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Depois de seis meses com um governo em funções, Espanha celebrará novas eleições no dia 26 de junho com uma única novidade: a coligação de Podemos com os ex-comunistas. Começa a campanha. Español English
O primeiro-ministro interino de Espanha, Mariano Rajoy, observa como o líder de Podemos, Pablo Iglesias, passa à sua frente durante a segunda ronda do debate de investidura no Parlamento espanhol, Madrid. 2 de março de 2016. AP Photo / Francisco Seco.
A incerteza política paira em Espanha desde as inconsequentes eleições de dezembro, que implicaram a composição dum parlamento fragmentado sem uma maioria viável. O partido conservador no governo, o Partido Popular (PP), obteve 123 assentos no Parlamento dum total de 350 deputados; Ciudadanos (CS-Liberais), 40; o Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE), 90; Podemos y os seus aliados regionais na Catalunha, Valencia e na Galiza (esquerda radical), 69; "outros" (incluindo os conservadores nacionalistas vascos e os partidos catalães pró-independência), 28 assentos. Perante a impossibilidade dos principais partidos em chegar a um acordo - um pacto entre pelo menos três deles era necessário para estabelecer uma maioria estável -, o país encaminha-se para as urnas por segunda vez em seis meses.
Durante o período de negociações, abordaram-se diversas fórmulas: um governo tecnocrático dirigido por independentes; uma coligação conservadora (PP + Cs) com a abstenção dos socialistas, uma Grande Coligação (Grosse Koalition) entre o PP e o PSOE; uma coligação de centro-esquerda (PSOE + Cs) com a abstenção do PP ou de Podemos (a única fórmula que foi realmente discutida); ou uma coligação de esquerdas (POSE + Podemos) com a abstenção de Cs ou com o apoio dos nacionalistas bascos e catalães.
A última fórmula supõe uma reminiscência do que aconteceu em Portugal há seis meses, quando o atual primeiro-ministro, António Costa, conseguiu formar uma coligação de esquerda que removeu do poder os conservadores que, apesar de ganhar as eleições, não alcançaram uma maioria absoluta no parlamento (107 assentos dum total de 230). Ainda que tenham conseguido formar um governo minoritário, um voto de não confiança converteu o mesmo no governo mais curto da história de Portugal (que durou somente 12 dias).
Este resultado não passou desapercebido em Espanha. O líder do partido socialista espanhol, Pedro Sanchez, aproveitou a oportunidade e aterrou...




