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Abstract
Introdução: A anca é uma articulação fulcral no bom desempenho físico sendo, frequentemente, sede de lesões em praticantes de desporto de alta competição. A identificação dos mecanismos causais das lesões da anca que mais frequentemente se associam com a prática desportiva, é essencial para uma boa evolução e prática competitiva dos atletas, tanto adultos como jovens. Neste contexto, médicos e treinadores assumem um papel central na sua prevenção.
Objectivos: o escopo principal deste trabalho foi proceder a uma revisão atualizada sobre os mecanismos causais da patologia da anca no desporto, assim como apurar as formas mais eficazes da sua prevenção e, ainda, determinar o tipo de prática desportiva mais recomendada após uma reconstrução cirúrgica da anca.
Métodos: Foram efectuadas pesquisas bibliográficas na Pub Med, EBSCO, DynaMed e RIHUC, assim como na biblioteca dos CHUC em manuais e teses anteriores até Fevereiro de 2013 utilizando palavras-chave. Destas pesquisas foram encontrados mais de 800 artigos, dos quais se seleccionaram 60, que incluíam matéria relacionada com os objectivos do trabalho. Os restantes artigos da bibliografia foram individualmente pedidos numa fase posterior.
Resultados e Discussão: As patologias que se revelaram mais frequentes são, em crianças, as facturas de arrancamento, sinovites, doença de Legg-Calve-Perthes, epifisiólise femoral superior e osteoma osteóide. Nos adultos são as contusões dos tecidos moles, miosites ossificantes, estiramentos tendinosos, conflito femoroacetabular, síndroma do piriforme, síndroma dos isquiotibiais, rotura muscular, bursite, rotura do labrum acetabular, luxação e sub-luxação da anca, fracturas traumáticas da anca, fracturas de fadiga da anca e coxartrose. Estas patologias são mais frequentemente causadas por desportos de alto impacto, com transferência de energia entre membros inferiores e tronco, que incluam o pontapé como gesto técnico e uso repetido da articulação no máximo da sua amplitude. A prevenção deste tipo de patologia assenta no repouso e treino com carga adequada a cada atleta, com base na sua idade e capacidade física. A evolução dos meios complementares de diagnóstico a nível da imagiologia tem vindo a ser neste campo uma preciosa ajuda, mas o conhecimento causal e relacional dos desportos com a patologia da anca é uma importante base para que haja capacidade de controlar este problema. Após reconstrução cirúrgica da anca são indicados os desportos de baixo impacto. Desportos como jogging, squash e artes marciais ainda dividem a comunidade científica.
Conclusão: Os desportos de alto impacto constituem a causa mais frequente de lesões da anca do desportista. A prevenção das lesões desportivas assenta essencialmente na valorização das queixas dos atletas e na identificação das suas causas, em tempo útil. Após a cirurgia reconstrutiva da anca recomenda-se a prática de desportos de baixo e médio impacto. Apesar dos avanços registados na técnica cirúrgica e dos biomateriais protéticos, a prática dos desportos de alto impacto após a cirurgia da anca continua a dividir a comunidade ortopédica internacional.





