Content area
Abstract
O envelhecimento das populações é uma realidade característica das sociedades economicamente desenvolvidas, resultando da conjugação do aumento da esperança média de vida e da diminuição da natalidade (Sequeira, 2007). Destaca-se o contributo de diversos factores para a alteração da pirâmide etária das sociedades, tais como os progressos da medicina e o desenvolvimento socioeconómico (Agin & Perkins, 2008; Sequeira, 2007).
O envelhecimento populacional não se verifica somente pelo aumento da população acima dos 65 anos mas também pelo aumento dos indivíduos muito idosos. A título de exemplo, pode-se citar a realidade italiana. Em 1921 só se registavam 49 pessoas acima dos 100 anos, enquanto em 1997 esse número subiu para 4684 (IMUSCE, 1998; citado por Motta, Bennati, Ferlito, Malaguarnera & Motta, 2005).
Portugal é um dos países onde o aumento da população idosa é uma realidade. Nas últimas quatro décadas o número de indivíduos idosos duplicou. Em 2002 os idosos (pessoas com mais de 65 anos) representavam 16,7% da população total, sendo que esta percentagem deverá aumentar consideravelmente nas próximas décadas (INE, 2002; citado por Sequeira, 2007). Salienta-se que em 1960, o índice de envelhecimento era de 27 idosos por 100 jovens, enquanto em 2004 era de 106 idosos por 100 jovens (INE, 2005; citado por Sequeira, 2007).
O envelhecimento populacional implica novos desafios. Viver mais tempo nem sempre significa viver com qualidade de vida, sendo comum associar uma perspectiva negativa ao envelhecimento. Na verdade, o envelhecimento populacional coloca novos problemas, a vários níveis, principalmente na esfera social, económica e individual. Marquez, Bustamante, Blissmer e Prohaska (2009) referem que os custos, nomeadamente relacionados com a saúde, inerentes ao envelhecimento populacional serão incomportáveis caso não se desenvolvam medidas proactivas para promover o envelhecimento bem sucedido.
Consequentemente, é necessário estudar o envelhecimento, de forma a permitir a reunião de conhecimentos válidos e úteis para o desenvolvimento de respostas adequadas à terceira idade e promotoras de qualidade de vida (Fontaine, 2000; Sequeira, 2007). No entanto, o estudo científico do envelhecimento é uma área relativamente recente, principalmente em Portugal (Paúl, 2005).
Constata-se, então, a necessidade de se desenvolver o conhecimento científico sobre a terceira idade. Acresce, o facto que promover o bem-estar dos idosos tornouse num objectivo de investigação importante para diversas disciplinas, entre as quais a Psicologia da Saúde. Uma das razões que justifica tal interesse advém do facto de níveis superiores de bem-estar subjectivo (BES) promoverem a saúde dos indivíduos e representarem uma qualidade de vida superior.
Desta forma, considera-se importante compreender quais são as variáveis necessárias para um envelhecimento bem sucedido, identificando os factores promotores do BES e da saúde dos idosos. Pistas na literatura referem que o coping e os estilos de vida são duas variáveis valiosas na terceira idade, contribuindo para um envelhecimento com qualidade (e.g. Paúl, 2005). Neste sentido, pretende-se estudar o impacto do coping e dos estilos de vida no bem-estar subjectivo e na saúde física e mental dos idosos.





