenção a aspectos do cenário ou do figurino, elementos estes avaliados via ‘apreciação’.
Sobre as outras duas áreas de significados avaliativos, há o seguinte: por um lado, não ocorreram quaisquer posicionamentos por ‘engajamento’, nem heteroglóssicos - fato talvez explicável devido ao público-alvo ser composto de crianças, possivelmente ainda imaturas para serem suscetíveis à modalização -, nem monoglóssicos - talvez devido à parceria dos dois audiodescritores na revisão do roteiro; por outro lado, houve 26,6% de avaliações por ‘gradação’, todas elas do tipo ‘força’. Isto encerra nossa discussão sobre o percurso investigativo realizado pelos membros do grupo LEAD, via Sistema de Avaliatividade, sobre o problema da neutralidade e sobre o estilo interpretativo em AD.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste artigo foi apresentar a trajetória de pesquisas do grupo LEAD (UECE) sobre o critério da neutralidade em AD, modalidade de tradução audiovisual acessível dirigida a PcDVs. O arcabouço teórico-metodológico orientador das investigações foi a Semiótica Social hallidayana (HALLIDAY, 1978), mais especificamente através da Linguística Sistêmico-Funcional (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2014) e, dentro desta, o Sistema de Avaliatividade (MARTIN; WHITE, 2005).
Na primeira seção deste texto, discutimos brevemente a definição de AD (DE COSTER; MÜLHEIS, 2007) no contexto da expansão de suas aplicações nos mais diversos espaços, abordando brevemente o critério da neutralidade, parâmetro defendido pela literatura não acadêmica da área (SNYDER, 2008).
Na segunda seção, delimitamos a AD dentro da área disciplinar dos Estudos da Tradução Audiovisual (INGHILERI, 2009), caracterizando-a como uma modalidade de tradução audiovisual acessível (TAVa) (JIMENEZ, 2010; ADERALDO, 2014) e alocando-a junto às modalidades da Legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE) e da Janela de língua de sinais. Discutimos ainda o conceito de acessibilidade universal (ALONSO, 2007), alertando para seu caráter abrangente, não limitado à mera adequação de espaços físicos a pessoas cadeirantes. Tomando esta universalidade como ponto de partida, discutimos a pertinência do critério da neutralidade em AD, apontando teoricamente sua inviabilidade (JAKOBSON, 2000 [1959]), tese reforçada pelo relato de Holland (2009) na sua atuação na AD de teatro.
Foi o impasse entre defensores e críticos do critério da neutralidade que motivou os membros do grupo LEAD a conduzirem análises empíricas de roteiros de AD para verificar a pertinência deste critério. Tomou-se como base o Sistema de Avaliatividade, apresentado na terceira seção, na qual foram descritas as subredes de sistemas das três grandes áreas de significados avaliativos (‘atitude’, ‘engajamento’ e ‘gradação’) até o segundo nível de delicadeza.
Logo em seguida, na quarta seção, foram arroladas as pesquisas completadas até a escrita deste artigo, iniciando com a descrição das duas primeiras pesquisas realizadas por Praxedes Filho e Magalhães (2013; 2015), que trataram da neutralidade de roteiros de AD de pinturas, tanto em língua inglesa, quanto no português brasileiro, ambas constatando a não neutralidade dos roteiros. Em seguida, tratou-se das três pesquisas sobre a neutralidade em roteiros de AD de filmes - Silva (2014), Almeida (2015) e Oliveira Junior e Praxedes Filho (2016) -, todas elas mais uma vez constatando a não neutralidade dos roteiros analisados. Por fim, descreveu-se as quatro pesquisas versando sobre estilo interpretativo, ou seja, não mais preocupadas em aferir a presença ou ausência de neutralidade nos roteiros de AD, mas de encontrar nestes padrões avaliativos que possam caracterizar ora um subgênero de roteiro (estilo avaliativo), ora as características de um(a) dado(a) audiodescritor(a).
Ao longo de todo este percurso investigativo, foi ficando cada vez mais claro aos membros do grupo LEAD a natureza eminentemente multimodal do roteiro de AD, bem como sua flagrante integração semiótica com o objeto audiodescrito, demandando, assim, pesquisas com novos desenhos metodológicos que viabilizem análises nas quais as dimensões verbal e não verbal sejam melhor integradas, permitindo maior grau de replicabilidade das pesquisas futuras sobre padrões avaliativos em roteiros de AD.
1Esta e todas as demais traduções da língua inglesa para o português são de nossa autoria.
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Pedro Henrique Lima Praxedes Filho*
Daniel de Albuquerque e Arraes**
* Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, CE. Brasil. [email protected]
** Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, CE. Brasil. [email protected]
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Abstract
Audio description (AD) is, broadly speaking, the translation into words of visual impressions from a given object, aiming to make it accessible to the visually impaired. It is not only a means of accessibility, but also a modality of intersemiotic translation. The nonacademic literature on the subject has been emphasizing for many years the need to produce neutral AD scripts, to avoid interfering in the independence of the visually impaired to make their own judgments. However, supporters of this criterion fail to define it or to demonstrate how to produce a neutral script. Therefore, researchers from the State University of Ceará have been conducting empirical research with AD scripts to verify both the theoretical as well as the practical feasibility of such parameter of neutrality. The research has relied mainly on the theoretical and methodological framework of Systemic-Functional Linguistics, and within it, the Appraisal System. This work aims at presenting the state of the art of such research, reporting the trajectory of investigations from the first works up to present.