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Abstract
Introdução: as doenças hipertensivas da gravidez, como a pré-eclâmpsia, constituem uma das principais causas de morbilidade e mortalidade materno-fetais, porém, não existem métodos suficientemente eficazes de predição e prevenção destes distúrbios pelo que a investigação contínua nesta área assume particular destaque.
Objetivos: identificar a prevalência de doenças hipertensivas durante a gravidez nas mulheres assistidas no CHUCB, os principais fatores de risco para o seu desenvolvimento e qual o papel dos índices inflamatórios como marcadores prognósticos. O objetivo final resume-se à adoção de medidas preventivas na abordagem das grávidas.
Métodos: investigação observacional retrospetiva, tendo por base os processos clínicos das grávidas e suas respetivas análises clínicas, cujo parto decorreu no CHUCB, entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019. Foram consideradas 939 grávidas neste estudo. A análise estatística comparativa entre os grupos foi realizada através do IBM SPSS 25.0®.
Resultados: a incidência de doenças hipertensivas da gravidez no CHUCB no período em estudo foi de aproximadamente 5,3%. As grávidas com qualquer patologia hipertensiva da gravidez (DHG) apresentaram associação estatística com a idade ≥ 35anos (p<0,011); IMC prévio à gestação ≥ 25Kg/m² (p<0,020); presença de antecedentes familiares de HTA (p<0,005); antecedentes pessoais de HTA (p<0,002) ou de antecedentes de doença hipertensiva da gravidez (p<0,001). O grupo de grávidas com pré-eclâmpsia ou eclâmpsia (PEE) apresentou associação estatística com a idade ≥ 35anos (p<0,034); presença de antecedentes pessoais de HTA (p<0,001); antecedentes de doença hipertensiva da gravidez (p<0,001) e hipertensão gestacional (p<0,001). Na análise do risco relativo os fatores de risco mais preponderantes foram a presença de antecedentes de doença hipertensiva na gravidez (OR:8,838) para a DHG e a presença de hipertensão gestacional (OR:13,470) para o grupo PEE. Não foi possível identificar fatores de risco conhecidos tais como a diabetes mellitus, a diabetes gestacional ou as doenças autoimunes. Não foram encontradas neste estudo associações entre os rácios inflamatórios (NLR, PLR, SII) e o desenvolvimento de doenças hipertensivas da gravidez.
Conclusão: a natureza multifatorial das doenças hipertensivas da gravidez valida a necessidade de intervenções preventivas e de uma abordagem holística através de alteração de estilos de vida e cuidados de saúde multidisciplinares.





