Resumo
O objetivo do estudo foi criar um protocolo de atendimento ao público, específico para os profissionais de Educação Física (EF), no contexto da COVID-19. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, delineada pelas análises documental e bibliográfica dos documentos disponíveis nos sites dos Conselhos das Profissões da área da Saúde. Assim, elaborou-se um protocolo composto por dois tipos de ações profissionais, de domínio geral, o qual reforça ações já apresentadas por outros estudos e, de domínio específico, o qual apresenta novas diretrizes aos profissionais da EF. Ainda, o presente protocolo classificou o trabalho destes profissionais em três situações, a saber: contato físico constante, contato físico transitório e contato físico improvável. Uma vez que, até o momento, não foram verificadas especificações dos equipamentos de proteção individual direcionados aos profissionais de EF, focado na vestimenta, contato com o cliente e intensidade do exercício, apenas para o ambiente geral de trabalho, espera-se que o atual estudo contribua para a saúde e segurança dos profissionais de EF neste contexto de pandemia.
PALAVRAS-CHAVE: protocolos; saúde; pandemias; exercício físico.
Abstract
The objective of the study was to create an assistance protocol for the public, specific for Physical Education (PE) professionals, in the context of COVID-19. The present study had a qualitative approach, delineated by documental and bibliographic analysis of the documents available on the websites of the Health Professional Councils. Thus, a protocol was elaborated consisting of two types of professional activity, of a general domain, which reinforces actions already presented by other studies, and of a specific domain, which presents new guidelines for PE professionals. Furthermore, this protocol classified the work of these professionals into three situations, namely: constant physical contact, transitory physical contact, and improbable physical contact. Up to the present moment, specifications of Personal Protective Equipment for PE professionals focused on clothing, client contact and exercise intensity have not been verified, except for the general work environment. Therefore, it is expected that the current study contributes to the health and safety of PE professionals in this pandemic context.
KEYWORDS: protocols; health; pandemics; exercise.
INTRODUÇÃ;O
A pandemia da COVID-19 ocasionou diversas mudanças no cotidiano das pessoas, pois envolve múltiplas questões relacionadas a comportamentos sočiais, educacionais, ambientais e físicos, entre eles: o distanciamento, a higiene, os problemas económicos e os extremismos merecem atenção (Drigo et al., 2021), além disso, as questões relacionadas ao ambiente e a atuação no trabalho dos profissionais da saúde, e em especial dos profissionais de Educação Física, merecem destaque. No sentido de preservar a segurança dos pacientes e dos profissionais, diversos protocolos e orientações foram criadas. Profissões como Odontologia, Medicina, Fisioterapia e Enfermagem elaboraram protocolos específicos para a profissão devido a preocupação laboral. Nestes protocolos há orientações sobre a colocação e a retirada dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) (CONFEN, 2020), orientações para casos suspeitos, confirmados e acompanhantes. Para a Fisioterapia, Terapia Ocupacional e as ocupações de apoio (recepção e segurança) (COFFITO, 2020) são orientados para que o primeiro contato com o individuo seja de forma não presencial, no qual ocorrerá uma espécie de pré-triagem por meio de um questionário rápido composto por questões associadas a COVID-19 (FOUSP, 2020).
Entretanto, evidencia-se que para os profissionais de Educação Física (EF), há uma escassez de documentos que orientem sobre os cuidados necessários para minimizar a disseminação do virus. No Brasil, verifica-se a nota técnica n° 10/2020CGPROFI/DEPROS/SAPS/MS para nortear práticas de atividades com segurança nos polos do Programa Academias da Saúde (Brasil, 2020b). Além disso, há uma cartilha desenvolvida pela ACAD (2020), que indica as diretrizes sobre os cuidados que os usuários devem ter no interior da academia. A cartilha teve avanços para a área, todavia percebeu-se que as prevenções sao realizadas na recepção do aluno no setor de secretaria. Para os profissionais de EF os procedimentos de segurança sao limitados. Observa-se que outros protocolos brasileiros e internacionais estão relacionados aos estabelecimentos ou as academias e nao específicamente aos profissionais de EF (CDC, 2021; Mayo Clinic Health System, 2020; New Jersey Department of Health, 2021; SEBRAE, 2020).
Sendo assim, os profissionais de EF ainda carecem de protocolos e orientações para o gerenciamento e atendimento dos diferentes públicos. Orientações específicas como vestimentas adequadas, distanciamento, atendimento individualizado e em grupo. Dessa forma, o objetivo do estudo foi criar um protocolo específico para os professionals de EF de atendimento ao público no contexto da COVID-19, de forma confiável e segura.
MÉTODOS
Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, delineada pela análise documental e bibliográfica dos documentos disponíveis nos sites dos Conselhos das Profissões da área da saúde (Alves-Mazzotti & Gewandsznajder, 1998) com a finalidade de identificar protocolos e orientações para os profissionais da área da saúde no contexto da pandemia da COVID-19.
A partir da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), identificou-se as profissões das áreas das ciencias biológicas e da saúde. Em seguida, localizou-se o Conselho de Classe Profissional destas profissões em busca de protocolos e orientações no contexto da COVID-19 (CBO).
Para a elaboração do protocolo específico para os profissionais de EF foram reunidas informações e distribuidas em dois quadros referentes aos protocolos e orientações publicados com relação a COVID-19. No primeiro quadro constam os protocolos e orientações para os profissionais de EF e, no segundo quadro, os protocolos de outras profissões da área da saúde. Como há diversas profissões da área da saúde, optou-se por analisar profissões que, dependendo das situações, não podem manter o distanciamento social e que necessitam de atendimentos que envolvem a aproximação e o contato físico entre o profissional e o paciente. As profissões analisadas foram: medicina, fisioterapia e terapia ocupacional, odontologia, enfermagem e EF. Para a elaboração do protocolo foram considerados os protocolos existentes de outras profissões da área da saúde e da própria EF.
Foi utilizado com referencia de observação e fonte de informação o documento "Guia de Elaboração: escopo para protocolos clínicos e diretrizes terapéuticas" (Brasil, 2019).
RESULTADOS
Com base nas análises dos dados, observa-se que os protocolos das outras profissões da área da saúde (CFM, 2020; CONFEN, 2020; CREFITO, 2020; CRO, 2020) apresentam EPI para os profissionais, equipamentos de proteção para o ambiente geral de trabalho e sequéncia das ações protocolares a serem adotadas (Quadro 1).
Para a profissão de EF nenhum dos protocolos analisados possuem especificações dos equipamentos de proteção individual direcionados aos profissionais. Todos os protocolos informam sobre os equipamentos de proteção para o ambiente geral de trabalho. Apenas dois protocolos mencionam a sequencia das ações profissionais a serem adotadas (Quadro 2).
Os profissionais de EF tem contato com diversos clientes durante o dia. Esta exposiçao pode torná-lo possível vetor do vírus se os cuidados necessários nao forem tomados. A literatura revelou que a prática de exercícios físicos em ambientes fechados com pouca circulaçao e troca de ar aumentada pelo esforço, podem potencializar os fatores de risco para a transmissao da Covid-19 (Andrade, Dominski, Pereira, de Liz, & Buonanno, 2018). Outro fator de risco é a aglomeraçao de pessoas. A combinaçao desses riscos exige que a ventilaçao durante estes treinamentos sejam maiores. Ambientes fechados e com pouca ventilaçao natural potencializa a disseminaçao de gotículas (Morawska & Cao, 2020; Setti et al., 2020) expelidas pelo nariz e boca, as quais podem ficar suspensas no ar ou nas superficies dos equipamentos ou objetos (Doremalen et al., 2020; Kampf, Todt, Pfaender, & Steinmann, 2020). Consequentemente, mesmo com o uso de máscara, a prática de exercícios físicos em ambientes fechados é uma atividade de alto risco de infecçao e, portanto, é preferível que essas práticas sejam feitas em ambientes abertos e com o quantitativo reduzido de praticantes.
Considerando a preocupaçao com a realidade apresentada, criou-se um protocolo para o professional de EF composto por dois tipos de ações profissionais: dominio geral e dominio específico. O dominio geral reforça ações já apresentadas por outros estudos com relação as orientações e como proceder no contexto pandémico. O dominio específico se refere as novas ações direcionadas aos profissionais da EF. Essas ações profissionais foram criadas como sugestão para que o professional de EF possa atuar de forma individual e coletiva com mais segurança. As ações profissionais tém o objetivo de minimizar os riscos de contágio e, por outro lado, aumentar a confiabilidade dos usuários e das outras pessoas que trabalham nos estabelecimentos de atividades e exercícios físicos.
No que se refere aos protocolos, as ações profissionais foram pensadas e organizadas na lógica da orientação de manter o distanciamento social. Assim, o trabalho dos profissionais de EF pode ser classificado em trés situações, a saber: contato físico constante; contato físico transitório; contato físico improvável.
* Contato físico constante: para os profissionais que trabalham com treinamento personalizado como atividades supervisionadas e também as lutas, que necessitam de auxílios e correções da execução de exercícios realizados pelo cliente. O contato físico nestes casos sempre ocorrerão;
* Contato físico transitório: para profissionais que trabalham em salas de musculação. Existe a possibilidade do contato físico com os clientes, em casos específicos que necessitam de correções. Estes contatos são rápidos e aleatórios;
* Contato físico improvável: para profissionais que trabalham com aulas coreografadas. Existe a possibilidade do contato físico com o cliente em menor grau, apenas em casos excepcionais.
Orientações gerais
No Quadro 3, evidencia-se que com relação ao domínio geral, aconselha-se dar preferencia, sempre que possível, para a realização de atividades em ambientes abertos e com grupos reduzidos de pessoas, assim como sugere (Dominski & Brandt, 2020).
Quanto ao dominio específico, sugere-se que os clientes respondam o questionário de perguntas rápidas (relacionado aos fatores de riscos biológicos da COVID-19) e o fluxograma (questões relacionadas ao comportamento social) conforme sugerido por Christofoletti et al. (2021). Estes instrumentos foram desenvolvidos, específicamente, para contribuir com a saúde e segurança dos clientes no contexto do virus, sendo que, em caso de suspeita de COVID-19, o cliente deverá procurar auxilio médico e, se necessário, fazer o teste diagnóstico.
Descrição de EPI e higienização
No que se refere ao Quadro 4, verifica-se que para o dominio geral, recomenda-se a utilização da máscara cobrindo o nariz e a boca, bem como a higienização das mãos, sempre que necessário (ACAD, 2020; Brasil, 2020a; CONFEF, 2020).
Para o dominio específico, o atual estudo orienta que a vestimenta do profissional de EF inclua a utilização de calça, camiseta com manga e tenis. Para pessoas com cabelos compridos recomenda-se amarrá-los. Após atender o cliente ou tocar em alguma em alguma superficie, é aconselhável realizar a higienização das mãos.
Ainda, de acordo com as possiveis situações que o profissional de EF possa vivenciar, sugere-se que para o contato físico constante a utilização de luvas, máscaras descartáveis, jaleco ou avental descartável e trocá-los após o término de cada aula; utilizar óculos de proteção e higienizá-los com álcool 70% ao final de cada aula.
Quanto ao contato físico transitório, recomenda-se utilizar máscaras descartáveis e óculos de proteçao. Cabe ressaltar que é necessário trocar a máscara sempre que ficar úmida ou apresentar sujidades (Morais et al., 2021) bem como higienizar os óculos de proteçao (álcool 70%) sempre que necessário. Ainda, com o intuito de intensificar a proteçao do profissional de EF e clientes, o profissional de EF pode utilizar jaleco ou avental descartável. É relevante destacar que o profissional de EF é o principal vetor de transmissão nas academias, pois ele é o elo ligação entre todos os ambientes, funcionários e clientes das turmas.
Já para a situação em que há contato improvável, é aconselhável utilizar máscaras descartáveis e trocá-las ao final de cada aula, assim como o uso de face shield, visto que há uma hiperventilação no momento do exercicio físico (Setti, 2020).
Descrição das ações profissionais
Com relação ao Quadro 5, para o domínio geral, é recomendado que ao receber um cliente, o profissional de EF deve evitar o contato físico. Nos estabelecimentos de atividades e exercícios físicos, é importante orientar o cliente quanto a higienização dos aparelhos, colchonetes, bancos ou demais objetos antes e após a sua utilização com álcool 70%. Em caso de treinamento personalizado, o profissional de EF pode fazer essa higienização para o cliente. Ainda, sempre que o profissional de EF tocar em um aparelho que será utilizado pelo cliente, é preciso fazer uma nova higienização. O profissional de EF que optar em não usar luva descartável deve fazer a higienização das mãos constantemente com álcool 70% e entre um cliente e outro deve lavar as mãos com água e sabão (ACAD, 2020; Brasil, 2020a; CONFEF, 2020).
Quanto ao distanciamento, vale destacar que os praticantes de exercício físico e os profissionais de EF devem manter o distanciamento social de no mínimo 1,5 metros (Brasil, 2020a).
E, no que se refere a quantidade de pessoas no local, é aconselhado que as academias restrinjam um número de pessoas no local conforme a Portaría n° 100-R, de 30 de maio 2020:
1° Para Municípios classificados como de nível de risco baixo: I - atividades aeróbicas: 1 (um) aparelho/usuário a cada 12 m2 (doze metros quadrados) de área de salão, garantindo espaçamento mínimo de 4 m (quatro metros) entre os aparelhos/usuários; II - atividades não aeróbicas com aparelhos fixos: 1 (um) aparelho/usuário a cada 10 m2 (dez metros quadrados) de área de salão, garantindo espaçamento mínimo de 3 m (tres metros) entre aparelhos/usuários; e III - atividades não aeróbicas em aulas coletivas: 1 (uma) pessoa a cada 8 m2 (oito metros quadrados) de área de salão, incluso o professor, garantindo espaçamento mínimo de 2,5 m (dois metros e cinquenta centímetros) entre as pessoas. 2° Para Municípios classificados como de nível de risco moderado ou alto é possibilitado o funcionamento apenas para atividades não aeróbicas, restritas a treinos de baixo impacto, garantindo sempre espaçamento mínimo de 4 m (quatro metros) entre aparelhos/usuários e os seguintes limites de lotação: I - estabelecimentos com área menor que 30 m2 (trinta metros quadrados): máximo de 1 (um) aluno por horario de agendamento; II - estabelecimentos com área igual ou superior a 30 m2 trinta metros quadrados) e menor que 45m2 (quarenta e cinco metros quadrados): máximo de 2 (dois) alunos por horario de agendamento. III - estabelecimentos com área igual ou superior a 45 m2 (quarenta e cinco metros quadrados) e menor que 60 m2 (sessenta metros quadrados): máximo de 3 (tres) alunos por horario de agendamento; IV - estabelecimentos com área igual ou superior a 60 m2 (sessenta metros quadrados) e menor que 75 m2 (setenta e cinco metros quadrados): máximo de 4 (quatro) alunos por horário de agendamento; e V - estabelecimentos com área igual ou superior a 75 m2 (setenta e cinco metros quadrados): máximo de 5 (cinco) alunos por horário de agendamento (Brasil, 2020b, p. 9).
Por fim, referente aos horários de atendimento, sugere-se que academias maiores solicitem que os usuários marquem o horário previamente (Brasil, 2020a).
Para o dominio específico, o presente estudo aconselha, que a prática dos exercícios seja de intensidade leve a moderada, assim como é sugerido para o contexto de pandemia (Pitanga, Beck, & Pitanga, 2002; Raiol, 2020). Portanto, sugere-se que o professional de EF aplique um teste de intensidade subjetiva (Escala de Borg) nos praticantes de exercicio físico. Em caso de clientes que já contrairam a COVID-19, o controle e cuidado devem ser ainda maiores. Na literatura, o retorno as atividades ou exercícios físicos devem ser cautelosos, pois em alguns casos, há diminuição da capacidade respiratoria e eventuais problemas cardiacos (Halabchi, Ahmadinejad, & Selk-Ghaffari, 2020); fraqueza muscular (Xiong et al., 2021) e inflamação neural (Xiong et al., 2021).
Ainda é importante ressaltar a importancia do controle dos praticantes de atividade física, como sugere o artigo de Christofoletti et al. (2021).
Este artigo sugere a aplicação de um questionário de perguntas rápidas e um fluxograma antes de iniciar uma prática de exercicio físico, principalmente em academias de ginástica, relacionados a COVID-19 com a finalidade de verificar fatores de risco biológico e o perfil comportamental dos usuários. O ineditismo deste estudo é no sentido de não haver protocolos voltado para os aspectos socioculturais e comportamentais, relacionados com o contágio da COVID-19 (Christofoletti et al., 2021).
Ademais, os profissionais de EF podem contribuir como profissionais da saúde, fazendo registros dos usuários e passando um relatório semanal para as autoridades da saúde. Dessa forma é possivel controlar a quantidade de pessoas que estão fazendo atividades e exercicios físicos que não contrairam o virus; a quantidade de pessoas que contrairam o virus e retornaram a praticar atividades ou exercicios físicos; e como as pessoas percebem o próprio estado de saúde após a Covid-19.
A sistematizaçao das ações profissionais preserva a própria saúde bem como a saúde de seus clientes. Nesse sentido o compromisso, a responsabilidade e a ética profissional são premissas para a inserçao dos profissionais de EF na área da saúde.
O avanço deste estudo é na direção de que até o momento nao há estudos que buscaram desenvolver protocolos para profissionais de EF e o presente trabalho fez isso. Todavia, as limitações do atual estudo envolvem o fato do vírus ser recente e estar em constante investigações, ou seja, é natural que ocorra novas descobertas e, consequentemente, orientações no que se refere ao vírus, e isso pode modificar algumas das orientações aqui apresentadas. Contudo, para estudos futuros, é sugerido a utilizaçao deste protocolo no sentido de estabelecer uma relaçao de causa e efeito para os profissionais de EF que atuam nas academias de ginástica.
CONCLUSÖES
A partir das análises realizadas, baseadas na literatura científica, em documentos oficiais de outras profissões e nos poucos documentos na área da EF, foi desenvolvido um protocolo voltado aos profissionais de EF com o intuito de minimizar os riscos de contágio durante a prática de atividades ou exercícios físicos. As orientações já antes apresentadas na literatura sao o distanciamento social, quantidade de pessoas no local, horário de atendimento e EPIs. As novidades deste protocolo consistem em um protocolo específico para os profissionais de EF, focando na vestimenta, EPIs dependendo do contato com o cliente e intensidade do exercício.
As orientações consideram a segurança do cliente, do profissional de EF e das pessoas que trabalham na secretaria (setor de recepçao) por meio da descriçao detalhada da investigaçao biológica e comportamental do cliente, vestimenta profissional, assepsia adequada dos aparelhos utilizados, horários e quantidade de pessoas, local das atividades, distanciamento, atendimento individualizado ou em pequenos grupos.
Ademais, Drigo & Pitanga (2021) reforçam que os protocolos de segurança devem ser seguidos em ambientes de academias e de práticas de exercícios físicos, tanto no ámbito público quanto no individual. Os autores ressaltam que para o funcionamento de áreas destinadas aos exercícios físicos durante a pandemia da Covid-19 é necessário que o foco esteja totalmente na saúde, ou seja, o exercício físico deve ser pensado para a saúde e nao para a estética. Os autores ainda fortalecem que o exercício físico deve ser prioritariamente para os grupos com comorbidades e idosos. A manutençao da saúde contribui significativamente para melhorar a imunidade dessas pessoas durante o período da pandemia (ACSM, 2020).
É relevante dizer que apesar das informações trazidas neste artigo, o presente estudo não restringe a liberdade de trabalho do profissional de EF. As técnicas e práticas são de competencia dos profissionais de EF e a prestação de serviços devem estar pautadas no altruismo, na qualidade e no compromisso ético. Portanto, o estudo não questiona a técnica de trabalho, a sua importancia é apresentar informações sistematizadas por meio de protocolos específicos para os profissionais de EF que fazem atendimento ao público no contexto da pandemia, de forma confiável e segura.
Essas informações tem o intuito de contribuir e transformar as academias e os estabelecimentos de atividades e exercícios físicos em um centro de saúde, além de garantir a segurança dos profissionais de EF, dos clientes e de toda a população. Ademais, é importante dizer que há possibilidades de uma terceira onda da pandemia, visto que houve uma redução da preocupação das medidas restritivas e circulação da variante Delta (Tokarski, 2021).
É reforçado que as ideias deste artigo não estão esgotadas, visto que as contribuições e estudos sobre a pandemia estão em processos constantes de aperfeiçoamento.
Título curto: Diretrizes para a Educação Física na pandemia
E-mail: [email protected]
Conflito de interesses: nada a declarar. Financiamento: nada a declarar.
Recebido: 25/08/2021. Aceito: 08/12/2021.
*Autor correspondente: Rua 8, quadra 11, casa 4A, Parque dos Buritis - CEP: 68459-876 - Tucuruí (PA), Brasil.
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© 2022. This work is published under https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ (the “License”). Notwithstanding the ProQuest Terms and Conditions, you may use this content in accordance with the terms of the License.
Abstract
O objetivo do estudo foi criar um protocolo de atendimento ao público, específico para os profissionais de Educação Física (EF), no contexto da COVID-19. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, delineada pelas análises documental e bibliográfica dos documentos disponíveis nos sites dos Conselhos das Profissões da área da Saúde. Assim, elaborou-se um protocolo composto por dois tipos de ações profissionais, de domínio geral, o qual reforça ações já apresentadas por outros estudos e, de domínio específico, o qual apresenta novas diretrizes aos profissionais da EF. Ainda, o presente protocolo classificou o trabalho destes profissionais em três situações, a saber: contato físico constante, contato físico transitório e contato físico improvável. Uma vez que, até o momento, não foram verificadas especificações dos equipamentos de proteção individual direcionados aos profissionais de EF, focado na vestimenta, contato com o cliente e intensidade do exercício, apenas para o ambiente geral de trabalho, espera-se que o atual estudo contribua para a saúde e segurança dos profissionais de EF neste contexto de pandemia.





